Guerra ao Terror
8 de março de 2010
Não deixem de ver, abaixo, a lista de ganhadores do Framboesa de Ouro e do Oscar!
Eu vi esse filme já tem um tempo. Chegou na locadora de mansinho, desconhecido, ninguém sabia no que se tornaria. Hoje eu decidi escrever sobre esse filme pois, como todos já devem saber, se tornou o grande vencedor do último Oscar. Pois é, um filme que merece ser comentado e debatido até por que ainda, pelo menos a mim, restam muitas dúvidas sobre seu merecimento e sobre sua qualidade. Não serei tão leviano em dizer que é um filme ruim, não o é, Kathryn Bigelow (diretora que também venceu o Oscar pelo filme) criou um pequeno clássico de guerra conteporâneo e merece os louros (não sei se o Oscar, rs).
Pois então, acredito eu que muitos não ouviram falar do filme até o grande dia da premiação, tirando os cinéfilos de carteirinha o público em geral ignorava a existência dele, principalmente no Brasil, já que os “grandes” e “inteligentes” empresários nacionais acharam que não seria um filme muito comercial e simplesmente não passou nos cinemas (pelo menos não antes de inúmeras premiações pelo planeta). Acho que por isso uma breve sinopse do filme se faz mais do que necessária. O filme fala, na guerra do Iraque, do drama de um batalhão encarregado do desarmamento de bombas. Tendo em vista que a tática de guerrilha iraquiana se baseia muito no dito “terrorismo” (os kamikazes japoneses eram heróis, as bombas francesas durante a 2ª guerra era resistência patriótica), o desarme de bomba se torna uma tarefa muito importante além de recorrente.
Dentro desse batalhão conhecemos o Sargento Willian James (Jeremy Renner, que também concorreu ao Oscar) que chega para substituir o antigo líder e que altera, de modo nada convencional, a forma de se combater desses homens. Isso parece só um filme de guerra, clichê, exaltador do exército americano e do seu modo de vida e por isso, você deve estar pensando, ganhou o Oscar, certo? Errado. E é nesse momento que entra toda a polêmica em torno do filme. Pois, ao meu ver, temos um filme muito interessante que trata de homens reais e não de soldados, que trata da realidade de um país ocupado e não necessariamente de uma guerra e que, principalmente, te deixa na pele de homens e mulheres, com suas angústias, em uma fase completamente execrável da história humana (e que ainda está em andamento).
Digo que isso é uma polêmica pois já vi muitos comentarem (inclusive aqui no blog) que é um filme de ação, ufanista e exagerado. Minha opinião diverge bastante disso pois acho que Bigelow conseguiu colocar na tela do cinema uma experiência real, vivida por homens reais e não grandes feitos vividos por super-heróis. É um filme que também discute um fato pouco discutido, o vício em guerra, o quanto essa cultura do terror norte-americana influencia na vida de seus meninos, voluntários de uma guerra que não é deles, que serve principalmente para alimentar conglomerados armamentistas.
Agora quais os motivos de eu não achar o filme merecedor da premiação se estou falando tão bem do mesmo? Primeiro, todas essas críticas políticas que faço me parecem subentendidas no filme – mas não necessariamente proposital. Me perguntaram se achei o filme político e disse “Não”, até mais enfaticamente do que deveria. Quis dizer que não procura defender lados mas retratar uma certa realidade, quase que documentariamente. Segundo, o filme não me parece nada que não tenha sido feito, o ótimo Soldado Anônimo, por exemplo, me parece um filme de guerra muito mais interessante. Critico a premiação não em nome de Avatar (que é o filme mais polêmico desse blog com mais de 60 comentários) mas em nome, por exemplo, de Bastardos Inglórios que para mim não é um Tarantino menor e merecia por exemplo a premiação. A direção de Bigelow é muito bem feita e acertada, você se sente na ação com uma filmagem bem íntima mas, repetindo, nada que não tenha sido feito. Nesse quesito ficaria entre o Tarantino e o próprio Cameron.
Meu objetivo com esse post foi tentar abrir mais uma polêmica, mais um debate via comentários, pois como podem ter reparado (ou não) minha opinião ainda não está bem formada e gostaria de debater para ver se consigo chegar a uma conclusão melhor. Só para concluir o destaque vai para as aparições especiais de grandes atores como Ralph Fiennes e Guy Pearce.
Avaliação:



