Narradores de Javé
4 de novembro de 2009Avaliação:
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Tags: Antonio Biá, Cinema Brasileiro, José Dumont, Nachtergale, Nelson Xavier, sertão vai virar mal
Esse post foi publicado de quarta-feira, 4 de novembro de 2009 às 22:47, e arquivado em Comédia, Drama. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0. Você pode comentar ou mandar um trackback do seu site pra cá.
“O sertão vai virar mar…”
Pois é, essas palavras são emblemáticas de um “avanço” do progresso brasileiro que destruiu e alagou toda uma sorte de territórios para se construir represas e ajudar uma pretensa maioria. O filme conta a história de um pequeno povoado fictício, chamado Javé, que será alvo desse “progresso”. Começamos a nos interar da trama de uma das formas mais batidas de todas mas sempre eficiente, um cara (Nelson Xavier) contando o “causo” para um grupo de pessoas.
Javé, como já dito, é um povoadozinho no meio do sertão nordestino que será alagado para se construir uma represa. Alguns líderes da comunidade se reunem com o governo e os engenheiros da obra e descobrem que a única maneira de parar a obra seria se Javé tivesse algo de muito importante, pois se tornaria patrimônio e não poderia ser mexido por ninguém. Aí que eles têm a idéia de escrever um livro sobre a cidade para colocar no papel todas as histórias que há muito são contadas. O problema a se resolver é que a maioria dali é analfabeta ou semi-analfabeta e um deles tem a idéia de chamar o malandro Antônio Biá (José Dumont) para escrevê-las. Biá é um dos únicos letrados do povoado só que possui a antipatia de todos depois de uma sacanagem que fez para manter o emprego (queria manter o correio onde trabalhava ativo e por isso saiu inventando carta de todo mundo contando histórias mentirosas e enviando).
Biá, de livre e espôntanea pressão, aceita a tarefa e começa a colher informações para o livro de “fatos científicos” que ele precisa escrever. E conhecemos a história desse povoado através das histórias (por vezes aumentadas) desse povo simples, pobre e que possuem apenas seu passado como legado. Obviamente não vou contar como o filme termina, mas ele é realmente muito bom, as histórias são em dados momentos muito engraçadas e em dados momentos muito emocionante. Na verdade emoção é algo que permeia o filme todo, um povo prestes a perder sua terra e que se agarra em uma única réstia de esperança consegue nos trazer às lágrimas só com o olhar.
As interpretações são um show à parte. Não sei se todos ali são atores ou existem pessoas mais humildes, porém todos eles conseguem ser o mais crível possível (e olha que eu já vivi no sertão do nordeste, sei do que to falando, rsss). José Dumont dá um show à parte, começamos a nos afeiçoar por Biá que é um personagem marcante e com certeza já entrou para a história do cinema brasileiro. Aliás, esse foi um filme bastante premiado nacionalmente e internacionalmente com prêmios no Canadá, Bélgica dentre outros. O destaque vai para um excelente ator que faz uma pequena participação como parte do grupo de ouvintes do Nelson Xavier que é o grande Matheus Nachtergaele.


Estou com esse filme em casa, mas toda vez que penso em vê-lo, resolvo trocá-lo por outro… assim, deixei de vê-lo umas quatro vezes.
Este filme da Caffé é ótimo. Isso prova que o nosso cinema tem personalidade, qualidade e que precisa ser mais contemplado.
Abs!
Nespoli, este é um daqueles filmes que sempre deixo para assistir depois e acabei não conferindo ainda. A história e interessante e tem um elenco de destaque.
Abraço
@Luis – Po, com o filme em casa e não vê? Faz esse esforço, po… rs…
@Rodrigo Mendes – Com certeza, é um cinema único e de ótima qualidade.
@Hugo – Bem, tente não passar mais pra frente. Mas eu também demorei muito para ver, acabei vendo por necessidade mesmo e me arrependi de ter demorado tanto, rs.
Bem, acho que vou ter que me acostumar com aumento de visita e consequente diminuição de comentários, que pena. Abraços e obrigados aos resistentes que ainda comentam, rs.
Nossa, não sabia sobre a história de “Narradores de Javé”, deu muita vontade de assistir (achei engraçado esse caso do Antônio envolvendo uma agência de correio).
Uma curiosidade: a diretora deste filme, Eliane Caffé, nasceu em Santo André, cidade onde eu moro!!!
E aquela resenha de E Sua Mãe Também que eu pedi há… hnm… muito tempo? =P
Putz, esse eu nunca vi. Você chegou a ver “Cinema, aspirinas e urubus”?
É recente e tal, talvez você até já tenham postado aqui e eu não vi. Mas agora quero ver esse daí, se tiver pra me emprestar eu agradeço
Beijos!
@Alex Goncalves – Eu sempre via esse filme na locadora mas nem a curiosidade de ler a sinopse eu tinha, até que eu acabei vendo pra ajudar minha namorada num trabalho e realmente me surpreendeu, cinema de ótima qualidade.
@Luis – A gente tarda mas não falha, paciência…
@Loren – Vi sim o “Cinema…” que eu achei um excelente filme. Eu gosto muito desses filmes que colocam uma história específica mas serve muito mais para mostrar a vida das pessoas do que contar tal história propriamente dita. Bem, vou ver se te empresto, rs…
Abraços pessoal… Até mais…