Arquivo da Categoria ‘Biografia’

Inimigos Públicos

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Inimigos PúblicosBem, não costumo fazer isso mas vou dedicar esse post a um amigo. Esse vai para o Gabriel Riva, ex- economista e futuro advogado, que não gostou de uma obra de arte como essa, rs. Agora é sério, esse é um filme como poucos. Um filme que conta uma história real, interessante, deveras violenta e o faz com uma sutileza e beleza difícil de imaginar. Um filme que se sustenta pela sua trilha sonora linda, pela fotografia e ambientação maravilhosas, pela direação firme de Michael Mann e principalmente por dois pilares de atuação, Johnny Depp e Christian Bale – além da ótima Marion Cotillard.

Pois então, acabei comentando minhas impressões sobre o filme antes de falar sobre ele própriamente dito, parece que estou fugindo do meu padrão hoje. É uma cinebiografia de um dos maiores bandidos da história dos EUA, John Dillinger (Johnny Depp) que juntamente com seu bando foi responsável por inúmeros roubos a bancos em várias partes do país, além de comandar e participar de fugas sensacionais de cadeia. Paralelamente a sua história conhecemos Melvin Purvis (Christian Bale), inspetor do Bureau of Investigation (aparentemente ainda não Federal) que é responsável para capturar Dillinger que ficou conhecido como o Inimigo Público Nº 1. Juntamente com essa caça vamos vendo a necessidade que se encontra de uma polícia federal (o futuro FBI 0 Federal Bureau of Investigation) e os jogos de bastidores responsáveis por essa mudança na história da segurança pública norte-americana.

A história, por si só, já é interessantíssima. Claro que não foge muito do comum, até porque é uma história da década de 40 baseada em fatos reais, e que já foi utilizada por muita gente para se criar ficções das mais variadas. Só que o filme vai além da história de gato e rato e mostra as relações humanas dessas pessoas, o amor de Dillinger pela jovem Billie (Marion Cotillard) e as consequencias desse amor. Vou ficando por aqui, recomendando a todos que vejam o filme mas não procurem apenas ação (apesar de ter cenas de ação FANTÁSTICAS, os efeitos sonoros e visuais são realmente de tirar o chapéu) e tentem encontrar beleza nas coisas mais comuns – essa é para você, Gabriel, rs. O destaque vai, com certeza, para a ambientação do filme, que além de te inserir numa época mostra o glamour de uma vida que passou e não volta mais.

O Escafandro e a Borboleta

segunda-feira, 5 de outubro de 2009
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o escafandro e a borboletaPor algum tempo eu me contive na hora de alugar esse filme e assistir. Foi por alguma bobeira, com certeza. Eu não sabia nada sobre ele. Provavelmente alguma coisa com o título, porque a capa dele é bonita. Não sabia que era um filme francês (olha que o roteiro original era em inglês, foi adaptado para trazer mais coerência à história real), não sabia o que era um escafandro, nada. Mas então fui alugar uns filmes para assistir com meu pai e ele acabou pegando esse e, admito, é um filme simplesmente sensacional.
Quem ouviu nosso Podcast, lembra que o filme fala sobre a história real de Jean-Dominique (Mathieu Amalric, que na verdade ocupou a vaga deixada por ninguém menos que Johnny Depp, que abandonou o projeto para filmar o último Piratas do Caribe), editor da revista Elle que um dia tem um derrame que o deixa completamente paralisado, exceto pelo olho esquerdo, que se torna seu único meio de se comunicar com o mundo. E então, somos levado a uma jornada maravilhosa.

Agora, meu Deus, como que alguém pode ficar preso dentro de si mesmo (olha aí a metáfora do escafandro) e ter apenas um olho como comunicação com o exterior? Isso nos leva a algumas das outras personagens fixas do filme. Uma fisioterapeuta (Marie Lopez, interpretada por Olatz López Garmendia), que o ajuda a tentar trabalhar o resto do corpo e a ortofonista HenrietteRoi (Marie-Josée Croze) que o ensina a se comunicar com seu único olho.

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o escafandro e a borboletaEu diria que os principais pontos fortes do filme são o fato dele se basear no livro escrito pelo próprio Jean-Do (como ele era chamado) depois do derrame, e o fato do filme trabalhar essa fase nos colocando na posição da personagem. A maior parte do filme se passa enquanto nós acompanhamos a vida de Jean-Do a partir de seu único olho. E isso é fantástico. Podemos vê-lo piscar, olhar para um lado, para o outro e, o melhor de tudo, ouvir seus pensamentos. No começo eu achei que isso poderia ser um pouco chato. Afinal, você depender do olho do cara para ver o filme é algo que soa meio parado. Mas é tudo perfeito. Vez ou outra, enquanto Jean-Do se lembra de momentos passados, nós somos permitidos a olhar o mundo de fora. Mas quando voltamos à realidade, ao escafandro, estamos de volta presos ao personagem – exceto em poucos momentos de reflexão mútua de Jean-Do com outras personagens, como sua ex-mulher Céline (Emmanuelle Seigner, dona desse lindo rosto visível na capa do filme) . Isso faz de O Escafandro e a Borboleta um filme único.
O filme se inicia com ele recém-chegado ao hospital, ainda sem se lembrar o que aconteceu e como. Suas lembranças do passado – os momentos de liberdade – vão surgindo aos poucos no filme progressivamente. Sua situação real, as dificuldades de sobrevivência, a fragilidade, também se desenvolvem, acompanhando o andamento de suas lembranças em direção a um final monumental.

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o escafandro e a borboletaVoltando algumas frases, gostaria de comentar o fato dele ter escrito um livro enquanto vivia em seu escafandro. Henriette o ensina uma maneira de se comunicar. Ela tem uma placa com as letras do alfabeto na ordem em que são mais usadas. Ela fala uma por uma e ele tem que piscar na letra que quer usar. E é assim que, letra por letra, piscada por piscada, ele escreve o livro no qual o filme se baseia.
Sério. Desculpe enfocar tanto isso, mas eu queria deixar claro de que todas as pessoas do mundo deveriam assistir a esse filme. A profundidade dele é tanta que mesmo agora, dias após ter assistido, ele não perdeu sua força e, na verdade, parece ainda melhor agoraque me vejo passando adiante o que assisti.
Acho que, tratando-se de um filme que assistimos a partir da perspectiva de visão de um personagem, ele consegui ultrapassar o limite do visual e cada cenaé simplesmente profunda demais. E é até por isso que acabei usando também várias imagens para compor essa resenha.

Caminhando para o fim, vale dizer que o filme é dirigido por Julian Schnabel, um diretor que eu não conhecia, mas que pelo visto tem muito talento para queimar pela frente, e teve seu roteiro adaptado por ninguém menos (já usei essa expressão, eu sei) que Ronald Harwood, responsável por obras como O Pianista, Oliver Twist, o controverso O Amor nos Tempos de Cólera e o recente Australia. O trabalho que ambos tiveram de recriar os sentimentos de Jean-Do em tela é memorável e compõe com certeza um dos melhores filmes de 2007 (no Brasil, aparentemente foi oficialmente lançado em 2008). Para tanto, conseguiram filmar no mesmo hospital em que Jean-Do ficou internado, conhecendo pessoas que conviveram com ele e aproveitando os locais reais em que muitos dos acontecimentos literalmente ocorreram. Não é à toa que ganhou o BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção em Cannes e no Globo de Ouro, onde também ganhou como Melhor Filme em Língua Estrangeira além de diversos outros, totalizando 40 prêmios em todo o mundo e dezenas de outras indicações.

Se às vezes não sabemos como identificar uma obra prima, sinceramente, é só assistir O Escafandro e a Borboleta.

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o escafandro e a borboleta
Mas posso estar exagerando. O que vocês acham?

Che: Part One

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Che- Qual a qualidade mais importante que um revolucionário deve ter?
- Amor.

A algum tempo atrás surgiram os boatos de que um filme estava para ser lançado. Era um filme sobre Che Guevara. O melhor: seria dividido em duas partes, e contaria com atores “globais”, falado em espanhol, produzido por Benicio Del Toro (que interpreta o prórpio Ernesto) e dirigido por Steven Soderbergh (de filmes famosos como Traffic e a trilogia que surgiu a partir de Onze Homens e Um Segredo, , ). Era para ser um bom filme, não era?

Então, começaram a aparecer os filmes no cinema. Demorou. Em Cannes, festival 2008, Del Toro ganhou prêmio de melhor ator. Em 2009, chegam aos cinemas brasileiros. Admito que o Nespoli falaria desse filme muito melhor que eu. Mas eu é que acabei assistindo, então vamos lá.
O filme, se passa sempre em dois momentos. A viagem de Che aos Estados Unidos, onde falou na assembléia da ONU, e a chegada e tomada da ilha de Cuba. E é muito interessante como o filme mescla as falas “futuras” de Che com suas ações na tomada do poder.
Durante suas duas horas de duração nós vemos uma fantástica interpretação de Del Toro. Primeiro que ele parece muito mais jovem, ponto para a maquiagem. Segundo que, comparado com as fotos reais de Che, ele ficou realmente parecido. Temo nunca ter ouvido Che falar, mas ouso dizer que Del Toro até soava como ele. E foi muito bom o filme ser falado em espanhol. Ponto para Mel Gibson?
O importante é que somos colocados diante de uma narrativa muito interessante. Acho que essa é a grande oportunidade de norte-americanos e outros desconhecedores do lado ideológico e humanista de Che Guevara poderem, finalmente, entender um pouco desse personagem famoso da história da América Latina.
Porém, no filme, vemos principalmente o lado heróico de Che. Cercado de personagens importantes como Raul Castro (nosso brasileiro Rodrigo Santoro), Fidel (Demián Bichir), Del Toro nos traz um guerrilheiro, imponente, decidido e que luta pelo bem da humanidade. O lado violento da revolução, de assassinatos e mortes, é deixado principalmente para falas futuras, quando entrevistado por repórteres americanos e discursando.
Fora isso, e voltando para o lado técnico, o filme é de imagens extremamente límpidas e nítidas. Qualidade visual de primeira.  É interessante o fato do momento futuro ser passado em preto e branco e o passado colorido. Uma inversão para destacar o foco do filme, muito bem feita. As cenas nas florestas e nas plantações que cobrem o território cubano são muito bem feitas. O trabalho de reconstruir os acampamentos também é impressionante e é legal entender como funcionava a divisão das diferentes frentes da guerrilha e perceber as dificuldades que isso trazia.
Acho que os pontos mais interessantes do filme são os que mostram o lado mais pessoal de nosso personagem. O momento em que ele pede um pouco de pó no rosto antes de entrar no ar, a maneira em que ele se sentia menos cubano que os cubanos em si (afinal, o subtítulo do filme é O Argentino, como ele também é chamado algumas vezes durante o filme) e quando ele machuca o braço e tem que tomar uma cidade engessado quase até o ombro. Se isso tivesse sido deixado de lado, eu nunca saberia que ele fraturou o braço.

Por fim, diria que é um belo filme para quem se interessa pelo personagem e que quer conhecer mais de sua personalidade e da história da revolução cubana. A primeira parte vai desde a invasão da ilha até a fuga de Batísta e a tomada do poder pela revolução. São duas horas de um roteiro inteligente e calculado, não muito apelativo e sem os exageiros clássicos do cinema. Agora, é esperar a resenhda da Parte Dois!