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Guerra ao Terror

segunda-feira, 8 de março de 2010

Guerra ao Terror

Não deixem de ver, abaixo, a lista de ganhadores do Framboesa de Ouro e do Oscar!

Eu vi esse filme já tem um tempo. Chegou na locadora de mansinho, desconhecido, ninguém sabia no que se tornaria. Hoje eu decidi escrever sobre esse filme pois, como todos já devem saber, se tornou o grande vencedor do último Oscar. Pois é, um filme que merece ser comentado e debatido até por que ainda, pelo menos a mim, restam muitas dúvidas sobre seu merecimento e sobre sua qualidade. Não serei tão leviano em dizer que é um filme ruim, não o é, Kathryn Bigelow (diretora que também venceu o Oscar pelo filme) criou um pequeno clássico de guerra conteporâneo e merece os louros (não sei se o Oscar, rs).

Pois então, acredito eu que muitos não ouviram falar do filme até o grande dia da premiação, tirando os cinéfilos de carteirinha o público em geral ignorava a existência dele, principalmente no Brasil, já que os “grandes” e “inteligentes” empresários nacionais acharam que não seria um filme muito comercial e simplesmente não passou nos cinemas (pelo menos não antes de inúmeras premiações pelo planeta). Acho que por isso uma breve sinopse do filme se faz mais do que necessária. O filme fala, na guerra do Iraque, do drama de um batalhão encarregado do desarmamento de bombas. Tendo em vista que a tática de guerrilha iraquiana se baseia muito no dito “terrorismo” (os kamikazes japoneses eram heróis, as bombas francesas durante a 2ª guerra era resistência patriótica), o desarme de bomba se torna uma tarefa muito importante além de recorrente.

Dentro desse batalhão conhecemos o Sargento Willian James (Jeremy Renner, que também concorreu ao Oscar) que chega para substituir o antigo líder e que altera, de modo nada convencional, a forma de se combater desses homens. Isso parece só um filme de guerra, clichê, exaltador do exército americano e do seu modo de vida e por isso, você deve estar pensando, ganhou o Oscar, certo? Errado. E é nesse momento que entra toda a polêmica em torno do filme. Pois, ao meu ver, temos um filme muito interessante que trata de homens reais e não de soldados, que trata da realidade de um país ocupado e não necessariamente de uma guerra e que, principalmente, te deixa na pele de homens e mulheres, com suas angústias, em uma fase completamente execrável da história humana (e que ainda está em andamento).

Digo que isso é uma polêmica pois já vi muitos comentarem (inclusive aqui no blog) que é um filme de ação, ufanista e exagerado. Minha opinião diverge bastante disso pois acho que Bigelow conseguiu colocar na tela do cinema uma experiência real, vivida por homens reais e não grandes feitos vividos por super-heróis. É um filme que também discute um fato pouco discutido, o vício em guerra, o quanto essa cultura do terror norte-americana influencia na vida de seus meninos, voluntários de uma guerra que não é deles, que serve principalmente para alimentar conglomerados armamentistas.

Agora quais os motivos de eu não achar o filme merecedor da premiação se estou falando tão bem do mesmo? Primeiro, todas essas críticas políticas que faço me parecem subentendidas no filme – mas não necessariamente proposital. Me perguntaram se achei o filme político e disse “Não”, até mais enfaticamente do que deveria. Quis dizer que não procura defender lados mas retratar uma certa realidade, quase que documentariamente. Segundo, o filme não me parece nada que não tenha sido feito, o ótimo Soldado Anônimo, por exemplo, me parece um filme de guerra muito mais interessante. Critico a premiação não em nome de Avatar (que é o filme mais polêmico desse blog com mais de 60 comentários) mas em nome, por exemplo, de Bastardos Inglórios que para mim não é um Tarantino menor e merecia por exemplo a premiação. A direção de Bigelow é muito bem feita e acertada, você se sente na ação com uma filmagem bem íntima mas, repetindo, nada que não tenha sido feito. Nesse quesito ficaria entre o Tarantino e o próprio Cameron.

Meu objetivo com esse post foi tentar abrir mais uma polêmica, mais um debate via comentários, pois como podem ter reparado (ou não) minha opinião ainda não está bem formada e gostaria de debater para ver se consigo chegar a uma conclusão melhor. Só para concluir o destaque vai para as aparições especiais de grandes atores como Ralph Fiennes e Guy Pearce.

Paris, Eu te Amo

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
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Paris te Amoobs: O nome oficial, em português, é “Paris, Te Amo”. Mas em francês é “Paris, Je T’Aime”, motivo para eu ter colocado o “Eu” no título dessa resenha e também para essa nota explicativa.

A primeira vez que assisti a esse filme foi há alguns anos atrás, em um festival de cinema francês no Cine Jardins, em Jardim da Penha (essa é pra quem mora em Vitória!). Aquela semana foi muito boa e vi 3 filmes que nunca esqueci.
Mas não estou aqui para falar dos 3! Apenas de Paris, Eu te Amo, que foi o que eu mais me apaixonei. Talvez por ele realmente te fazer amar os encontros e desencontros em que os curtas te levam.
Mas, peraí. Curtas? Para quem não conhece o filme, ele é feito de 18 curta-metragens dirigidos por diversos diretores (porque alguns são dirigidos por mais de um diretor!) e que foram feitos de uma maneira tão mágica, mas tão perfeita, que cada vez que um acaba e um outro começa, o seu coração dói de saudades, por saber que aquela linda história chegou ao fim.
Eu vou falar um pouco de cada um dos curtas mais abaixo, para dar uma opinião individual a cada um. Sou apaixonado por quase todos, e é por isso que essas opiniões gerais que estou dando antes são assim.
Vale dizer que  aqui temos diretores não só franceses mas de todo o mundo, incluindo um brasileiro, como veremos mais abaixo. Além disso, temos atores do mundo inteiro também. Famosos atores de Hollywood participando por aqui, dividindo o idioma do filme entre francês e inglês de uma maneira bastante mágica. E acho que essa questão do idioma ganha muito destaque no último curta, que é como se uma americana, aluna de francês, estivesse lendo um texto sobre uma viagem que ela fez à Paris. É muito bom! Principalmente se você já fez aula de Francês e costumava escrever esse tipo de texto.

Então, concluindo a parte geral, digo que esse filme merecia 6 pipocas, mesmo alguns de seus curtas sendo malucos. Porque tudo se encaixa de uma maneira difícil de explicar. Assistam. Apenas assistam. Mas antes, seguem os curtas na ordem do filme:

Montmartre (Roteiro e Direção de Bruno Podalydès):

  • Na primeira história temos um homem (interpretado pelo próprio diretor) em um estacionamento e pensa consigo mesmo sobre porque não agrada as mulheres. Sua reflexão para quando uma mulher (Florence Muller) cai na calçada e ele resolve ajudá-la.
  • Bem. É já no final desse curta que você fica triste por não poder acompanhar mais esses personagens. É tudo tão bem feito, tão bem escrito e filmado que você consegue se sentir próximo dos personagens após pmeros 5 minutos! Mas a vida segue em frente, e Paris não pode esperar.

Quais de Seine (Roteiro de Paul Mayeda Berges e direção de Gurinder Chadha):

  • Um jovem (Cyril Descours), acompanhando dois amigos que dão em cima de qualquer mulher que passa, tem sua atenção chamada para uma garota muçulmana (Leïla Bekhti), que o faz esquecer do resto do mundo.
  • Não sei se é porque o garoto fez história, como eu, mas esse curta é muito legal. É como se os sentimentos dele fossem além da tela e chegassem até você. Você entende porque ele vai atrás dela. É muito bonito.

Le Marais (roteiro e direção de Gus Van Sant):

  • O curta se baseia em uma conversa de um jovem (Gaspard Ulliel) com outr (Elias McConnell), onde o primeiro sente uma estranha atração pelo segundo, discutindo sobre almas gêmeas de uma maneira muito clara, sem saber que o outro simplesmente não entende bem o francês.
  • Eu não fico muito à vontade com declarações de homem para homem, mas o curta não se trata bem disso. O cara apenas começa a expor um ponto de vista e vai falando sem parar, sem perceber que o outro cara não fala nada até o momento de ter que ir embora. É um curta bem legal.

Tuileries (roteiro e direção de Joel e Ethan Coen):

  • Steve Buscemi é um turista americano em um metrô, vivendo uma comédia, cheio de dificuldades de entender o comportamento dos estranhos franceses.
  • Primeiro, Steve é um cara muito engraçado. Ele acompanhando livro de guia para turistas em Paris é ótimo, e traduzindo as frases absurdas do cara que briga com ele. Segundo, os atores que contracenam com ele (Axel Kiener and Julie Bataille) fazem muito bem o seu papel e tornam esse um dos mais engraçados do filme.

Loin du 16e (roteiro e direção de Walter Salles e Daniela Thomas):

  • Catalina Sandino Moreno é uma latina vivendo uma vida difícil na França, tendo de deixar seu bebê em uma creche para ir cuidar da casa de outra pessoa.
  • Catalina me conquistou naquele filme Maria Cheia de Graça. Ela tem um jeitinho especial. Esse é o curta dirigido pelo Walter Salles e um dos mais emotivos do filme. A canção que Catalina canta para seu filho, “Qué Linda Manito”, é muito bonitinha.

Porte de Choisy (direção de Christopher Doyle e roteiro de Doyle com Gabrielle Keng e Kathy Li):

  • Um vendedor de produtos de beleza (Barbet Schroeder) passa por algumas dificuldades tentando vender seus produtos em um salão para descendentes de asiáticos com uma dona que até luta artes marciais (Li Xin).
  • Esse é o curta mais louco do filme, em minha opinião. Mas por mais sem sentido que ele possa parecer, ele não deixa de se conectar com os outros curtas e, no final, ainda tira um sorriso da sua cara.

Bastille (roteiro e direção de Isabel Coixet):

  • Um homem se prepara para contar para a mulher que a está deixando por uma bem mais jovem, quando ela conta para ele que está com uma doença terminal.
  • Esse é mesmo um dos mais bonitos de se ver. Muito comovente ver o personagem se reapaixonar aos poucos por sua mulher. A construção do curta é perfeita.

Place des Victoires (roteiro e direção de Nobuhiro Suwa):

  • Uma mãe (Juliette Binoche) sofre com a perda de seu filho e recebe uma visita inesperada para ajudá-la a superar as dificuldades.
  • Esse também é bastante triste, e fica completo com a fantástica Juliette Binoche na atuação. E é interessante como, mesmo todo francês, consegue misturar elementos americanos (e língua inglesa) nos seus poucos minutos de duração.

Tour Eiffel (roteiro e direção do especialista em animação Sylvain Chomet):

  • Um garoto contando como seus pais (ambos mímicos!) se conheceram na prisão e se apaixonaram.
  • Esse envolve diversos sentimentos (talvez bem no estílo mímico, mesmo). Ele é engraçado, com momentos bonitos, momentos tristes e momentos estranhos. No final, vale a pena.

Parc Monceau (roteiro e direção de lfonso Cuarón):

  • Um homem mais velho (o grande Nick Nolte) se encontra com uma mulher mais jovem escondido de Gaspar, o qual está controlando demais a vida da probre moça. O que o público não imagina é que Gaspar os está esperando mais adiante.
  • Eu não sei como eles fazem isso, mas você assiste esse curta sem nem ter idéia de quem é o Gaspar, que na verdade, é o que faz dar sentido a todo o diálogo que o homem e a mulher tem durante o passeio. Uma curiosidade aqui é que o curta foi feito sem cortes, em uma única cena. Fantástico.

Quartier des Enfants Rouges (roteiro e direção de Olivier Assayas):

  • Esse é um pouco sem sentido para mim, mas outros podem ter captado a mensagem melhor. Maggie está ótima e tudo é bem feito, mas o final não me cativou. Mas ele continua encaixado com os outros curtas do filme.

Place des fêtes (roteiro e direção de Oliver Schmitz):

  • Um nigeriano, morrendo devido a um ferimento de faca. Sua paramédica, entretanto, é a mulher por quem ele está apaixonado. Enquanto ela começa a se lembrar dele, entretanto, sua vida vai chegando mais perto do fim.
  • Esse é mais um dos tristes. Mas não um triste romântico, e sim um triste um pouco revoltante. A história é triste, o final comovente. Mas é também um que precisa ser visto.

Pigalle (roteiro e direção de Richard LaGravenese):

  • Um homem e uma mulher de certa idade se encontram em uma “casa de mulheres” e resolvem dar uma chance ao amor. O interessante é que eles são um casal, tentando reacender o relacionamento.
  • Esse se passa todo em inglês. E é bastante engraçado. É algo como “o que não se faz para salvar um relacionamento de décadas?!” O importante é que, no final, o amor sempre vence (ixi, contei?).

Quartier de la Madeleine (roteiro e direção de Vincenzo Natali):

  • Um turista (Elijah Wood) se apaixona por uma vampira, que ele encontra pelas ruas noturnas de Paris.
  • Esse, junto com Porte de Choisy, são os que menos fazem sentido pra mim. Esse até faz mais sentido com as cenas finais, após o último curta (prestem atenção nelas!). Mas o legal aqui é que o curta é mudo e vive da encenação e da trilha sonora. Apesar de tudo, é engraçado.

Père-Lachaise (roteiro e direção de Wes Craven):

  • Visitando o cemitério Père Lachaise, uma mulher (a maravilhosa Emily Mortimer) discute com seu noivo (o ótimo Rufus Sewell) que tenta fazer o possível para tê-la de volta.
  • Esse curta é muito engraçado e bonito. É um dos meus preferidos (eu não falei isso ainda, falei?). Porque acho os dois atores muito bons, os diálogos são ótimos e o desenrolar, incluindo o clímax, são ideais.

Faubourg Saint-Denis (roteiro e direção de Tom Tykwer):

  • Um jovem cego recebe uma ligação de sua namorada (que tenta trabalhar como atriz e interpretada pela linda Natalie Portman) e acha que ela está terminando com ele. A partir daí, ele reflete, amplamente sobre como o relacionamento começou e como ele parecia estar declinando com o tempo.
  • OK. Natalie é perfeita e Deus permitiu que ela não abandonasse o cinema para estudar e trabalhar como uma pessoa comum. E eu não sei bem se tem a ver com o fato dela estar tentando ser uma atriz, no curta, e o outro personagem ser um garoto cego e muito inteligente e estudado, mas esse curta tem umas das melhores frases do filme. Estremamente profundo. O que ela fala para ele no telefone, eu coloco abaixo:
  • “Escuta. às vezes… a vida exige uma mudança. Uma transição. Como as estações. Nossa primavera foi maravilhosa, mas o verão acabou. E deixamos passar nosso outuno. E agora, de repente faz frio. Tanto frio que está tudo congelado. Nosso amor dormiu, e a neve o tomou de surpresa. E se algo dorme na neve, não sente a morte chegar.”

Quartier Latin (roteiro de Gena Rowlands, direção de Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin):

  • Um casal divorciado, de terceira idade, se encontra em um bar (cujo garçom é mantido por ninguém menos que Gérard Depardieu) para um último drink antes de assinar os papéis.
  • Esse é mais um daqueles perfeitos. Eles simplesmente me comovem. É fantástico. O diálogo entre os dois não tem falhas. É uma tristeza, amarga, profunda, intercalada por piadas que só duas pessoas que se conhecem demais poderiam fazer uma com a outra, apesar do casamento estar condenado.

14e arrondissement (roteiro e direção de Alexander Payne):

  • Carol (Margo Martindale), uma americana que está fazendo um curso de francês, lê uma carta durante a aula sobre o seu passeio por Paris. E o que vemos são as cenas do seu passeio, com sua narração de fundo.
  • Não poderia haver um curta melhor para encerrar o filme. Esse aqui é perfeito. Martindale está perfeita em todas as suas feições e em seu Francês de quem ainda está no Básico 3. Sua história é tão triste e tão comovente, e o final é simplesmente tão profundo, que toda vez que assisto, quase derrubo uma lágrima. Simplesmente fantástico.

Quando todos esses curtas acabam, entra uma música linda de fundo e algumas cenas de finalização, mostrando personagens de curtas diferentes se encontrando, se abraçando, revelando elementos de suas histórias… vivendo sua vida em Paris. A verdade é essa. São vidas. Coisas que poderiam estar acontecendo nesse momento lá na França, capturadas para sempre nesse filme esplêndido. Não há palavras para descrever. Apenas pipocas. 6 pipocas.

Invictus

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
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InvictusLeitores. Essa é nossa primeira resenha escrita por um convidado que, não por acaso, é um grande leitor nosso, o Marco Antonio. E foi com prazer que O Cara da Locadora criou um usuário com o nome dele, onde há uma breve descrição e algumas informações. Obrigado, Marco, e divirtam-se, leitores!

Fui ao cinema para ver Amor sem Escalas com George Clooney. Infelizmente (ou felizmente) cheguei atrasado e o que encontrei foi uma sessão de Invictus esperando por mim. Eu já havia visto o trailer e apesar de não ser um fã de rúgbi (apesar de gostar de futebol americano) um filme estralado por Morgan Freeman e Matt Damon e dirigido por Clint Eastwood já atinge (e supera em muito) as credenciais necessárias para me fazer entrar em uma sala de cinema, sobretudo abordando um tema tão interessante e polêmico: o racismo.

Vamos ao filme. Em 1990 o ativista contra o regime racista do aparthaid, Nelson Mandela (Morgan Freeman), é liberto após cumprir a pena de 27 anos de prisão. Após intensas negociações para que houvesse uma eleição democrática na África, onde os negros teriam seu direito a voto respeitado, as eleições são marcadas para o ano de 1994 quando Mandela vence o pleito tornando-se o primeiro presidente negro da África do Sul.

Apesar do sucesso nas eleições o novo presidente da África do Sul tem consciência da necessidade de que precisa atenuar o conflito racial de seu país e é aí que entram os Springboks e seu capitão François Pienaar (Matt Damon). Se você entende tanto de rúgbi quanto eu, então eu preciso dizer que esse é o nome da seleção sul-africana desse esporte. Esse time foi formado na época em que a África do Sul ainda vivia o regime do aparthaid e apesar de ser uma paixão dos brancos os “Boks” (assim chamados pelos fãs) são odiados pelos negros, que sempre torcem contra por verem no time uma representação do antigo regime racista.

Em 1995 aconteceria e copa do mundo de rúgbi que seria na África do Sul, agora presidente Mandela vislumbra nesse evento a possibilidade de fazer seu povo esquecer as suas diferenças raciais e se aproximar em prol da torcida por sua seleção. Com esse objetivo Madiba (como é conhecido Mandela na África do Sul por seu clã) se aproxima de Pienaar e o envolve na campanha que pode ser considerada como a mais importante dos Springboks de todos os tempos.

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InvictusQuem mais se destaca no filme é Matt Damon. Por incrível que pareça, eu não vi profundidade na composição do personagem de Morgan Freeman (apesar de ter achado muito semelhante fisicamente), ele estava interpretando ninguém menos do que Nelson Mandela, que acaba ficando sem brilho durante o longa-metragem. O que me faz pensar que o filme esteve muito focado na campanha dos “Boks” e abordou com pouca profundidade e intensidade um problema tão importante quanto o racismo. Algumas cenas com o grupo de seguranças responsável pela proteção do presidente também dão um bom toque de humor ao filme. A direção e o roteiro não pecam, mas não surpreendem. Já as cenas dos jogos de Rúgbi ficaram realmente boas, o que deve aguçar o interesse de alguns pelo esporte.

Recomendo o filme por se tratar de uma produção hollywoodiana que, apesar de timidamente, aborda questões importantes. Para terminar deixo o belo poema de William Ernest Henley que inspirou Mandela durante o tempo que esteve na cadeia e que dá nome ao filme:

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

JCVD

domingo, 31 de janeiro de 2010

JCVDUm filme como esse é exatamente o motivo pelo que eu conversei pela primeira vez com Miojo sobre fazer esse blog. Na verdade o motivo era inverso, como se pode ver no histórico do site, eu pensei em fazê-lo pois vi um filme tão ruim que precisava avisar para as pessoas o quão ruim ele era. Nesse caso eu preciso gritar aos quatro cantos do mundo o quanto esse filme é bom e merece, não, PRECISA ser visto. Certamente esse é o filme da vida de Jean-Claude Van Damme e merece todo o destaque e glória.

Muitos, como eu, provavelmente tem dúvida do que se trata esse filme. Seria uma biografia? Uma sátira? Uma história idiota e narcisita? Eu, contraditóriamente, não tenho costume de ler coisas sobre filmes, pelo menos não antes de vê-lo, e por isso resolvi tirar de vez minhas dúvidas sobre esse daqui o pegando na locadora, e como já repararam pela exaltação ali em cima, não me arrependi nem por um segundo.

O filme começa brincando com essa dúvida que todo mundo tem acerca dele próprio, pois nos mostra uma cena em uma tomada só do Van Damme no meio de uma guerra quebrando o pau. Você fica na dúvida se isso é uma cena do filme ou se é uma cena dentro da cena do filme, entende? Mas logo já descobrimos que é uma gravação de algum filme B na Ásia e que, depois de alguns problemas de filmagem, Jean-Claude decide tirar umas férias. Nesse meio tempo ele ainda atravessa um julgamento de custódia de sua filha e a perde nos tribunais.

Ele resolve então ir para Bélgica, seu país natal (eu JURAVA que ele era canadense, mas deixa pra lá) para voltar às origens, descansar, se renovar. E é quando se envolve num problema que dá a linha do resto do filme, e que eu vou deixar vocês na curiosidade. Sério, é nesse momento que Mabrouk El Mechri, um diretor mais do que desconhecido (pelo menos para mim) faz história e transforma um ator medíocre de filmes de ação num ator de primeiro nível, coisa que eu achava impossível mas o filme provou ser extremamente possível. Como já dito antes, não quero falar nada sobre o que acontece no filme pois ele é filmado de uma forma não-linear muito interessante e que te coloca muitas surpresas em vários momentos, por isso você vai querer assistí-lo sem saber muito sobre ele.

Posso adiantar, como já o fiz, que é o papel da vida de Van Damme aonde ele pôde mostrar que, além do monstro de artes marciais, pode interpretar convicentemente outros tipos de papéis (mesmo que no caso ele interprete a ele mesmo). Outra coisa a se aplaudir é a direção mais do que competente de El Mechri que consegue nos prender com takes muito bem feitos, cortes providenciais, uma locação excelente e um realismo fora do comum. Já perceberam o quanto gostei do filme e se confiarem um pouquinho em mais, tirem a prova. Quero saber a opinião de todos que viram para eu saber se estou exagerando, rs. O destaque vai para uma cena sensacional, ao final do filme, onde Van Damme, em off, faz um desabafo sobre sua vida e carreira, nos conta de seus problemas com alcool, seus casamentos, dentre outros. Falando assim pode parecer muito fora de contexto, mas vocês vão entender. Ahn, e caso não tenham entendido, VEJAM!!!

Onde Vivem os Monstros

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

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onde vivem os monstrosVocê é o dono desse mundo.
Max (Max Records) é um garoto solitário. Sua irmã é uma adolescente que prefere passar tempo com seus amigos e sua mãe é separada e trabalha desesperadamente para poder sustentar uma casa e três bocas. Pra lá de problemático, um dia Max perde o controle com sua mãe, que perde o controle com ele e o faz correr pelo bairro, encontrar um barco e fugir. Ele acaba chegando em uma ilha, onde vivem os monstros, e aprende uma lição fantástica.

Quando eu assisti ao “Inside de Movies” da Warner Channel sobre esse filme, eu acreditava que esse era um desses filmes bonitinhos, que servem tanto para crianças como para adultos de bom coração. Eu me enganei. Não é nada para crianças, como a Warner Bros. também parece ter percebido. Antes de mim, claro.
Esse parece ter sido um filme com diversas dificuldades. Ficou rondando por Hollywood por alguns anos até que o diretor Spike Jonze resolveu assumi-lo, ainda em 2005. Ele quase virou desenho nas mãos da Disney, quase virou computação gráfica e, no final, graças a Jonze, tivemos uma pessoinha de verdade e outras pessoas grandes com fantasias de monstros, o que dá ao filme um tom muito legal.
E como eu estava falando antes, esse com certeza não é um filme para crianças, apesar de ser baseado em um famoso livro infantil de mesmo nome. A questão é que os monstros, bem, eles tem sentimentos. Sentimentos muito fortes. E acabam sendo assustadores em certos momentos, legais em outros. O mais importante do filme é entender que esses monstros, como dá a entender a frase do cartaz (”existe um em todos nós”), que esses monstros na verdade são o próprio Max. São os fortes e problemáticos sentimentos que ele tem que surgem em cada um dos monstros.
Um deles, o Carol (sim, é macho, dublado por James Gandolfini), ama, mas não consegue manter perto; uma (KW, Lauren Ambrose) fala com corujas e acha que elas respodem de volta, outro (Alexander, Paul Dano) é o saco de pancadas; outra (Judith, Catherine O’Hara) tem acessos de raiva repentinos. Um deles (o Touro, Michael Berry Jr.) simplesmente observa e não fala nada. Um outro, é simplesmente simpático, e faz buracos nas árvores (Ira, Forest Whitaker) E por aí vai.
E é interessante assistir ao Max convivendo com todas essas suas facetas e tentando (com vários sentidos metafóricos) construir um ninho onde todos os monstros poderiam dormir juntos, como um monte de pelos. É muito interessante mesmo. Até porque não dá tão certo.
E eu não estou aqui para contar o final, portanto vou apenas dizer que a solução que o Max encontra para todos esses problemas é linda! E é exatamente a decisão de uma criança. Ele não toma atidudes falsas e adultas. E isso foi o que eu achei o destaque do filme. Ele mostra um garoto sendo realmente um garoto, durante todos os momentos.

Portanto, não é um filme engraçado, não é um filme para crianças. É um filme profundo, que faz pensar e feito para adultos, apesar de tudo.

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Onde vivem os Monstros - pijama de lobo

p.s.: a roupa de lobo que o Max usa durante o filme é fantástica. Nespoli, você precisa comprar uma dessas para sua filha.

Anticristo

domingo, 27 de dezembro de 2009

AnticristoEsse foi um filme que eu quis ver no cinema mas acabei não tendo a oportunidade. Quando chegou na locadora separei, escondi e não dexei ninguém levar para poder fazê-lo. O filme possui atributos que me fariam querer ver qualquer filme. Os principais: ser dirigido pelo Lars von Trier e protagonizado por Willem Dafoe. Pois então, mergulhei de cabeça na mente pertubada do Lars (dizem que fez o filme em uma crise de depressão) e saí abaladíssimo, como provavelmente ele esperava que eu o fizesse (”eu” o espectador, não “eu” o Ricardo, rs).

Anticristo conta a história de um casal – não nomeados - que perde seu único filho num acidente doméstico, o menino cai pela janela do apartamento em um momento de distração dos dois. Essa cena é muito bem retratada no belo trabalho de arte do prólogo do filme. O longa é dividido em prólogo, epílogo e capítulos, como um livro e como o Lars gosta de trabalhar. Pois bem, esse prólogo já é a porta de entrada para um univesso psicológicamente pertubador e tenso. Ela desmaia no enterro e tem uma crise mental muito grande o que a faz ser internada num hospital tomando remédios fortíssimos para mantê-la estável, já ele, um grande psicólogo, discorda dessa tratamente e decide levá-la (Charlotte Gainsbourg) para casa e pegá-la como paciente.

No meio do tratamento decide  levá-la ao Jardim do Éden, uma cabana no meio da floresta em que ela tinha passado seus últimos momentos com o filho. Ela utilizava o local para escrever seu último trabalho que tratava de feminicídio (assassinato de mulheres na idade média, que era algo corriqueiro) mas acabou tendo uma crise de imaginação e nunca o terminou. E é nesse ambiente inóspito que temos o desenrolar da trama do filme que está muito mais para um drama do que um terror. Lá o casal vive, em meio à lembranças, uma tentativa de superar a perda do filho e os traumas causados na cabeça de ambos só que muitas coisas acontecem e descobrimos que os problemas do Éden não se iniciaram com a morte do filho.

Sério, é muito engraçado como esse filme pode parecer o famoso clichê da casa mal assombrada que eu, exageradamente, critiquei em minha resenha sobre Evocando Espíritos‘. Mas não duvidem da inteligência desse excepcional diretor dinamarquês e vejam o filme preparado para tudo que ele vai lhe dar (provavelmente você nã estará preparado, acredite). Eu queria aqui discorrer mais sobre o filme, discutir tanto psicológicamente quando sobrenaturalmente o que o filme quer dizer ou mostrar, coisa que até agora não sei se pude compreender direito, mas o medo de falar demais sempre me emperra. Espero conseguir utilizar a área de comentários aqui embaixo para discutir com vocês o que acham sobre o filme.

As atuações de Dafoe e de Gainsbourg carregam o filme em vários momentos, até por que são os únicos atores da trama. A tensão entre os dois incomoda (do jeito que deveria ser) e te causa uma crescente angústia. Eu vou destacar certamente as cenas escatológicas e impressionantemente fortes que o filme mostra. Além do ‘prólogo’ supracitado que é uma obra de arte. Minha dica? Veja o filme… mas esteja preparado e não diga que eu não avisei.

Férias Frustradas de Verão

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Férias Frustradas de VerãoCom esse nome traduzido digno de filme de Sessão da Tarde chega uma obra sensível e engraçada de Greg Mottola, diretor de Superbad, e que realmente está fazendo uma reviravolta no modo de se fazer comédia adolescente nos EUA. O filme se passa no final da década de 80, precisamente em 1987 (esse que vos fala fazia um aninho de idade, rs), quando James Brennan (Jesse Eisenberg), recém formado – aparentemente no segundo grau, mas por vezes na legenda dizendo que é faculdade – recebe uma péssima notícia.

Em poucas palavras, sua família está com problemas financeiros e não poderá masi bancar a prometida viagem à Europa de presente de formatura, e pior, sua ida à Nova Iorque para estudar jornalismo (que por vezes, na legenda, é tratado como ‘pós-graduação’) está seriamente comprometida por falta de dinheiro e a saída para uma parcial resolução dos problemas é um trabalho de verão. James, como a maioria dos adolescentes, não tem nenhuma qualificação profissional – além de estudos de literatura e etc. - consegue apenas emprego num parque de diversões chamado Adventureland (o nome, mil vezes melhor, em inglês do filme).

É nesse parque em que os rumos da vida do rapaz irá mudar para sempre. Sim, ele encontra um grande amor e temos todas essas histórinhas dignas de um romance como Miojo bem enumerou ao resenhar o filme Sim Senhor. Mas como bem dito o interessante torna-se a forma de contar, e isso o diretor soube fazer com maestria. Utilizando de atores conhecidos e desconhecidos, uma fotografia muito bonita, uma ambientação da década de 80 muito bem feita e uma trilha sonora de dar inveja, Mottola conseguiu fazer um ótimo filme que tem tudo para ser bem admirado por pessoas de todas as idades.

No elenco temos, o já citado Eisenberg que é um ator muito interessante, já tendo participado com destaque do filme A Caçada, com o Richard Gere (e que se parece muito com o cliente da locadora onde eu trabalho, mesmo esse não concordando). Temos também dois dos mais novos ícones de Hollywood: Kristen Stewart, como Em Lewis, funcionária do parque e o tal grande amor (e sim, a Bella de Crepúsculo, que aparentemente só é má atriz no famoso filme de vampiros) e Ryan Reynolds como o “lendário” Mike Conell, que faz a manutenção do parque e é a paixão de todas as meninas, além de ter uma banda de rock.

Pois é, vejam o filme e se surpreendam com um resto de inteligência nas comédias românticas americanas. O destaque final vai para o casal de donos de Adventureland, Bobbye Paullete (Bill Hader e Kristen Wiig) que rendem as cenas mais engraçadas do filme.

PS: Não se assuste, no início do filme descobrimos que James é virgem e isso pode parecer por demais com American Pie, juro, não tem NADA a ver.

PS2: Aparentemente a história é baseada em fatos reais passados pela vida do próprio Mottola, diretor e roteirista do longa.

PS3: Desculpem o tanto de tempo sem postar, final de período tanto na minha faculdade quanto no mestrado do Miojo (não sei se chama período lá, mas é algo assim, rs)

Inimigos Públicos

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Inimigos PúblicosBem, não costumo fazer isso mas vou dedicar esse post a um amigo. Esse vai para o Gabriel Riva, ex- economista e futuro advogado, que não gostou de uma obra de arte como essa, rs. Agora é sério, esse é um filme como poucos. Um filme que conta uma história real, interessante, deveras violenta e o faz com uma sutileza e beleza difícil de imaginar. Um filme que se sustenta pela sua trilha sonora linda, pela fotografia e ambientação maravilhosas, pela direação firme de Michael Mann e principalmente por dois pilares de atuação, Johnny Depp e Christian Bale – além da ótima Marion Cotillard.

Pois então, acabei comentando minhas impressões sobre o filme antes de falar sobre ele própriamente dito, parece que estou fugindo do meu padrão hoje. É uma cinebiografia de um dos maiores bandidos da história dos EUA, John Dillinger (Johnny Depp) que juntamente com seu bando foi responsável por inúmeros roubos a bancos em várias partes do país, além de comandar e participar de fugas sensacionais de cadeia. Paralelamente a sua história conhecemos Melvin Purvis (Christian Bale), inspetor do Bureau of Investigation (aparentemente ainda não Federal) que é responsável para capturar Dillinger que ficou conhecido como o Inimigo Público Nº 1. Juntamente com essa caça vamos vendo a necessidade que se encontra de uma polícia federal (o futuro FBI 0 Federal Bureau of Investigation) e os jogos de bastidores responsáveis por essa mudança na história da segurança pública norte-americana.

A história, por si só, já é interessantíssima. Claro que não foge muito do comum, até porque é uma história da década de 40 baseada em fatos reais, e que já foi utilizada por muita gente para se criar ficções das mais variadas. Só que o filme vai além da história de gato e rato e mostra as relações humanas dessas pessoas, o amor de Dillinger pela jovem Billie (Marion Cotillard) e as consequencias desse amor. Vou ficando por aqui, recomendando a todos que vejam o filme mas não procurem apenas ação (apesar de ter cenas de ação FANTÁSTICAS, os efeitos sonoros e visuais são realmente de tirar o chapéu) e tentem encontrar beleza nas coisas mais comuns – essa é para você, Gabriel, rs. O destaque vai, com certeza, para a ambientação do filme, que além de te inserir numa época mostra o glamour de uma vida que passou e não volta mais.

A Onda

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A OndaDecidi conferir esse tão falado filme. É um tema que muito me interessa, mostra alguns aspectos psicológicos e sociológicos que eu costumo discutir e estudar. Bem, para quem não sabe, A Onda trata de uma história real acontecida na década de 60 na Califórnia quando um professor decidiu fazer um experiemento com seus alunos. Ao ensinar sobre autocracia (Estados ditatoriais, como o fascimo e o nazismo) ele resolveu levar as coisas um pouco na prática, e adotar um nome, um símbolo, um lema, uniformes, inimigos… Enfim, símbolos que remontam a um tempo que ninguém esperava que voltasse…

A primeira coisa ‘estranha’ desse filme é que ele é feito na Alemanha nos tempos de hoje. Completamente adaptado à realidade alemã e normalmente estamos acostumados com os americanos fazendo isso, tirando a identidade da história dos outros. Mas nesse caso isso acabou sendo razoavelmente bom, pois deu uma explicação plausível sobre o motivo do tal professor ter feito o experimento – não sei como é na história original, mas nessa ele resolveu pois seus alunos duvidaram que no atual estágio de desenvolvimento humano e depois de uma experiência terrível na Alemanha (o nazismo) uma nova ditadura seria possível. Rainer Wenger (Jürgen Vogel) – o professor, rockeiro, anarquista e querido por todos – começa então com regras rígidas de disciplina e coisas do tipo. À princípio alguns estudantes criticam o método, dentre eles Karo (Jennifer Ulrich) e Mona (Amelie Kiefer), a primeira já desiste logo nos primeiros dias e a segunda, por questionar, é expulsa da aula depois de alguns dias.

O movimento logo perde controle e a sensação de grupo e de fazer parte de algo maior do que eles acaba envolvendo a todos e a ‘contaminação fascista’ se alastra a várias pessoas da escola, não ficando restrita aos alunos da classe. Esse é um filme que não é feito de personagens muito marcantes, além das que se rebelam e de Tim (Frederick Lau)- um “nerd” que se envolve muito com o conceito da Onda (eu não expliquei, mas a Onda torna-se o nome do movimento) – os outros são apenas secundários num experimento que visa discutir a natureza humana. Uma coisa que se destaca, mas ainda não tenho certeza se pro bem ou pro mal, é a direção do estreante Dennis Gansel. Ele usa algumas técnicas que me lembram as que Gus Van Sant utiliza para transformas o filme em algo moderno e dinâmico, mas acho que focaliza muito a forma e se perde no conteúdo. Não sei se para mim ficou crível o bastante as coisas que acontecem em uma semana, e como a coisa toda é baseada em fatos reais, acho que a culpa dessa não credibilidade só pode ser do cara que tá contando a história.

Eu não costumo escrever coisas assim, em dúvida sobre o que eu achei, esses filmes eu costumo ignorar e não escrever nada, rs. Mas acho interessante compartilhar essa minha dúvida aqui com vocês, leitores, para ver se vocês me ajudam a elucidar esse dilema que tá na minha cabeça. Como já dito, eu não conheço a história original, e eu realmente não acredito que as coisas saíram do controle dessa maneira. No início do filme eles discutem motivos que poderiam levar a uma ditadura e citam problemas estruturais, de desemprego, pobreza dentre outros, mas esquecem (nunca lembramos) de citar problemas psicólogicos. E ao meu ver, as coisas só se tornam grandes como se tornaram, através de problemas psicólogicos de uns (ou um) personagem. Meu destaque vai sem dúvida para o desfecho dessa história que te deixa com o coração na boca, mas… sempre com uma ressalva que podia ser um pouco mais bem explorado.

Narradores de Javé

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Narradores de Javé“O sertão vai virar mar…”

Pois é, essas palavras são emblemáticas de um “avanço” do progresso brasileiro que destruiu e alagou toda uma sorte de territórios para se construir represas e ajudar uma pretensa maioria. O filme conta a história de um pequeno povoado fictício, chamado Javé, que será alvo desse “progresso”. Começamos a nos interar da trama de uma das formas mais batidas de todas mas sempre eficiente, um cara (Nelson Xavier) contando o “causo” para um grupo de pessoas.

Javé, como já dito, é um povoadozinho no meio do sertão nordestino que será alagado para se construir uma represa. Alguns líderes da comunidade se reunem com o governo e os engenheiros da obra e descobrem que a única maneira de parar a obra seria se Javé tivesse algo de muito importante, pois se tornaria patrimônio e não poderia ser mexido por ninguém. Aí que eles têm a idéia de escrever um livro sobre a cidade para colocar no papel todas as histórias que há muito são contadas. O problema a se resolver é que a maioria dali é analfabeta ou semi-analfabeta e um deles tem a idéia de chamar o malandro Antônio Biá (José Dumont) para escrevê-las. Biá é um dos únicos letrados do povoado só que possui a antipatia de todos depois de uma sacanagem que fez para manter o emprego (queria manter o correio onde trabalhava ativo e por isso saiu inventando carta de todo mundo contando histórias mentirosas e enviando).

Biá, de livre e espôntanea pressão, aceita a tarefa e começa a colher informações para o livro de “fatos científicos” que ele precisa escrever. E conhecemos a história desse povoado através das histórias (por vezes aumentadas) desse povo simples, pobre e que possuem apenas seu passado como legado. Obviamente não vou contar como o filme termina, mas ele é realmente muito bom, as histórias são em dados momentos muito engraçadas e em dados momentos muito emocionante. Na verdade emoção é algo que permeia o filme todo, um povo prestes a perder sua terra e que se agarra em uma única réstia de esperança consegue nos trazer às lágrimas só com o olhar.

As interpretações são um show à parte. Não sei se todos ali são atores ou existem pessoas mais humildes, porém todos eles conseguem ser o mais crível possível (e olha que eu já vivi no sertão do nordeste, sei do que to falando, rsss). José Dumont dá um show à parte, começamos a nos afeiçoar por  Biá que é um personagem marcante e com certeza já entrou para a história do cinema brasileiro. Aliás, esse foi um filme bastante premiado nacionalmente e internacionalmente com prêmios no Canadá, Bélgica dentre outros. O destaque vai para um excelente ator que faz uma pequena participação como parte do grupo de ouvintes do Nelson Xavier que é o grande Matheus Nachtergaele.