Distrito 9
11 de novembro de 2009Avaliação:
Voto do Público:
Nenhuma indicação.
Informações adicionais:
Tags: África do Sul, Alive in Joburg, Apartheid, Copley, ET, Extra Terrestre, Mnu, Muito Bom, Neill Blomkamp, O Senhor dos Anéis, Peter Jackson, Prawns, Sharlto Copley, Shia Labeouf, Titanic
Esse post foi publicado de quarta-feira, 11 de novembro de 2009 às 8:25, e arquivado em Ação, Ficção Científica. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0. Você pode comentar ou mandar um trackback do seu site pra cá.
Diz a lenda que Peter Jackson ia trabalhar junto com Neill Blomkamp no filme Halo. Como o projeto foi cancelado, ele disse para Neill “Então… temos 30 milhões de dólares para fazer um filme. Boto fé em você, garoto. Vai lá!”. E foi assim que o diretor colocou em prática a adaptação da história de seu curta-metragem Alive in Joburg e preparou o que na minha opinião é um dos melhores filmes de 2009: Distrito 9.
O filme conta a história de Wikus Van de Merwe (o estreante Sharlto Copley), que trabalha para MNU (Multi-Nacional United), uma instituição criada para cuidar de assuntos alienígenas. A questão aqui é que um certo dia, do nada, uma nave extra-terrestre parou sobre Joanesburgo, na África do Sul. Depois de algum tempo lá parada, os humanos conseguiram entrar e descobriram os ETs morrendo de fome. Prepararam então um espaço para que eles pudessem viver na terra, o Distrito 9, que se tornou um lugar muito sujo e violento, motivo para a MNU querer tirá-los de lá e colocá-los no Distrito 10, semelhante a um campo de concentração, onde eles viveriam “melhor”. E foi nessa tentativa que Wikus foi infectado por um vírus que começou a transformá-lo em ET e ele terá de lutar para se manter vivo, voltar ao normal e salvar os ETs. Ao mesmo tempo.
O Peter Jackson (ou PJ, para os amigos) é um cara que eu sempre vou respeitar por ele ter levado O Senhor dos Anéis para o cinema. Mesmo as heresias do filme não são o suficiente para superar a felicidade dos fãs de Tolkien em ver seu livro predileto tornando-se real. Além disso, ele conseguiu fazer com que O Retorno do Rei empatasse com Titanic no recorde de oscars recebidos: são 11! Fora isso, ele recebeu muito mais prêmios do que Titanic.
Mas de volta ao filme em questão, apostar em Neill foi uma das melhores coisas que PJ fez na vida dele. O roteiro desenvolvido para o filme é muito bom, a direção é fora do comum e a produção completa uma boa linha de trabalho. Enfim, vamos aos elementos em si.
Começando pelo roteiro, muitas pessoas enxergaram aqui uma semelhança com o apartheid. Apesar do próprio diretor negar ter tentado mostrar ali na telona uma visão disso, as semelhanças estão realmente presentes. Ao invés de negros sendo excluídos da sociedade, são os Prawns (que na legenda apareceu como camarão, mas que na verdade está relacionado ao um tipo de grilo da região!) que vivem isolados e mal vistos pela população. Os poucos interesses que se tem sobre eles é na área de tecnologia. Suas armas, mais desenvolvidas que as nossas, só podem ser usadas por eles, por alguma questão genética.
Mas eles não vivem sozinhos no Distrito 9, alguns nigerianos se juntaram a eles e formaram uma máfia lá dentro, trocando essas armas (inutilmente, pois eles não conseguem usar) por comida de gato (os Prawns adoram). Esses nigerianos começam a desenvolver um tipo de cultura de se aproximar ao máximo dos Prawns para tentar usar suas armas e, assim, acabam fazendo rituais onde comem partes de ETs para tentar absorver seus elementos.
Quando Wikus (que passa por momentos diferentes de estranheza durante o filme) é infectado e começa a ser perseguido pelos humanos, nós começamos a ver o lado alienígena da coisa. Eles não estão aqui por querer, não desejaram nada disso, e se vêem levados à miséria pela falta de coração dos humanos. É por isso que um deles está tentando reativar a nave e, nela, poderia salvar Wikus de sua maldição. Vemos então a união das raças por um “bem comum”.
Quanto à direção, o que tenho para falar é que comandar um roteiro como esse é para pessoas especiais. Quem assistiu ao curta-metragem (que estará no final dessa resenha! Assistam!) lembra que ele se passa todo em formato de documentário. No filme Neill volta a utilizar o formato, mas dessa vez intercala de uma maneira muito bem feita com cenas “normais” de filme. Ele acerta também ao utilizar bastante câmeras de mão,o que dá uma movimentação especial ao filme e uma dinâmica quase única. Como se não bastasse esse trabalho de diferenciação de cenas, ele ainda encontrou espaço para utilizar, em diversos pequenos momentos do filme, algumas cenas em formato de “câmera de segurança”, dessas que ficam na parede virando de um lado para o outro e acabam pegando um ladrão (ou, no caso, um ET) fugindo pelo estacionamento.
Mesmo com toda essa diferenciação e dinâmica de câmeras, o diretor não se perdeu e conseguiu fazer desse filme um filme muito diferente do padrão norte-americano. Até porque Neill é sul-africano! E Peter Jackson é neozelandês! Lembro de ler em uma entrevista com PJ em que ele fala que não entendeu muitas coisas que Neill quis fazer, mas que o filme era dele e só ele entendia a África do Sul então, fechou os olhos e seguiu o diretor.
E é nessa de só ele entender a África do Sul que nós temos o privilégio de ouvir o sotaque sul-africano, suas gírias e palavras únicas no meio do filme. O ambiente é diferente. E isso se dá também porque diversos atores do filme são sul-africanos. O maior exemplo aqui é o ator que faz Wikus, Sharlto Copley, que nunca tinha pensado em ser ator até participar do curta-metragem em um papel pequeno. Quando partiu para o longa, Neill resolveu dar a ele a oportunidade de atuar no papel principal e ele não deixou a desejar. A atuação desse homem é muito boa. Disse ali em cima que ele passa por momentos diferentes de estranheza porque seu personagem, inicialmente, é uma daquelas pessoas que fazem seu trabalho mas que não compreendem exatamente o que está fazendo. Ele tem um ar sonso, de manipulado. E com o passar do filme, vemo-lo se transformando, inicialmente em algo nojeto (e a passagem de humano para ET é bem nojenta) e, depois, em um cara capaz de qualquer coisa, com um olhar assassino na cara.
Para concluir, queria dizer que os efeitos especiais desse filme me deixaram de boca aberta. O que me parece é que os Prawns foram feitos da mesma maneira que os Transformers. Não sei como funciona a técnica utilizada em Transformers, mas ela é capaz de fazer um robô gigante de metal parecer tão real quando a cutícula do lado da unha no dedo do Shia LaBeouf. Quase da mesma maneira, os Prawns são simplesmente reais. É como se eles realmente estivessem ali. Achei muito bem feito. MESMO. E pensar que o ator principal, Sharlto Copley, fez sua estréia num curta-metragem de baixíssimo orçamento, imaginá-lo com uma atuação tão boa, mesmo trabalhando com personagens que não estão ali no set contracenando com ele, é de se bater palmas.
Um filme que me valeu cada centavo, realmente. Não deixem de assisti-lo, nem de acompanhar abaixo o curta-metragem Alive in Joburg, disponível no Youtube.





Novidade: ainda não vi esse filme. Mas li muitas resenhas positivas sobre ele e espero em breve vê-lo. Faz tempo já que não vejo nada sobre alienígenas – o tema, de qualquer modo, nunca foi o meu preferido -, mas quero ver esse, que penso ser bom mesmo.
Sem sombra de Duvidas Distrito 9 merece “5 estrela” ou seja 5 pipocas por ser um dos filmes mais interessantes , original e com conteudo tão bão como este filme , realmente a produção é muito boa alem de ser um filme Barbaro, e atual, ou seja Distrito 9 passa uma mensagem atual e de nossa realidade transformada em ficção, um filme para ser visto e rever seus conceitos , Nell Blonkap se revelou um otimo diretor e tomara que ele nos presentei com mais filmes de qualidade como este , na minha opinião Distrito 9 é um dos 10 melhores filmes do Ano.
Antes de ver o filme, baixarei este curta-metragem. Da mesma forma que amo ficções-científicas, sou fã de idéias originais como esta.
Novamente, mais uma resenha positiva da obra.
Gostei da intertextualidade que usaram, enriquecendo o filme com novas pesperctivas. Ainda não o conferi, mas confesso, que dentre várias críticas, esta foi uma das mais concisas e animadoras que li. Deve ser por esse pretexto étnico cultural metafórico que vocês citaram.
Obrigado pela dica!
Se der, passe no Cinemótica!
Abraços.
Confesso que era um filme que eu não tinha a curiosidade de assistir, mas depois de ler a sua crítica, pode ter certeza que eu vou querer conferir tudo de perto! Eu simplismente adoro as suas resenhas, criticas e tudo mais! se der, passa no http://www.ograndefilme.blogspot.com
beijooos
Então gostei muitíssimo no filme. O ruim é que na sala em que eu assisti tinha um cara que falava alto, atendia o celular e ainda usava o rádio. Ninguém merece!
Não curto muito ficção científica e tb não sou chegada em Et’s ou coisas do tipo mas o filme é bem bacana. Embora não seja uma unanimidade, ví muitas críticas negativas que diziam que independente da critica social que o filme pode trazer, jamais ET’s desenvolvidos a ponto de terem armas que podem destruir uma cidade ficariam naquela situação de miséria e comendo comida de gato.
Já citei aqui um trash clássico, hilário, super demais do Peter Jackson chamado “Fome Animal” é sobre zumbis, e antes da fama do Senhor dos Anéis, vale muito a pena conferir…
Gostei do filme. Não se trata apenas de ficção científica … infelizmente.
Escrevi sobre alguns filmes que vi no Festival do Rio 2008.
Dá um pulo lá para ver se você conhece algum.
Um abraço,
Christian Jafas
Distrito 9 é um filme único e inovador, diferente que pode ser bem aproveitado por quem assisti com a visão política que ele passa, sem pretensões aos efeitos ou as imagens. Muito bom mesmo!!!
ABRAÇO
Miojo,
não goste, não , gostei, não gostei de ‘Distrito 9′ e ponto.
Supervalorizado. Talvez eu reve-ja em DVD daqui a 10 anos….
Gosto não se discute né não?
O texto sobre o filme ao menos está ótimo e creio que o jovem Neill terá bons filmes no futuro.
abs!
Adorei Distrito 9, não só por ter o nome do Peter Jackson no projeto. Achei diferente, inteligente e curioso. Se um filme te faz pensar e rever seus valores, já valeu a pena.
Engraçado… Ia ver esse filme hoje, mas desisti de última hora. Tenho lido muita coisa bacana a respeito e, com certeza, depois do seu post, a vontade só aumentou. Agora, a respeito do Peter Jackson… Você falava do Senhor do Anéis e me ocorreu uma coisa aqui: Fome Animal não é dele?!
Ótimo texto! Também falei sobre cinema, apesar de não ser o foco do meu blog. Se puder me dar a honra, te aguardo lá!
Adoro cinema e não leio nenhum comentário sobre qualquer filme antes de asssiti-lo. Fui ver este esperando ver outro “daqueles filmes insonsos sobre Ets”. A surpresa foi grande e gratificante. Se o diretor e o produtor quiseram ou não fazer menção ao apartaid ,na verdade pouco importou. O que ficou foi a surpresa de ver um excelente filme, muito curioso por sinal -vc. fica esperando o tempo todo uma retaliação por parte dos Ets, porque nas nossas cabeças já está cristalizado o que sempre foi mostrado nos outros filmes e isso prende a atenção no filme o tempo todo. Vc. não consegue perder um detalhe sequer!! Muito interessante essa abordagem ao se fazer um filme.
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