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O Guarda-Costas

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

“Você está pronto para morrer por mim?”

Um filme mais do que carta marcada nas nossas sessões vespertinas de filmes em TV aberta, O Guarda-Costas conta história de Rachel Marron (a estranha Whitney Houston), uma cantora muito famosa que está recebendo ameaças de morte. Ela, bobinha e com personalidade de estrelinha, acaba recebendo de mau gosto o guarda-costas Frank Farmer (Kevin Costner), que já havia protegido um presidente americano. Cheios de ego, os dois vão se entendendo durante o filme e acabam estando lá um para o outro na hora que o indesejado começa a acontecer.

Apesar do filme ter marcado a vida de quase todo brasileiro, ele não é lá tão bem visto assim pelo mundo. O IMDB, por exemplo, faz uma nota média de 5,2 com mais de 24 mil votos. A questão principal aqui é: o filme é um dos melhores filmes “ruins” que existe.
A história do filme é bastante clichê. Costner é todo caladão, sério e capaz, que bebe suco de laranja em trabalho e acha que está acima até da pessoa protegida para proteger a tal pessoa. Ela, é uma atriz metidinha que acha que pode tudo mas que não sabe nem que ameaças estão surgindo dentro da casa dela e sendo escondidas pelos seus assessores. Os seguranças normais dela, apesar de serem seguranças, fazem tudo menos isso.
Quando a trama começa a se revelar, várias coisas estranhas e talvez incoerentes começam a aparecer. Pessoas da família dela estariam envolvidas e até um antigo amigo de Costner acaba se metendo no meio de assassinos e invejosos. Em uma parte em que a normalidade é deixada de lado, todas as coisas se tornam possíveis e os laços perdidos da trama acabam sendo amarrados de maneiras que a gente nem imaginava.
O romance também não fica de lado, e é uma das coisas que mantém o filme rodando. Como o guarda-costas não pode se envolver emocionalmente com o cliente, a relação entre os dois muda de pacífica para nervosa e cheia de egos machucados durante boa parte do filme. O importante é que, no último momento, ela acaba seguindo os conselhos dele, e mais uma vez o mundo é salvo.

Um filme até divertido de se ver para lembrar os velhos tempos e se divertir com o sempre “inédito” das TVs abertas. Apesar de eu ter visto na HBO dessa vez. =)

Querido Frankie

terça-feira, 28 de outubro de 2008
Frankie não nasceu surdo. Foi um presente do pai dele.

Premiado muldiamente, Querido Frankie conta a história, na verdade, de sua mãe, Lizzie (a mais do que linda Emily Mortimer) que criou seu filho praticamente sozinha, com a ajuda da mãe aposentada. Eles vivem se mudando e o filme começa no final da empacotação e no início de uma nova viagem. Frankie (Jack McElhone) é um garoto surdo e muito inteligente. Seu pai, segundo sua mãe, é um marinheiro, que está sempre a navegar e nunca em casa.
Ele recebe cartas do pai esporadicamente e envia cartas para ele também. Mas na verdade, quem faz isso é a mãe dele. Desde que ele era muito novo. Como ela nunca quis que ele soubesse que o pai dele não era uma pessoa muito legal, manteve na mente do garoto a idéia de um bom pai, que está sempre lhe enviando selos de diversos países e livros sobre a vida marinha.

Ela mal sabe que Frankie é inteligente o suficiente para superar essas coisas. O filme mostra um ótimo garoto, que não gosta de falar muito por ser quieto e por não gostar muito da voz dele, provavelmente. O ponto chave do filme é que quando eles chegam na cidade nova, um novo amigo de Frankie descobre que o suposto navio de seu pai vai aportar na cidade. Lizzie então entra em desespero e, com a ajuda de uma nova amiga, acaba encontrando um homem (nada menos que Gerard Butler) para fingir ser pai do garoto.
Esse é um daqueles filmes que ficam na memória. Ele é realmente bom. A personagem de Emily é tão tocante. Ela tem feições tão inocentes e um amor tão grande pelo filho, que não tem nem a coragem de destruir a ilusão que criou mas tem o suficiente para impedir que seu ex-marido a encontre e volte a encostar em seu filho.
O filme, na verdade, é recheado de belos personagens. Frankie é único e se expressa muito bem sem utilizar a voz (apesar do ator não ser mudo de verdade). Os relacionamentos dele durante o filme são intrigantes e criativos.
Gerard Butler (que é chamado apenas de O Estranho na lista do elenco) mais uma vez mostra que veio para o cinema para ficar. Depois de 300 e PS: Eu te Amo, ele já mostrou que é capaz de fazer qualquer tipo de papel. Aqui ele se mostra um cara obscuro. O trato com Lizzie era não se envolver muito. Sem nomes. Apenas um pai para Frankie e depois ele partiria (pois o Estranho sim era marinheiro).
E ele faz muito bem. Na verdade, o papel dele esconde algo muito interessante até a última cena do filme. O que o torna um estranho bonito, enigmático e capaz de surpresas.
Um filme realmente belo, cheio de amor para dar e, mais uma vez, que surpreende nos personagens, os três principais. Muito bom.

Meu Pai Herói

domingo, 26 de outubro de 2008
O que você está fazendo? Em que diabos você estava pensando?

Essas frases devem ter soado na cabeça do cara que pagou 450 mil dólares para comprar os direitos autorais do filme homônimo francês e regravá-lo em inglês, logo que ele notou que a nova versão não seria nenhuma maravilha.
Meu Pai Herói conta a história de Nikki, uma garota de 14 anos que quer se achar uma mulher. Ela sai de viagem com seu pai (que é divorciado) para passar 10 dias em Bahamas. Lá ela inventa mil histórias para fazer Ben, o garoto por quem ela arruma uma quedinha, acreditar que seu pai André na verdade é seu amante e que ela é bastante crescida. Isso deveria impressioná-lo, mas as coisas ficam difíceis e quando seu pai descobre, ele acaba entrando nessa também e por aí vai.

Eu acabei vendo esse filme no Cinemax em uma sexta-feira a noite após o trabalho. Não tinha muito o que fazer. A prova disso é que acabei de assistí-lo e estou aqui, escrevendo sobre ele (N.d.E: a resenha foi escrita na sexta, mas colocada no ar apenas no domingo). E o filme não é bom. Realmente.
A única coisa que o filme fez de bom foi manter Gérard Depardieu no papel de André (já que foi ele que fez o papel na versão francesa). Mas não sei se vale vê-lo em um filme tão mais ou menos assim. Nikki é interpretada por Katherine Heigl (de Gray’s Anatomy), que na época tinha apenas 16 anos e já era bonitinha. O outro papel do filme, do garoto Ben, é de Dalton James (o Mark, de Barrados no Baile). Emma Thompson, que é a nova namorada de André e também finge ser adulta e não atende seus telefonemas, é uma bela atriz que nem foi aproveitada. Ela aprece só na última cena.
Não sei realmente o motivo para pegar um roteiro desse e refilmá-lo. É claro que é um filme bem americano e para crianças, adolescentes e tudo o mais. Mas crianças não precisam ver filmes retardados. Elas conseguem assistir filmes inteligentes sem problema algum. Vide os últimos desenhos que andam saindo por aí, cheios de moral, como Wall-E.
Bem, como vocês já repararam, o roteiro não é inteligente. Na verdade, como muitos filmes por aí, ele não é nem passível de se acreditar. Uma menina, que gosta de um garoto. Ok. Aí ela inventa pra ele que o pai dela é amante dele? E quando o pai dela descobre, ao invés deles esclarecerem as coisas, ele ainda entra no jogo e continua fingindo isso? Acho que não, heim.
A lógica aqui vai além das frescuras adolescentes. O mundo é não de conto-de-fadas assim. A garota tem 10 dias de férias. Se ela admitisse contar para o garoto assim que seu pai descobriu, eles ainda teriam metade disso para ficarem juntos e trocarem beijinhos. Mas por algum motivo nunca é assim. Ela fala que “não pode contar”, que “vai contar na hora certa” e ai espera até o último dia dela lá para fazer alguma coisa, pra ele ficar bravo, ela fazer alguma loucura de amor, eles se encontram no baile de noite e trocam 2 beijinhos, e pronto. Fim de papo.
Não sei se alguém vai ligar muito de eu ter falado demais aqui em cima, afinal, o filme não é bem um lançamento. Mas é porque hoje resolvi ficar irritado com a falta de criatividade em roteiros de filmes.