Arquivo da Categoria ‘Animação’

9 – A Salvação

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

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9 - A SalvaçãoVocê me lembra ele. Ele se esquecia de lembrar de sentir medo.

9 foi uma surpresa, com certeza. Um filme apoiado (produzido e apresentado) por Tim Burton só poderia ser interessante. E realmente foi. Shane Acker, após disputar o Oscar de melhor curta-metragem em 2005 com 9, deu continuação ao seu trabalho e, 4 anos depois, apresenta esse longa metragem com um visual fantástico, de tirar o fôlego, realmente, e com uma história sombria, porém cheia de esperança. O impressionante é que o curta de 2005 foi o Trabalho de Conclusão de Curso de Acker, estudante de Animação. Todo esse reconhecimento lhe garantiu o apadrinhamento, como diz o Omelete, por parte de um dos caras mais fantásticos de Hollywood, o já citado Tim Burton.
9 (dublado originalmente por Elijah Wood) é um dos pequenos robôs feitos por um cientista (Alan Oppenheimer, que dubla o Falkor, de História Sem Fim!) em uma época em que a humanidade está sendo destruída pelas máquinas. 9 acorda quando não há mais humanos e recebe a missão intrínseca de trazer uma esperaça para o mundo. O que ele não sabe são os problemas que ele enfrentará junto com os outros pequenos robôs até chegar lá.

Minha namorada, em uma das primeiras cenas, quando 9 se assusta com alguma coisa, logo disse “como ele pode se assustar?”. Afinal, ele é um robô. Tudo nesse filme vai além de robozinhos que andam, falam e pensam. Ficaria chato se eu falasse aqui sobre o que é explicado bem perto do final do filme, então o que eu digo é: a explicação é ótima e simplesmente responde diversas perguntas que poderiam surgir durante a exibição do filme. Mas acho que posso dizer aqui que os nove personagens se completam de alguma maneira. Cada um tem o seu papel.
O universo de 9 é algo, sinceramente, genial. Quando você acompanha os bonequinhos pelo mundo destruído, é impossível deixar de notar toda a qualidade visual presente nesse mundo criado por Acker. Ele se destaca exatamente como um diretor que dá uma ênfase na parte visual e é isso que vemos por aqui. Os cenários são belamente construídos, recheados de detalhes daqueles que muitas vezes passam direto mas que são necessários para tornar tudo real.
E quanto aos nove “sobreviventes”, é impressionante também como cada um tema sua qualidade, o seu jeito de ser e como isso se encaixa na idéia central do filme, que é segurar nas pontas da esperança e fazer o que está ao seu alcance para cumprir seus objetivos. Acho que o que me tocou mais nesse filme foi esse destaque sentimental, emocional. É algo muito presente atualmente em filmes de fantasia como O Senhor dos Anéis, Nárnia e até o já citado História Sem Fim, que apresentam fortemente valores e virtudes que eu considero essenciais. Os dois primeiros têm valores cristãos, sendo descarado em Nárnia e dissolvido no Senhor dos Anéis em algo mais abrangente como o “Bem”, como contrário ao “Mal”. Já em História Sem Fim, eu diria que são valores humanos, sem um enfoque mais enfático.
Como todas essas histórias me são importantes (sério… Eu sei que nem todos tem a paciência para ler O Senhor dos Anéis, mas não deixem de ler, nunca, História Sem Fim. Você acha em sebos por preços muito baixos).
Deixando o devaneio de lado, concluo que 9 e um filme visualmente fantástico, com personagens muitíssimo bem trabalhados e uma história muito profunda por trás de tudo.
Acho que o que faltou aqui foi envolver mais essa profundidade, relacionada diretamente ao Cientista, durante todo o filme, tornando o filme mais Fantástico (de fantasia mesmo) do que ele é, o que eu acho que seria o melhor caminho a seguir.

Era do Gelo 3

quarta-feira, 15 de julho de 2009

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Era do Gelo 3Depois que salvarmos o Sid, eu vou matá-lo!

Semana passada, aqui em Vitória-ES, o Cinemark inaugurou sua primeira sala 3D. Até então, podíamos apenas sonhar com as fantásticas salas que existem em São Paulo ou Rio de Janeiro. Era do Gelo 3 foi o primeiro filme a ocupar a sala e lá ainda está. Eu, na verdade, ainda estou vivendo o sonho. Não pude assistir ao filme lá porque, uma semana depois da estréia da sala, as sessões continuam esgotadas, caso você resolva comprar um pouco em cima da hora.

Focando no filme, Era do Gelo: O Amanhecer dos Dinossauros (tradução livre do nome original) nos traz de volta nossos queridos amigos Sid, Diego, Manny, Ellie e os dois gambás, Crash e Eddie em uma nova aventura. Agora Ellie está grávida, Diego está querendo abandonar o grupo por achar que agora cada um deve seguir seu caminho, enquando Sid encontra 3 ovos de Tiranossauro-Rex e resolve adotá-los. Ao perceberem que os dinossauros estão de volta e que Sid está em perigo, o grupo mergulha em um novo mundo com a ajuda de Buck (uma doninha caolha aventureira) para mostrar que o grupo deles é bastante unido.

Era do Gelo foi um dos filmes que ajudou a fortificar a posição das animações 3D como muito mais que desenho animado para crianças. Cheios de piadinhas camufladas onde crianças passam batido e os mais crescidos garantem suas risadas, é uma das provas de que filme é filme, mesmo que não tenha atores ou cenário.
O terceiro lançamento da série, entretanto, deixou um pouco a desejar. Com certeza é melhor do que Shrek 3, que me decepcionou bastante, mas não chega aos pés de seus antecessores, o que mostra que a fonte está secando nessa terra congelada.
Tenho a impressão que quando você faz um filme para ser lançado em 3D, você tem a tendência de dar mais destaque a cenas de movimentação sincronizada, que vão mostrar uma beleza visual que se destacará entre o público dos óculos especiais.
O filme então mostra bastante cenas de pouca história e muitos acontecimentos engraçadinhos. E o roteiro perde força entre uma ação desastrosa e outra de Sid, principalmente.
E mesmo enquanto seguimos a história, vemos que o filme está cansado. Até o Diego aparece falando que ter um filho é lindo! Antigamente, o lado sentimental surgia no meio do lado cômico. Agora parece que o cômico procura espaço em meio a muita conversa sentimental sobre família. Até Scrat, o famosíssimo esquilinho, encontra um par e se vê deixando a noz de lado.
Acho que é aí que a Pixar fala mais alto que as outras. Pelo menos até agora. O único filme com sequência até então é Toy Story, que parece que vai ganhar um terceiro filme. Se não me engano, Monstros SA também ganhará sequência. Esperemos que eles não entrem nessa de esgotar histórias com filmes mais ou menos.
A dublagem do filme, para finalizar, também não está com a mesma qualidade do primeiro. A dubladora da Ellie raramente soa bem, como se realmente estivesse no filme. Algumas de suas frases te impedem de acreditar que houve algum esforço para que você acreditasse que aquilo é real.

Um filme engraçado, mesmo com piadas batidas (como o Sid tentando dormir em cima da pedra), algumas que passam sem agradar realmente, mas que acerta em muitas outras e garantem uma diversão válida.

Kung Fu Panda

domingo, 20 de julho de 2008
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Po é um panda gordo e sedentário, filho de um ganso (ou pato?) que tem uma loja de macarrão. Apesar de seu pai achar que ele nasceu para seguir em frente com o negócio, o panda sonha com os Cinco Furiosos, um grupo de lutadores de Kung Fu que vivem em cima da montanha do Vale da Paz. Durante a escolha do novo Dragão Guerreiro, Po acaba sendo escolhido por acidente. Assim, quando o vilão Tai Lung foge de sua prisão, o treinamento de Po torna-se essencial para que eles consigam derrotar aquele que bota medo em todos.

Alguns pontos desse filme são realmente muito bem pensados. Os Cinco Furiosos, por exemplo, são animais que representam alguns dos catás de Kung Fu. O catá é uma seqüência de movimentos, que imita tanto o Tigre como a Garça, o Louva Deus, a Cobra e o Macaco.
Apesar da Dreamworks estar apostando muito nesse filme, na maior parte do tempo ele só é um bom filme, mas nada sensacional. O panda é engraçado como deveria ser e a história tem seu lado emocional e moral, o que é bom para as crianças e para os adultos. Um dos prováveis motivos para não estar ganhando muito espaço é que, segundo nossos amigos do Cinefilando, Kung Fu Panda perde para WALL-E tanto na criatividade quanto na maneira de se fazer animações.
Assisti ao filme na versão dublada, então não posso falar das vozes originais, gravadas por artistas domo Angelina Jolie, Jack Black e Dustin Hoffman. As dublagens nacionais cumprem o papel delas, e eu até prefiro algumas animações em português. Mas de repente esse aqui ficaria melhor no som original.

WALL-E

segunda-feira, 14 de julho de 2008
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Hoje começo pedindo desculpas pelo tempo sem comentar filmes. Como alguns já sabem, Ricardo teve uma filha recentemente e, como ninguém sabe, meu irmão se casou nesse último sábado, dia 12 de julho. Então está tudo uma bagunça. Mas surpresas estão sendo preparadas ainda para esse mês, se Deus quiser. Aguardem!

O filme aqui comentado é Wall-E, uma tentativa da Pixar de fazer o melhor filme do mundo. Talvez exagero meu ai atrás, mas que o filme chega perto disso, chega.


WALL-E conta a história de um robozinho (que dá nome ao filme) construído para ajudar a organizar e reciclar o lixo no mundo, assim como muitos outros robôs. A verdade é que a situação ficou tão precária, que os seres humanos saíram em férias pelo espaço sideral, em uma nave super organizada e mecanizada e deixaram a terra para trás. A idéia era ficar viajando por 5 anos… mas passaram 700.

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WALL-E significa “Waste Allocation Load Lifter-Earth-class”, uma coisa que eu não sei traduzir muito bem (fiquem a vontade para comentar sobre isso). E ele é o robô perfeito. Ele praticamente não fala. Ele consegue pronunciar cerca de 3 palavras o filme todo. E por mais mudo, sujo e velho que ele seja, ele é lindo! Ele anda sempre junto com uma baratinha, sua grande amiga, que é um exemplo das brincadeiras que sempre fazemos. Como baratas são resistentes à radiação, sabemos que se um dia os humanos morrerem com bombas atômicas, por exemplo, apenas as baratas sobreviverão. E no filme nós temos uma barata comicamente imortal. Mesmo quando é atropelada pelas rodinhas de WALL-E.

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É até difícil explicar como que eles conseguiram isso, mas a personalidade dele é tão profunda e bela, que qualquer humano fica pra trás. Seus olhos e seus movimentos permitem entender o que se passa na “cabecinha” dele maravilhosamente bem, o que é um dos destaques do filme.
Um dia chega na terra uma sonda que verifica se há a possibilidade de existir vida novamente na terra. Afinal, é tudo lixo. A sonda se chama EVE (que significa “Extraterrestial Vegetation Evaluator”, ou Avaliador de Vegetação Extraterrestre). E ela é tão bonitinha e nervosa. Atira em tudo o que se mexe, graças a um instinto de proteção. Mesmo assim, WALL-E se apaixona por ela e, quando ela encontra uma pequena planta e é desativada para esperar a nave que a levará de volta aos humanos, WALL-E continua ao lado dela e parte para uma aventura no espaço para salvar sua amada.

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A idéia de um robozinho apaixonado pode ser estranha apenas lendo uma resenha, mas o filme explica muito bem. WALL-E tem alguns prazeres humanos graças ao fato de adorar colecionar antigos objetos de humanos, como o cubo mágico, um Atari e uma fita de video (o musical “Hello Dolly!”, que tem grande importância na história).
O filme é dirigido e escrito por Andrew Stanton, o cara responsável pelos roteiros de Monstros S.A., Procurando Nemo, Toy Story e Vida de Inseto. Seu trabalho aqui assumiu novos patamares. Como disse nosso amigo Vinícius: “o filme ultrapassa os limites da animação”.
Vemos em alguns momentos também as influências da Apple no filme e de outros filmes clássicos de décadas passadas. O blog Brainstorm #9 mostra um WALL-E que emite sons do Mac. A Eve foi desenhada pelo mesmo designer que fez o visual do iPod. Auto, o robô da Axiom (a nave espacial dos humanos), tem a mesma voz do Macintalk. Além disso, WALL-E tem um velho iPod entre seus objetos.
O filme demonstra bem sua crítica a uma sociedade que evita o contato direto, como nos vemos começar hoje. Enquanto humanos ficam na frente dos computadores, felizes, conversando pelo microfone mesmo com pessoas que estão na sala ao lado, WALL-E, sem falar, vive muito mais que nós.

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A crítica ao estilo de vida não é mal colocada ou mal pensada. O filme demonstra nós mesmos, que seguimos uma linha geral. Mas isso não quer dizer, como disse Jacques, “que somos de todo mal”, mas sim que estamos mal influenciados pela direção que o mundo está tomando nesse momento.
Um filme pra lá de perfeito, que chega ao cúmulo de alcançar o título de um dos melhores filmes das últimas 2 décadas. WALL-E fala tão profundamente no coração tanto das crianças como dos adultos. É o tipo de filme que merece aplausos quando acaba, sem nenhum medo de ser cafona.

Os Doze Trabalhos de Asterix

segunda-feira, 21 de abril de 2008
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A maioria de nós se divertiu com essas histórias em quadrinhos francesas que mistura uma boa dose de ficção, com muito humor e um caráter histórico muito interessante. Mas surgiu uma idéia fantástica de se transformar a HQ em desenho e é exatamente sobre uma dessas animações que eu vou falar aqui. Escrita pelos criadores René Goscinny e Albert Uderzo e dirigida por Henri Gruel e pelo próprio Goscinny Os Doze Trabalhos de Asterix se passa na epóca da Roma antiga, quando o Império Romano liderado por Júlio César havia dominado quase que a totalidade do território europeu, exceto por uma pequena vila gaulesa, localizada onde hoje se encontra a França

Devido à uma poção mágica (que muitos atribuem ao patriotismo francês) esses simpáticos guerreiros não são derrotados por nenhuma investida romana, e isso deixa César revoltado. Em mais um dos ataques frustrados surge a idéia de que os gauleses só poderiam ser tão invencíveis se fossem deuses, então, em reunião de conselho (em uma cena bastante hilária, pois aparece Brutus (assassino de César) brincando com uma faca, e o Imperador fala para ele “Cuidado com essa faca, Brutus, você pode machucar alguém.”) Julio César decide por oferecer aos gauleses um desafio, cumprir 12 tarefas, assim como Hércules havia cumprido, e se passassem das 12 sem falhar em nenhuma seriam considerados deuses e o chefe da aldeira seria à partir daquele momento o Imperador de Roma. Os gauleses muito orgulhosos aceitam o desafio e mandam seu guerreiro mais inteligente e o mais forte para cumprí-lo, Asterix e Obelix respectivamente. A história começa daí, e não há muito mais do que falar. O desenho é inconfundível, tem um humor por vezes muito sutil e por vezes bem escrachado. Um pequeno conhecimento de história te dará uma possibilidade maior de risadas. Um desenho que marcou minha infância, e que é sempre uma aventura nova revê-lo. Destaque para um trabalho específico que é escapar do lugar que deixa as pessoas loucas, que não é nada mais que uma repartição pública (Uderzo e Goscinny adoram fazer críticas ao mundo moderno em suas histórias). E você que já viu o filme, comente também.

Horton e o Mundo dos Quem!

domingo, 16 de março de 2008
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Pegue um elefante, uma flor, um grão de poeira, uma cidade minúscula que existe nesse grão e misture tudo. O que resulta? Não resulta em nada se não existir um bom roteiro e boas tiradas para unir elementos, a primeira vista, tão diferentes.

E acredite, Horton e o mundo dos Quem! tem isso! Seja com animaizinhos fofinhos, trapalhadas do protagonista ou piadinhas na hora certa, o filme diverte o espectador do início ao fim, sempre ligando uma cena a outra e trazendo boas risadas quando você acha que a coisa está começando a esfriar.
Ah, você já é bem grandinho para ir ao cinema ver um filme de animação? Sem problemas, puxe aquele seu sobrinho pelo braço, leve-o ao cinema e pronto, você já tem a desculpa perfeita para conferir mais um bom filme.


Agradecimento: Zon.