Arquivo da Categoria ‘Ficção Científica’

Avatar

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

AvatarVou começar de forma bem enfática pois o filme merece. Sabe tudo o que você ouviu esse tempo todo sobre Avatar? Todo o alarde sobre sua técnica e beleza? Pois é… É tudo a mais pura verdade. James Cameron acertou em cheio e essa corre o risco de ser a obra-prima da sua vida (estou radicalizando aqui, já que ele é o diretor de Titanic). Ainda estou extasiado com a linda história de amor e o recado humanitário e ecológico que o filme traz (mas calma, essa segunda parte não é tão profunda assim, ainda estamos falando de um filme comercial de Hollywood, rs).

Pois então, falar desse filme deve soar um pouco repetitivo já que provavelmente todos aqui já ouviram falar e/ou já viram o filme que estreiou mundialmente nesse final de semana. Ele se passa num futuro distante quando o planeta Terra está explorando um novo planeta chamado Pandora, em busca de um mineral absurdamente valioso. Nesse planeta temos uma raça nativa, os Na’vi, que vivem em extrema comunhão com o planeta e, claro, oferecem resistência contra essa invasão. A história é centrada em Jake Sully - ou Jakesully para os Na’vi – (Sam Worthington) , um soldado portador de deficiência física cujo irmão gêmeo era um cientista que ia participar de um experiemento mas antes de conseguir foi assassinado em um assalto.

O experiemento consistia numa transferência virtual de consciência e pensamento para criaturas Na’vi “fabricadas” à partir de DNA Na’vi e DNA da pessoa que seria transferida (por isso o irmão gêmeo foi convocado), essas criaturas foram chamadas de Avatares. Não sei se entenderam direito, mas as pessoas entram em um lugarzinho e controlam com a mente essas criaturas para poderem ter acesso a segredos e a cultura da raça facilitando assim a invasão.

A história é essa, e não precisa de mais nada. Não que a história seja ruim mas se torna secundária pela beleza estética fora do comum. Um filme como esse pode até ser visto (e to falando isso pois tive de ver assim por causa de disponibilidade do cinema) dublado que você nem percebe que não está vendo com a lingua original de tão extasiado que você fica com as belezas do filme. Nem vou me aprofundar aqui nas atuações mas temos uma ótima Sigourney Weaver como Dra. Grace, a criadora do experimento, um Sam Worthington realmente bom – além de ser interessantíssimo como afirmação um portador de deficiência como protagonista – além de Stephen Lang que faz o Coronel Quaritch, comandante militar da operação que ganha muito destaque no filme e consegue segurar a barra, apesar de , por vezes, levemente clichê na atuação.

Eu sugiro agora que você pare de ler imediatamente e corra para o cinema mais próximo para ver essa obra-prima do cinema-tecnologia. Não deixe para ver quando chegar nas locadoras e nem ouse a baixar no computador. É um filme que DEVE ser visto no cinema e provavelmente será aplaudido no final. Eu nem vou dar destaque pois pelo tanto que repeti a palavra “beleza” e “extasiado” vocês já devem ter entendido. Parabéns James Cameron!!!

PS: Revi o filme no dia 05/01, fui ver legendado e em 3D, tenho alguns complementos a fazer. Primeiro, esqueçam o que disse sobre Stephen Lang, ele não está mal, quem estava mal era o dublador dele. Por último, a tecnologia 3D deixa o filme mais estupendo e deixa Pandora mais linda, tente ver em 3D.

Distrito 9

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

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Distrito 9Então, só pra começar, não são camarões, são grilos!

Diz a lenda que Peter Jackson ia trabalhar junto com Neill Blomkamp no filme Halo. Como o projeto foi cancelado, ele disse para Neill “Então… temos 30 milhões de dólares para fazer um filme. Boto fé em você, garoto. Vai lá!”. E foi assim que o diretor colocou em prática a adaptação da história de seu curta-metragem Alive in Joburg e preparou o que na minha opinião é um dos melhores filmes de 2009: Distrito 9.

O filme conta a história de Wikus Van de Merwe (o estreante Sharlto Copley), que trabalha para MNU (Multi-Nacional United), uma instituição criada para cuidar de assuntos alienígenas. A questão aqui é que um certo dia, do nada, uma nave extra-terrestre parou sobre Joanesburgo, na África do Sul. Depois de algum tempo lá parada, os humanos conseguiram entrar e descobriram os ETs morrendo de fome. Prepararam então um espaço para que eles pudessem viver na terra, o Distrito 9, que se tornou um lugar muito sujo e violento, motivo para a MNU querer tirá-los de lá e colocá-los no Distrito 10, semelhante a um campo de concentração, onde eles viveriam “melhor”. E foi nessa tentativa que Wikus foi infectado por um vírus que começou a transformá-lo em ET e ele terá de lutar para se manter vivo, voltar ao normal e salvar os ETs. Ao mesmo tempo.

O Peter Jackson (ou PJ, para os amigos) é um cara que eu sempre vou respeitar por ele ter levado O Senhor dos Anéis para o cinema. Mesmo as heresias do filme não são o suficiente para superar a felicidade dos fãs de Tolkien em ver seu livro predileto tornando-se real. Além disso, ele conseguiu fazer com que O Retorno do Rei empatasse com Titanic no recorde de oscars recebidos: são 11! Fora isso, ele recebeu muito mais prêmios do que Titanic.
Mas de volta ao filme em questão, apostar em Neill foi uma das melhores coisas que PJ fez na vida dele. O roteiro desenvolvido para o filme é muito bom, a direção é fora do comum e a produção completa uma boa linha de trabalho. Enfim, vamos aos elementos em si.

Começando pelo roteiro, muitas pessoas enxergaram aqui uma semelhança com o apartheid. Apesar do próprio diretor negar ter tentado mostrar ali na telona uma visão disso, as semelhanças estão realmente presentes. Ao invés de negros sendo excluídos da sociedade, são os Prawns (que na legenda apareceu como camarão, mas que na verdade está relacionado ao um tipo de grilo da região!) que vivem isolados e mal vistos pela população. Os poucos interesses que se tem sobre eles é na área de tecnologia. Suas armas, mais desenvolvidas que as nossas, só podem ser usadas por eles, por alguma questão genética.
Mas eles não vivem sozinhos no Distrito 9, alguns nigerianos se juntaram a eles e formaram uma máfia lá dentro, trocando essas armas (inutilmente, pois eles não conseguem usar) por comida de gato (os Prawns adoram). Esses nigerianos começam a desenvolver um tipo de cultura de se aproximar ao máximo dos Prawns para tentar usar suas armas e, assim, acabam fazendo rituais onde comem partes de ETs para tentar absorver seus elementos.
Quando Wikus (que passa por momentos diferentes de estranheza durante o filme) é infectado e começa a ser perseguido pelos humanos, nós começamos a ver o lado alienígena da coisa. Eles não estão aqui por querer, não desejaram nada disso, e se vêem levados à miséria pela falta de coração dos humanos. É por isso que um deles está tentando reativar a nave e, nela, poderia salvar Wikus de sua maldição. Vemos então a união das raças por um “bem comum”.
Quanto à direção, o que tenho para falar é que comandar um roteiro como esse é para pessoas especiais. Quem assistiu ao curta-metragem (que estará no final dessa resenha! Assistam!) lembra que ele se passa todo em formato de documentário. No filme Neill volta a utilizar o formato, mas dessa vez intercala de uma maneira muito bem feita com cenas “normais” de filme. Ele acerta também ao utilizar bastante câmeras de mão,o que dá uma movimentação especial ao filme e uma dinâmica quase única. Como se não bastasse esse trabalho de diferenciação de cenas, ele ainda encontrou espaço para utilizar, em diversos pequenos momentos do filme, algumas cenas em formato de “câmera de segurança”, dessas que ficam na parede virando de um lado para o outro e acabam pegando um ladrão (ou, no caso, um ET) fugindo pelo estacionamento.
Mesmo com toda essa diferenciação e dinâmica de câmeras, o diretor não se perdeu e conseguiu fazer desse filme um filme muito diferente do padrão norte-americano. Até porque Neill é sul-africano! E Peter Jackson é neozelandês! Lembro de ler em uma entrevista com PJ em que ele fala que não entendeu muitas coisas que Neill quis fazer, mas que o filme era dele e só ele entendia a África do Sul então, fechou os olhos e seguiu o diretor.
E é nessa de só ele entender a África do Sul que nós temos o privilégio de ouvir o sotaque sul-africano, suas gírias e palavras únicas no meio do filme. O ambiente é diferente. E isso se dá também porque diversos atores do filme são sul-africanos. O maior exemplo aqui é o ator que faz Wikus, Sharlto Copley, que nunca tinha pensado em ser ator até participar do curta-metragem em um papel pequeno. Quando partiu para o longa, Neill resolveu dar a ele a oportunidade de atuar no papel principal e ele não deixou a desejar. A atuação desse homem é muito boa. Disse ali em cima que ele passa por momentos diferentes de estranheza porque seu personagem, inicialmente, é uma daquelas pessoas que fazem seu trabalho mas que não compreendem exatamente o que está fazendo. Ele tem um ar sonso, de manipulado. E com o passar do filme, vemo-lo se transformando, inicialmente em algo nojeto (e a passagem de humano para ET é bem nojenta) e, depois, em um cara capaz de qualquer coisa, com um olhar assassino na cara.
Para concluir, queria dizer que os efeitos especiais desse filme me deixaram de boca aberta. O que me parece é que os Prawns foram feitos da mesma maneira que os Transformers. Não sei como funciona a técnica utilizada em Transformers, mas ela é capaz de fazer um robô gigante de metal parecer tão real quando a cutícula do lado da unha no dedo do Shia LaBeouf. Quase da mesma maneira, os Prawns são simplesmente reais. É como se eles realmente estivessem ali. Achei muito bem feito. MESMO. E pensar que o ator principal, Sharlto Copley, fez sua estréia num curta-metragem de baixíssimo orçamento, imaginá-lo com uma atuação tão boa, mesmo trabalhando com personagens que não estão ali no set contracenando com ele, é de se bater palmas.

Um filme que me valeu cada centavo, realmente. Não deixem de assisti-lo, nem de acompanhar abaixo o curta-metragem Alive in Joburg, disponível no Youtube.

9 – A Salvação

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

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9 - A SalvaçãoVocê me lembra ele. Ele se esquecia de lembrar de sentir medo.

9 foi uma surpresa, com certeza. Um filme apoiado (produzido e apresentado) por Tim Burton só poderia ser interessante. E realmente foi. Shane Acker, após disputar o Oscar de melhor curta-metragem em 2005 com 9, deu continuação ao seu trabalho e, 4 anos depois, apresenta esse longa metragem com um visual fantástico, de tirar o fôlego, realmente, e com uma história sombria, porém cheia de esperança. O impressionante é que o curta de 2005 foi o Trabalho de Conclusão de Curso de Acker, estudante de Animação. Todo esse reconhecimento lhe garantiu o apadrinhamento, como diz o Omelete, por parte de um dos caras mais fantásticos de Hollywood, o já citado Tim Burton.
9 (dublado originalmente por Elijah Wood) é um dos pequenos robôs feitos por um cientista (Alan Oppenheimer, que dubla o Falkor, de História Sem Fim!) em uma época em que a humanidade está sendo destruída pelas máquinas. 9 acorda quando não há mais humanos e recebe a missão intrínseca de trazer uma esperaça para o mundo. O que ele não sabe são os problemas que ele enfrentará junto com os outros pequenos robôs até chegar lá.

Minha namorada, em uma das primeiras cenas, quando 9 se assusta com alguma coisa, logo disse “como ele pode se assustar?”. Afinal, ele é um robô. Tudo nesse filme vai além de robozinhos que andam, falam e pensam. Ficaria chato se eu falasse aqui sobre o que é explicado bem perto do final do filme, então o que eu digo é: a explicação é ótima e simplesmente responde diversas perguntas que poderiam surgir durante a exibição do filme. Mas acho que posso dizer aqui que os nove personagens se completam de alguma maneira. Cada um tem o seu papel.
O universo de 9 é algo, sinceramente, genial. Quando você acompanha os bonequinhos pelo mundo destruído, é impossível deixar de notar toda a qualidade visual presente nesse mundo criado por Acker. Ele se destaca exatamente como um diretor que dá uma ênfase na parte visual e é isso que vemos por aqui. Os cenários são belamente construídos, recheados de detalhes daqueles que muitas vezes passam direto mas que são necessários para tornar tudo real.
E quanto aos nove “sobreviventes”, é impressionante também como cada um tema sua qualidade, o seu jeito de ser e como isso se encaixa na idéia central do filme, que é segurar nas pontas da esperança e fazer o que está ao seu alcance para cumprir seus objetivos. Acho que o que me tocou mais nesse filme foi esse destaque sentimental, emocional. É algo muito presente atualmente em filmes de fantasia como O Senhor dos Anéis, Nárnia e até o já citado História Sem Fim, que apresentam fortemente valores e virtudes que eu considero essenciais. Os dois primeiros têm valores cristãos, sendo descarado em Nárnia e dissolvido no Senhor dos Anéis em algo mais abrangente como o “Bem”, como contrário ao “Mal”. Já em História Sem Fim, eu diria que são valores humanos, sem um enfoque mais enfático.
Como todas essas histórias me são importantes (sério… Eu sei que nem todos tem a paciência para ler O Senhor dos Anéis, mas não deixem de ler, nunca, História Sem Fim. Você acha em sebos por preços muito baixos).
Deixando o devaneio de lado, concluo que 9 e um filme visualmente fantástico, com personagens muitíssimo bem trabalhados e uma história muito profunda por trás de tudo.
Acho que o que faltou aqui foi envolver mais essa profundidade, relacionada diretamente ao Cientista, durante todo o filme, tornando o filme mais Fantástico (de fantasia mesmo) do que ele é, o que eu acho que seria o melhor caminho a seguir.

G.I. Joe: A Origem de Cobra

domingo, 23 de agosto de 2009
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Rubens BarrichelloQuero começar esse post, devido a um grande vício meu, com uma homenagem ao grande Rubens Barrichello, que chegou hoje, em Valência, à sua 10ª vitória na F1 e também à 100ª vitória brasileira no maior esporte automobilístico do mundo. Foi lindo assistir integrantes de todas as equipes recebendo nosso garoto com palmas e boas vibrações. Parabéns, Rubinho! Continue assim que a gente chega lá de novo!

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G.I. Joe: A Origem de Cobra

“Em um futuro não muito distante”, uma arma de guerra, equipada com nanorobôs capazes de destruir tudo, é construída por uma grande empresa. Enquanto ela está sendo transportada, começam as tentativas de roubar a arma. Essas tentativas são frustradas pela ação da equipe de elite internacional chamada G.I.Joe, que encontra então um grande inimigo.

Quando eu era menor, eu assistia Comandos em Ação (o nome nacional de G.I.Joe) e tinha também alguns bonecos, como muitos meninos de minha idade. Apesar de lembrar muito pouco da história em si, lembro do vilão Cobra e lembro que tudo era muito legal.
Ao ir ao cinema assistir ao filme, reparei que eles deram alguma ênfase nos personagens clássicos e, claro, incrementaram a história com aquelas coisas que só roteiristas de filmes baseados em desenhos antigos podem fazer.
Apesar disso, para quem não assistia ao desenho ou para quem lembra pouco, como eu, o filme pode passar muito bem como mais um filme de ação. E se formos encaixá-lo nessa área mesmo, percebemos que é um filme de ação bem legal até.
O que merece o destaque aqui é que o filme é ação do início ao fim. Uma história com reviravoltas entre quem está se dando bem e quem não está, muita correria para um lado e para outro e as lutas entre os irmãos ninjas – um de roupa negra, do lado dos Joes e um de roupa branca, do lado cruel – Snake Eyes e Storm Shadow (Ray Park e Byung-hun Lee, respectivamente) fazem desse filme uma boa distração no decorrer dos minutos.
De uma maneira geral, a direção faz sua parte, sendo responsável Stephen Sommers, de filmes como Van Helsing e a série A Múmia. Para o roteiro, foi chamado Stuart Beattie, de Australia e participações nos filmes de Piratas do Caribe.
Entre os atores, os que se destacam não são nem os principais. Christopher Eccleston aparece como McCullen/Destro, o “vilão” do filme. Além dele, Dennis Quaid aparece como General Hawk (detalhe que Hawk significa Águia, o símbolo dos EUA e da liberdade, etc.) e agradou tanto que gravou cenas a mais, e Brendan Fraser que não aparece nos créditos mas que é perfeitamente visto e ouvido no filme.

De uma maneira, filmes de ação não costumam ser muito profundos. G.I.Joe se destaca por causa da atenção que é dada para a estruturação das histórias dos personagens nessa nova vertente da história. Enfim, um filme que mantém sua atenção presa com toda a ação, personagens e histórias.

Exterminador do Futuro: A Salvação

sábado, 25 de julho de 2009
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Exterminador do Futuro: a SalvaçãoChegamos então à quarta parte da (penso eu) pentologia (é assim mesmo?) de Exterminador do Futuro. A resenha vai a pedido do Carlos Uliana, que maravilhosamente é pai do Caio, um de nossos leitores e amigos. É recompensante saber que nosso site está ultrapassando esferas de público e alcançando pessoas que, realmente, não imaginávamos. Obrigado!

Iniciando, Exterminador do Futuro 4 mostra um John Connor (Christian Bale, um dos caras que mais cresceu no cinema nos últimos anos) crescido em uma guerra há tempo iniciada. Se me lembro bem, o terceiro filme da série acabou com John assumindo seu posto na defesa contra Skynet, que acabava de iniciar seus golpes contra a humanidade. Tivemos então um salto muito oportuno, porque assistir mais um filme de John e sua mãe fugindo de um robô louco assassino seria demais.
Os humanos estão perdendo a guerra. Skynet está inventando novas maneiras de derrotá-los. Uma delas é capturar humanos e transformá-los em híbridos, controlados robóticamente. É assim que surge na vida de John um Marcus Wright (Sam Worthington), que acha que é humano, dividindo assim os pensamentos de toda a equipe de Connor. Seria ele um aliado ou inimigo?
Para mim, a chave principal do filme foi o salto temporal. Todo mundo sabia que a guerra ia acontecer. Nada melhor do que mostrá-la e em um ponto crucial. Ao mesmo tempo que as máquinas arrumam um jeito de se infiltrar entre os humanos, os humanos conseguem um código utilizado por Skynet para comandar seus robôs.
Vemos aqui também muito mais da vida de John. Sabemos que ele é um dos líderes da revolução e com certeza o mais carismático, mas obedece ordens de um comando que vive uma vida secretamente, com medo de morrer e deixar os humanos sem liderança. Achei isso muito interessante. Mas se eu falar muito sobre o porquê, vou acabar contando demais do filme, mesmo já tendo contado bastante.
Houve aqui claramente um capricho especial na computação gráfica. São robôs pra lá e pra cá o tempo todo e de todos os jeitos. Robôs típicos, robôs gigantes, robôs naves, robôs motos e por aí vai. Essa evolução de Skynet se relaciona bem com a evolução dos humanos, que também desenvolveram alguns elementos para sobreviver.
O filme entretanto deixa a desejar em alguns pontos, talvez comuns em Exterminadores do Futuro. Ele não exige muito dos personagens. John Connor e Marcus Wright são de longe os que mais aparecem, mas é aquela coisa: ninguém lembra muito dos antigos John Connor’s (Edward Furlong e Nick Stahl) e muito mais do Arnold Schwarzenegger, Robert Patrick e da Kristanna Loken. Vale lembrar que uma versão meio computadorizada do Arnold faz uma aparição simpática aqui.
O filme deve agradar, entretanto, aos fãs dos antigos filmes e da série. São novas intrigas, uma nova visão sobre o universo criado por James Cameron. Eu saí do cinema feliz, pelo menos. Talvez porque eu assisti em uma daquelas salas especiais do Kinoplex, em São Paulo, com super som e imagem. Talvez porque eu gosto mesmo de mundos apocalípticos com guerras entre humanos e máquinas. Mas com certeza não é o melhor filme do mundo.

À Prova de Fogo

domingo, 21 de junho de 2009

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à Prova de FogoEntão, em que dia você está?

Caleb Holt (Kirk Cameron) é um bombeiro que, apesar de ser respeitado em todos os lugares, por salvar a vida de outras pessoas, não encontra dentro de casa a mesma dedicação, onde passar por dificuldades no casamento. Sua mulher, Catherine Holt (Erin Bethea) pede separação e então ele entra em uma jornada de 40 dias para tentar salvar a relação.

À Prova de Fogo é mais um filme da Sherwood Pictures, uma produtora americana criada por uma igreja batista. Sendo esse seu terceiro filme, os outros dois foram Desafiando Gigantes e Flywheel, o filme de estréia.

Como é um filme que vem de uma produção completamente evangélica, com diretores, roteristas (os irmãos Alex Kendrick e Stephen Kendrick) e também atores (muitos voluntários), era de se esperar um conteúdo bastante religioso também. Mas isso não impede que seja um filme interessante.
Começamos então pela analogia feita entre o bombeiro e o casamento dos dois. Caleb ama ser um bombeiro e entre sua vida a sua profissão, mesmo sabendo que pode perder tudo, mesmo sabendo que vai passar pelo fogo para poder salvar vidas. Teóricamente, também assim é o casamento, onde você se entrega por completo, mesmo sem saber o que os dias seguintes vão trazer e sabendo também que você vai passar pelo fogo um dia ou outro para salvar sua relação.
Mesmo com as semelhanças, Caleb prefere se dedicar ao trabalho do que a entender o que acontece dentro de sua própria casa e não compreende o quão mal ele trata sua mulher, que pede divórcio ainda no começo do filme. Quando ele começa a desabafar sobre o assunto, acreditando que sua mulher é que está sendo insensata e desrespeitosa, acreditando que seu casamento realmente acabou, seu pai pede para ele manter o casamento por mais 40 dias, para que ele faça “um curso”, que seria enviado por correio. Esse é o ponto interessante do filme.
O “curso” é um caderno de anotações, escrito por seu pai (que também já tinha enfrentado problemas no casamento) com lições diárias, por 40 dias, de pequenas coisas para se fazer e observar, na tentativa de reformular a relação com o conjugue.
Então, esse “Desafio do Amor”, como eles chamam, é uma verdadeira aula de como coisas pequenas podem significar muito em um namoro, ou um casamento. Realmente, as pessoas não precisam de coisas grandes. Um pequeno ato como preparar o café da manhã pode significar muita coisa. E isso seria muito bem visto em qualquer filme de romance ou drama.
As questões mais complicadas surgem quando entra a parte religiosa do filme. Problemas no relacionamento todo mundo tem, mas não é todo mundo que está disposto a ver um filme que tenta te converter ao cristianismo.
Eu, mesmo sendo um cristão, acho muito forçado esse lado missionário. Na verdade, algumas partes do filme me fazem lembrar daquelas peças de teatro que você vê em alguma igreja. Umas falas MUITO típicas e pouco criativas. A mais clássica é quando Caleb está pensativo sobre seu casamento e seu colega de trabalho, Michael (Ken Bevel), aparece com sua mulher, aos beijos e sorrisos dizendo coisas como “Ah, eu estarei lá, querida. Você sabe que eu não deixarei o meu filho na mão!” como um bom pai e marido cristão deve ser. Nesse momento, me senti mesmo em um banco da igreja vendo uma peça de teatro. Até porque como falei, muitos atores são voluntários da igreja. E esse foi o primeiro filme do senhor Bevel.
Considero isso um ponto fraco não porque eles tem um posicionamento bem específico, porque isso eles deixam claro desde o início e é o objetivo deles. O problema, para mim, é o óbvio, o roteiro fraco e batido quando entramos nessa parte. É sempre uma pessoa com problemas, cercada de pessoas cristãs caridosas que estão tentando mostrar para ele a todo o momento que Deus é bom e o ama incondicionalmente. Acredito que existem maneiras melhores de mostrar isso do que esse padrão repetido em todos os lugares e que já tem até uma imagem um pouco depreciada fora da igreja.

Numa soma, entretanto, acredito que o lado romântico/dramático do filme fala mais alto e o Desafio do Amor em 40 dias é algo que todo mundo deveria levar em consideração. E se você levar a parte religiosa do filme como mais uma parte do filme, e não como um todo, você percebe que as coisas se encaixam e dão ao filme uma nota legal, tipo um 7, que preferi reverter em 3 pipocas do que em 4.

Anjos e Demônios

quinta-feira, 4 de junho de 2009

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Anjos e DemôniosVocê veio para fazer de mim um mártir?

Baseado no primeiro (isso mesmo) livro da série de Dan Brown, que ficou famosa graças ao Código da Vinci, Anjos e Demônios traz Robert Langdon (Tom Hanks) em uma nova aventura, onde ele se vê obrigado a desvendar os segredos dos Illuminatti para impedir o assassinato de cardeais da Igreja Católica, justo na escolha do novo Papa.

O filme, ao contrário do livro, se localiza depois do Código da Vinci, até porque acabou saindo depois. Como prova, é possível ver uma foto de Sophie Neveu (Audrey Tautou) na escrivaninha de Langdon.
A direção de Ron Howard mais uma vez faz o seu papel intrigante. Seus trabalhos são elogiáveis (como em Apollo 13 e Uma Mente Brilhante) e aqui o elogio vai para sua tentativa em manter vivo um roteiro que não é lá essas coisas e também na produção (também sob sua responsabilidade), com a trilha sonora bonita, lembrando a do Código da Vinci, e os efeitos especias, tão necessários para o desenvolvimento do filme.
Bem, quando falamos em filmes assim, vindos de best-sellers atuais, automaticamente falamos de um elenco recheado de atores famosos e cheios de um talento que não será completamente usado. Além de Hanks, temos Ewan McGregor (um dos meus atores favoritos), Stellan Skarsgård (o pai do Will, de Piratas do Caribe!), o veterano Armin Mueller-Stahl e a quarentona Ayelet Zurer, uma das poucas mulheres do filme.
Então aqui, nossos amigos atores participam de uma busca com tempo contado tentando salvar a vida de alguns cardeais sequestrados. Eles teriam sido levados pelos Illuminatti, uma antiga seita (mais mítica do que histórica) que teria sido atacada pela Igreja nos séculos passados e que agora estavam dando o troco.
O personagem Robert Langdon, graças a Deus, é um especialista em tudo isso. Estudioso do imaginário e simbolismo da renascença, o cara é a única real arma da polícia do Vaticano para desvendar os mistérios “illuminattianos”, que passam por históricas igrejas espalhadas pelo país católico.
Somos então agraciados por belas imagens que, na verdade, são de mentira. A Igreja Católica proibiu que fossem realizadas filmagens em suas igrejas e até mesmo na Praça de São Pedro. Uma réplica da praça foi feita para as filmagens e todas as imagens de interior são feitas de alguma maneira diferente do original. Há umas cenas que você até percebe que eles estão sobre um fundo azul, porque o cenário não fica tão real assim.
Essas dificuldades impostas só mostram como que o cinema hoje é capaz de dar a volta em situações muito inusitadas. Como fazer um filme que passa por diversas igrejas, sem realmente passar por elas? Vivas à Computação Gráfica!
A CG, entretanto, não salva o filme. O roteiro, como já deixei passar, é fraco. Eu não li o livro. Mas o livro Código da Vinci é melhor que o filme, com certeza. O ambiente não é o mesmo. E acredito que em Anjos e Demônios acabou dando na mesma coisa. A questão aqui é que Anjos e Demônios é de cara inferior ao Código da Vinci, pelo menos quando falamos de filmes. O foco principal do filme deveria ser o simbolismo, a investigação histórica e artística de Langdon. Aqui, por sua vez, isso ficou muito limitado a quatro estátuas que estariam próximas a quatro igrejas, enquanto em “…da Vinci” a coisa é bastante complexa e toma rumos direfentes no meio da história. Já me disseram que o livro Anjos e Demônios é ainda melhor literariamente que seu carrasco “… da Vinci”. Mas o filme acabou perdendo, em minha opinião.

Para terminar, vai uma curiosidade: durante as filmagens nas ruas do Vaticano, a equipe se viu no meio do caminho de uma noiva, que tentava entrar na igreja para se casar. Dedivo a todo material e ao trabalho ali sendo realizado, a sortuda teve uma supresa quando o próprio Tom Hanks apareceu e, como desculpas, a levou, junto com os acompanhantes, pelo set de filmagem até a porta da igreja. Ele infelizmente não pode comparecer à festa, porque estava trabalhando, mas ela deve ter ficado feliz com o passeio inusitado.

Invasores

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Para a visão de Nespoli, clique aqui.
Para outra visão, clique aqui.

InvasoresMeu marido não é meu marido.

Um ônibus espacial explode ao retornar à terra. Como ele, chegam microorganismos alienígenas que começam a afetar os seres humanos. Eles afetam o sistema nervoso de cada infectado assumindo parte de seu funcionamento e assim tornando o ser humano uma coisa estranha, sem emoções, que não é capaz nem de suar. O mundo assim começa a ficar livre da guerra e de conflitos em geral. No meio disso, Carol (Nicole Kidman) vive o desespero de encontrar seu filho Oliver (Jackson Bond), raptado por seu ex-marido infectado, e que pode ser a chave para a cura.

Nós já temos aqui no site duas opiniões sobre o filme, mas acho que uma a mais é sempre válida. Demorei muito, mas muito tempo para ver esse filme porque, apesar de amar filmes de extra-terrestres e invasões alienígenas, esse aqui sempre pareceu um filme morno demais.
E basicamente o é. Em minha humilde opinião, esse filme não passa muita emoção e não marca uma pessoa. Soa como mais um filme e pronto. Não sei explicar bem por que.
Apesar disso, ele traz dois atores muito bons. A já comentada Nicole Kidman e o ator em acensão Daniel Craig, no papel do melhor amigo de Carol, Ben. Os dois estão juntos também no filme A Bússola de Ouro, que também foi bastante morno na bilhetagem. Detalhe que os dois são de 2007.
A discussão do filme é bem mais político-filosófica do que científico-alienígena e nos leva a uma interessante reflexão do que nós seríamos capazes de fazer para acabar com os conflitos e mortes que estão aí no mundo de hoje. Sem muitas emoções, os infectados agem pelo bem deles em comunidade e assim as guerras chegam ao fim.
Um comentário do personagem de Graig é sobre as guerras que aparecem na TV. Mas é Nicole Kidman que se vê na pior posição ao tentar salvar seu filho da mão de infectados. Eles estariam salvando o mundo e ela tentando voltar para a desgraça. É assim que ela fica sem palavras para tentar explicar para Ben suas escolhas.
Ao contrário de Nespoli, acho nosso estado de natureza é sim o da sobrevivência do mais forte e que o homem é infeliz em estado de igualdade. Não é a toa que arrumamos maneiras de sermos especiais. Até mesmo nossos revolucionários se rendem ao poder do Estado. Assim, o homem sempre viveu em conflitos. Desde lá no Eden, um brigava com o outro pela atenção de Deus. Por aí vai.
Logo, achei uma discussão boa mas estranhamente colocada no filme. Acho que fica meio descolado envolver a essência humana com invasões alienígenas. Acho que é porque meu tipo de filme de ET é diferente.
De qualquer maneira, acabei achando que essa idéia do filme se encaixa melhor em filmes como Equilibrium, que comentamos aqui, e que fala do mesmo assunto só que em um filme sobre revoluções, instituições humanas e tudo o mais.

No fim, atuações mornas em um filme morno, que envolvem assuntos interessantes que poderiam ter sido tratados mais ou melhor. A direção, a cargo de Oliver Hirschbiegel (A Queda!), é boa, faz o seu papel, mas não salva o filme.

Star Trek

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Star TrekVida longa e prosperidade!

Ah, Star Trek… Admito que não assisti lá tantos episódios na minha vida, mas não foi por falta de vontade. Mesmo assim, minha simpatia por Star Trek vem de muitos anos e um longa-metragem como esse merecia quebrar a ordem das coisas aqui no blog.
Para quem não conhece, Star Trek é uma série, criada em 1966 (!) e que desde então traz nas costas uma multidão infinita de fãs. Nosso querido filme aqui, para o deleite de muitos, faz algo que até então não havia sido feito: conta diretamente o surgimento do Capitão Kirk e seueterno companheiro, Spock. Novamente para aqueles que nunca ouviram falar, isso só significa que você não precisa conhecer a série para assistir ao filme. Basta entender que Kirk e Spock são dois personagens amados a mais de 40 anos.

Muito bem então. Começaremos de cima dessa vez. A direção. O filme é dirigido e produzido pelo novo gênio J.J. Abrams, responsável por séries como Alias, Lost e a nova Fringe, além de filmes como Missão Impossível III e Cloverfield, todos pontos positivos.
Abrams fez a coisa certa e não deu uma de botar o seu dedo em uma coisa já consolidada. Se cercou das pessoas ideais e garantiu que o filme fosse uma obra perfeita para os fãs. Diversos são os atores ou extras no filme que participaram das antigas séries de Star Trek. O roteiro, escrito pelos queridinhos de Abrams Roberto Orci e Alex Kurtzman se baseia em momentos da primeira temporada de Star Trek, usando elementos da época e partes da história, encaixando o novo filme como uma luvinha. A idéia de mostrar os queridos personagens em seu período da Academia era uma idéia mantida desde 1968, dois anos depois do lançamento da série. Com apenas 41 anos de espera, os fãs ganharam esse presente. Ouso dizer que foram 41 anos de uma espera necessária e válida, porque é com certeza o conjunto que dá o imenso valor desse filme.
Ainda no roteiro, destaco os pontos chaves do filme, todos cuidadosamente amarrados. Afinal, trabalhar com viagens no tempo, algo comum em Star Trek, não é a coisa mais simples do mundo e é muito fácil um fã parar e dizer “não deveria acontecer desse jeito”. É lindo ver como tudo funciona e se encaixa com o desenrolar do filme, trazendo surpresas muito agradáveis. Uma obrigação do filme era, para Abrams, ser otimista. Segundo ele “Ser realista e ser sombrio são coisas diferentes”, como uma resposta às perguntas sobre se Star Trek seria como Batman: O Cavaleiro das Trevas. E ele conseguiu.
Partindo então para os atores, entramos na melhor parte. O filme é a estréia de Zachary Quinto nas telas do cinema. O jovem, com uma carreira se consolidando, é o responsável pelo personagem Sylar, da série Lost. E aqui ele é nada mais nada menos que o próprio Spock. E olhando bem, ele realmente se parece muito com o Spock original. Completando a tripulação, temos Chris Pine como o capitão James Kirk. Chris, que também tem uma carreira curta, tentou não copiar o antigo Kirk, mas se basear em personagens de outros filmes com o mesmo estilo cômico e sarcástico, que servissem para criar sua própria idéia de Kirk. Zoe Saldana assume o papel de Uhura, o experiente John Cho fica com Sulu e o maravilhoso Simon Pegg interpreta o engraçado Scotty. E como se isso não bastasse, ainda temos a participação de Leonard Nimoy, o eterno e imortal Spock da série original. Chega a tirar o fôlego.
Quanto ao feeling do filme, digo sem medo que é maravilhoso. Foi a cartada certa em trazer a série de volta ao topo da sétima arte. O filme é ousado, engraçado, atraente, forte, com cenas de ação bem trabalhadas, efeitos especiais muito bem feitos e de tirar o fôlego. Quem, entre aqueles que gostam da série, não fica pra lá de feliz ao ver a Enterprise novinha e em ação?
Realmente não sei dizer como um não-fã reagiria ao filme. Acredito mesmo que apenas sabendo que Kirk e Spock são os dois personagens mais importantes de Star Trek você pode ir assistir ao filme feliz. Mas existem os fãs de Ficção Científica que não são fãs de coisas tão “nerds” como Star Trek. E provavelmente foi pensando em algo assim que o roteiro foi amaciado e muitas coisas técnicas e complexas do universo Trekker foi tratado de maneira mais simples, se aproximando de nós, meros mortais.

Star Trek é um filme que veio para marcar a história da série em nossos tempos. Os fãs estão adorando, e isso basta para J.J. Abrams. É um novo e magnífico fôlego que promete alcançar novos e inesperados simpatizantes no mundo todo através de um trabalho feito com carinho e dedicação, por fãs e para fãs.

Blade Runner – O Caçador de Andróides

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Blade RunnerDepois de eu encher tanto a paciência de nossos pacientes leitores para que esses nos dêem sugestões de filmes, alguns começaram a me ouvir. Hoje estou escrevendo sobre a dica do Anderson, do ótimo blog Rosebud é o Trenó que me pediu para rever Blade Runner. O fiz com muito prazer e estou muito feliz de tê-lo feito. Esse filme de Ridley Scott é um clássico cult de ficção científica e é obrigatório para qualquer cinéfilo.

Em meados do ano 2000, com a colonização interplanetária, uma nova raça de humanóides artificiais fora criada pelos seres humanos. Eram eles chamados de replicantes, criaturas idênticas aos seres humanos porém dotado de maior força e de grande inteligência. Como medida de segurança, cada um deles possui um tempo de vida de no máximo 5 anos. Eles eram usados como escravos fora da Terra, em tarefas muito perigosas para seres humanos, mas um dia um grande motim foi feito e a existência deles (pelo menos no planeta Terra) se tornou ilegal. Agentes especiais então foram criados para exterminar (aqui chamado de “aposentadoria”) qualquer presença de replicantes no planeta, seus agentes são os chamados Blade Runners.

O ano é 2019, Harrison Ford é Rick Deckard, um Blade Runner aposentado que é chamado de volta à ativa para “aposentar” 4 replicantes que mataram todos os tripulantes de uma nave e entraram na Terra. O filme nos mostra essa história, a de Deckard tentando encontrar os tais replicantes enquanto eles tentam achar uma maneira de se manterem vivo por tempo maior que o prazo que lhes é dado.

Em suas investigações Deckard conhece a assistente de Tyrell (Joe Turkel), o projetista dos Nexus – 6 (os replicantes procurados), Rachel (Sean Young) e fazendo o teste de Voight-Kampff nela descobre que ela é outra replicante, porém não sabe já que Tyrell implantou a memória de sua sobrinha nela. Acho que é nesse ponto que o filme se distingüe das ficções científicas anteriores e se torna um clássico. Deckard vê em Rachel uma ser humana, mesmo sabendo que ela não o é e (entendendo que isso não é um clichê já que que foi um dos primeiros, rs) se apaixona por ela. Só que seu objetivo se amplia à “aposentá-la” também, já que é ilegal a existência dela.

Acho que o que eu precisava contar sobre o filme eu contei. Agora preciso falar de algumas coisinhas. Acho que a principal delas é a ambientação do filme. Claro que 2019 é muito cedo (nossos amigos de antigamente viam o avanço tecnológico com um pouco mais de rapidez do que o existente), mas eu acho um futuro extremamente plausível e crível. Prédios gigantescos, carros que voam, MUITA gente, poluição, um visual dark muito bem feito. A gente pode ver propagandas de produtos como Coca Cola, Atari e Budweiser, o que torna a ambientação muito mais legal. Eu digo que é crível pois no caminhar da carruagem deve ser isso que a gente vai ver, poluição desenfreada, prédios cada vez maiores para comportar o aumento vertiginoso da população e um aumento absurdo da violência. Outra coisa que não pode deixar de ser dita sobre o filme são as intepretações. Um Harrison Ford levemente mais maduro, mas com aquela canastrice que lhe é peculiar (e combina direitinho), uma Sean Young muito bela e competente, mas quem sem destaca mesmo é Rutger Hauer (que faz Roy, o líder dos replicantes rebeldes) que para mim é o principal do filme, cada aparição sua me rendia uma série de sentimentos, raiva, tensão, medo e até pena.  Rutger é um ator que poderia ter sido muito mais, mas infelizmente não foi. Fez muitos filmes de baixa renda, porém recentemente fez papéis secundários no poderoso Sin City e no ótimo Batman Begins. O filme concorreu a dois Oscars técnicos e não ganhou nenhum, bah, Oscar não é pros cults, rs. O destaque vai mesmo para a cena final, a batalha derradeira entre Deckard e Roy que é realmente espetacular.