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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
obs: O nome oficial, em português, é “Paris, Te Amo”. Mas em francês é “Paris, Je T’Aime”, motivo para eu ter colocado o “Eu” no título dessa resenha e também para essa nota explicativa.
A primeira vez que assisti a esse filme foi há alguns anos atrás, em um festival de cinema francês no Cine Jardins, em Jardim da Penha (essa é pra quem mora em Vitória!). Aquela semana foi muito boa e vi 3 filmes que nunca esqueci.
Mas não estou aqui para falar dos 3! Apenas de Paris, Eu te Amo, que foi o que eu mais me apaixonei. Talvez por ele realmente te fazer amar os encontros e desencontros em que os curtas te levam.
Mas, peraí. Curtas? Para quem não conhece o filme, ele é feito de 18 curta-metragens dirigidos por diversos diretores (porque alguns são dirigidos por mais de um diretor!) e que foram feitos de uma maneira tão mágica, mas tão perfeita, que cada vez que um acaba e um outro começa, o seu coração dói de saudades, por saber que aquela linda história chegou ao fim.
Eu vou falar um pouco de cada um dos curtas mais abaixo, para dar uma opinião individual a cada um. Sou apaixonado por quase todos, e é por isso que essas opiniões gerais que estou dando antes são assim.
Vale dizer que aqui temos diretores não só franceses mas de todo o mundo, incluindo um brasileiro, como veremos mais abaixo. Além disso, temos atores do mundo inteiro também. Famosos atores de Hollywood participando por aqui, dividindo o idioma do filme entre francês e inglês de uma maneira bastante mágica. E acho que essa questão do idioma ganha muito destaque no último curta, que é como se uma americana, aluna de francês, estivesse lendo um texto sobre uma viagem que ela fez à Paris. É muito bom! Principalmente se você já fez aula de Francês e costumava escrever esse tipo de texto.
Então, concluindo a parte geral, digo que esse filme merecia 6 pipocas, mesmo alguns de seus curtas sendo malucos. Porque tudo se encaixa de uma maneira difícil de explicar. Assistam. Apenas assistam. Mas antes, seguem os curtas na ordem do filme:
Montmartre (Roteiro e Direção de Bruno Podalydès):
- Na primeira história temos um homem (interpretado pelo próprio diretor) em um estacionamento e pensa consigo mesmo sobre porque não agrada as mulheres. Sua reflexão para quando uma mulher (Florence Muller) cai na calçada e ele resolve ajudá-la.
- Bem. É já no final desse curta que você fica triste por não poder acompanhar mais esses personagens. É tudo tão bem feito, tão bem escrito e filmado que você consegue se sentir próximo dos personagens após pmeros 5 minutos! Mas a vida segue em frente, e Paris não pode esperar.
Quais de Seine (Roteiro de Paul Mayeda Berges e direção de Gurinder Chadha):
- Um jovem (Cyril Descours), acompanhando dois amigos que dão em cima de qualquer mulher que passa, tem sua atenção chamada para uma garota muçulmana (Leïla Bekhti), que o faz esquecer do resto do mundo.
- Não sei se é porque o garoto fez história, como eu, mas esse curta é muito legal. É como se os sentimentos dele fossem além da tela e chegassem até você. Você entende porque ele vai atrás dela. É muito bonito.
Le Marais (roteiro e direção de Gus Van Sant):
- O curta se baseia em uma conversa de um jovem (Gaspard Ulliel) com outr (Elias McConnell), onde o primeiro sente uma estranha atração pelo segundo, discutindo sobre almas gêmeas de uma maneira muito clara, sem saber que o outro simplesmente não entende bem o francês.
- Eu não fico muito à vontade com declarações de homem para homem, mas o curta não se trata bem disso. O cara apenas começa a expor um ponto de vista e vai falando sem parar, sem perceber que o outro cara não fala nada até o momento de ter que ir embora. É um curta bem legal.
Tuileries (roteiro e direção de Joel e Ethan Coen):
- Steve Buscemi é um turista americano em um metrô, vivendo uma comédia, cheio de dificuldades de entender o comportamento dos estranhos franceses.
- Primeiro, Steve é um cara muito engraçado. Ele acompanhando livro de guia para turistas em Paris é ótimo, e traduzindo as frases absurdas do cara que briga com ele. Segundo, os atores que contracenam com ele (Axel Kiener and Julie Bataille) fazem muito bem o seu papel e tornam esse um dos mais engraçados do filme.
Loin du 16e (roteiro e direção de Walter Salles e Daniela Thomas):
- Catalina Sandino Moreno é uma latina vivendo uma vida difícil na França, tendo de deixar seu bebê em uma creche para ir cuidar da casa de outra pessoa.
- Catalina me conquistou naquele filme Maria Cheia de Graça. Ela tem um jeitinho especial. Esse é o curta dirigido pelo Walter Salles e um dos mais emotivos do filme. A canção que Catalina canta para seu filho, “Qué Linda Manito”, é muito bonitinha.
Porte de Choisy (direção de Christopher Doyle e roteiro de Doyle com Gabrielle Keng e Kathy Li):
- Um vendedor de produtos de beleza (Barbet Schroeder) passa por algumas dificuldades tentando vender seus produtos em um salão para descendentes de asiáticos com uma dona que até luta artes marciais (Li Xin).
- Esse é o curta mais louco do filme, em minha opinião. Mas por mais sem sentido que ele possa parecer, ele não deixa de se conectar com os outros curtas e, no final, ainda tira um sorriso da sua cara.
Bastille (roteiro e direção de Isabel Coixet):
- Um homem se prepara para contar para a mulher que a está deixando por uma bem mais jovem, quando ela conta para ele que está com uma doença terminal.
- Esse é mesmo um dos mais bonitos de se ver. Muito comovente ver o personagem se reapaixonar aos poucos por sua mulher. A construção do curta é perfeita.
Place des Victoires (roteiro e direção de Nobuhiro Suwa):
- Uma mãe (Juliette Binoche) sofre com a perda de seu filho e recebe uma visita inesperada para ajudá-la a superar as dificuldades.
- Esse também é bastante triste, e fica completo com a fantástica Juliette Binoche na atuação. E é interessante como, mesmo todo francês, consegue misturar elementos americanos (e língua inglesa) nos seus poucos minutos de duração.
Tour Eiffel (roteiro e direção do especialista em animação Sylvain Chomet):
- Um garoto contando como seus pais (ambos mímicos!) se conheceram na prisão e se apaixonaram.
- Esse envolve diversos sentimentos (talvez bem no estílo mímico, mesmo). Ele é engraçado, com momentos bonitos, momentos tristes e momentos estranhos. No final, vale a pena.
Parc Monceau (roteiro e direção de lfonso Cuarón):
- Um homem mais velho (o grande Nick Nolte) se encontra com uma mulher mais jovem escondido de Gaspar, o qual está controlando demais a vida da probre moça. O que o público não imagina é que Gaspar os está esperando mais adiante.
- Eu não sei como eles fazem isso, mas você assiste esse curta sem nem ter idéia de quem é o Gaspar, que na verdade, é o que faz dar sentido a todo o diálogo que o homem e a mulher tem durante o passeio. Uma curiosidade aqui é que o curta foi feito sem cortes, em uma única cena. Fantástico.
Quartier des Enfants Rouges (roteiro e direção de Olivier Assayas):
- Esse é um pouco sem sentido para mim, mas outros podem ter captado a mensagem melhor. Maggie está ótima e tudo é bem feito, mas o final não me cativou. Mas ele continua encaixado com os outros curtas do filme.
Place des fêtes (roteiro e direção de Oliver Schmitz):
- Um nigeriano, morrendo devido a um ferimento de faca. Sua paramédica, entretanto, é a mulher por quem ele está apaixonado. Enquanto ela começa a se lembrar dele, entretanto, sua vida vai chegando mais perto do fim.
- Esse é mais um dos tristes. Mas não um triste romântico, e sim um triste um pouco revoltante. A história é triste, o final comovente. Mas é também um que precisa ser visto.
Pigalle (roteiro e direção de Richard LaGravenese):
- Um homem e uma mulher de certa idade se encontram em uma “casa de mulheres” e resolvem dar uma chance ao amor. O interessante é que eles são um casal, tentando reacender o relacionamento.
- Esse se passa todo em inglês. E é bastante engraçado. É algo como “o que não se faz para salvar um relacionamento de décadas?!” O importante é que, no final, o amor sempre vence (ixi, contei?).
Quartier de la Madeleine (roteiro e direção de Vincenzo Natali):
- Um turista (Elijah Wood) se apaixona por uma vampira, que ele encontra pelas ruas noturnas de Paris.
- Esse, junto com Porte de Choisy, são os que menos fazem sentido pra mim. Esse até faz mais sentido com as cenas finais, após o último curta (prestem atenção nelas!). Mas o legal aqui é que o curta é mudo e vive da encenação e da trilha sonora. Apesar de tudo, é engraçado.
Père-Lachaise (roteiro e direção de Wes Craven):
- Visitando o cemitério Père Lachaise, uma mulher (a maravilhosa Emily Mortimer) discute com seu noivo (o ótimo Rufus Sewell) que tenta fazer o possível para tê-la de volta.
- Esse curta é muito engraçado e bonito. É um dos meus preferidos (eu não falei isso ainda, falei?). Porque acho os dois atores muito bons, os diálogos são ótimos e o desenrolar, incluindo o clímax, são ideais.
Faubourg Saint-Denis (roteiro e direção de Tom Tykwer):
- Um jovem cego recebe uma ligação de sua namorada (que tenta trabalhar como atriz e interpretada pela linda Natalie Portman) e acha que ela está terminando com ele. A partir daí, ele reflete, amplamente sobre como o relacionamento começou e como ele parecia estar declinando com o tempo.
- OK. Natalie é perfeita e Deus permitiu que ela não abandonasse o cinema para estudar e trabalhar como uma pessoa comum. E eu não sei bem se tem a ver com o fato dela estar tentando ser uma atriz, no curta, e o outro personagem ser um garoto cego e muito inteligente e estudado, mas esse curta tem umas das melhores frases do filme. Estremamente profundo. O que ela fala para ele no telefone, eu coloco abaixo:
- “Escuta. às vezes… a vida exige uma mudança. Uma transição. Como as estações. Nossa primavera foi maravilhosa, mas o verão acabou. E deixamos passar nosso outuno. E agora, de repente faz frio. Tanto frio que está tudo congelado. Nosso amor dormiu, e a neve o tomou de surpresa. E se algo dorme na neve, não sente a morte chegar.”
Quartier Latin (roteiro de Gena Rowlands, direção de Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin):
- Um casal divorciado, de terceira idade, se encontra em um bar (cujo garçom é mantido por ninguém menos que Gérard Depardieu) para um último drink antes de assinar os papéis.
- Esse é mais um daqueles perfeitos. Eles simplesmente me comovem. É fantástico. O diálogo entre os dois não tem falhas. É uma tristeza, amarga, profunda, intercalada por piadas que só duas pessoas que se conhecem demais poderiam fazer uma com a outra, apesar do casamento estar condenado.
14e arrondissement (roteiro e direção de Alexander Payne):
- Carol (Margo Martindale), uma americana que está fazendo um curso de francês, lê uma carta durante a aula sobre o seu passeio por Paris. E o que vemos são as cenas do seu passeio, com sua narração de fundo.
- Não poderia haver um curta melhor para encerrar o filme. Esse aqui é perfeito. Martindale está perfeita em todas as suas feições e em seu Francês de quem ainda está no Básico 3. Sua história é tão triste e tão comovente, e o final é simplesmente tão profundo, que toda vez que assisto, quase derrubo uma lágrima. Simplesmente fantástico.
Quando todos esses curtas acabam, entra uma música linda de fundo e algumas cenas de finalização, mostrando personagens de curtas diferentes se encontrando, se abraçando, revelando elementos de suas histórias… vivendo sua vida em Paris. A verdade é essa. São vidas. Coisas que poderiam estar acontecendo nesse momento lá na França, capturadas para sempre nesse filme esplêndido. Não há palavras para descrever. Apenas pipocas. 6 pipocas.
Tags:Alexander Payne, Axel Kiener, Barbet Schroeder, Bruno Podalydès, Catalina Sandino Moreno, Christopher Doyle, Cyril Descours, Daniela Thomas, Elias McConnell, Elijah Wood, Emily Mortimer, Ethan Coen, Florence Muller, Frédéric Auburtin, Gabrielle Keng, Gaspard Ulliel, Gena Rowlands, Gérard Depardieu, Gurinder Chadha, Gus Van Sant, Isabel Coixet, Joel Coen, Julie Bataille, Juliette Binoche, Kathy Li, Leïla Bekhti, lfonso Cuarón, Li Xin, Maggie Gyllenhaal, Margo Martindale, Maria Cheia de Graça, Natalie Portman, Nick Nolte, Nobuhiro Suwa, O Cavaleiro das Trevas, Oliver Schmitz, Olivier Assayas, Paris Je T Aime, Paul Mayeda Berges, Richard LaGravenese, Rufus Sewell, Steve Buscemi, Sylvain Chomet, Tom Tykwer, Vincenzo Natali, Walter Salles, Wes Craven
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Com esse nome traduzido digno de filme de Sessão da Tarde chega uma obra sensível e engraçada de Greg Mottola, diretor de Superbad, e que realmente está fazendo uma reviravolta no modo de se fazer comédia adolescente nos EUA. O filme se passa no final da década de 80, precisamente em 1987 (esse que vos fala fazia um aninho de idade, rs), quando James Brennan (Jesse Eisenberg), recém formado – aparentemente no segundo grau, mas por vezes na legenda dizendo que é faculdade – recebe uma péssima notícia.
Em poucas palavras, sua família está com problemas financeiros e não poderá masi bancar a prometida viagem à Europa de presente de formatura, e pior, sua ida à Nova Iorque para estudar jornalismo (que por vezes, na legenda, é tratado como ‘pós-graduação’) está seriamente comprometida por falta de dinheiro e a saída para uma parcial resolução dos problemas é um trabalho de verão. James, como a maioria dos adolescentes, não tem nenhuma qualificação profissional – além de estudos de literatura e etc. - consegue apenas emprego num parque de diversões chamado Adventureland (o nome, mil vezes melhor, em inglês do filme).
É nesse parque em que os rumos da vida do rapaz irá mudar para sempre. Sim, ele encontra um grande amor e temos todas essas histórinhas dignas de um romance como Miojo bem enumerou ao resenhar o filme Sim Senhor. Mas como bem dito o interessante torna-se a forma de contar, e isso o diretor soube fazer com maestria. Utilizando de atores conhecidos e desconhecidos, uma fotografia muito bonita, uma ambientação da década de 80 muito bem feita e uma trilha sonora de dar inveja, Mottola conseguiu fazer um ótimo filme que tem tudo para ser bem admirado por pessoas de todas as idades.
No elenco temos, o já citado Eisenberg que é um ator muito interessante, já tendo participado com destaque do filme A Caçada, com o Richard Gere (e que se parece muito com o cliente da locadora onde eu trabalho, mesmo esse não concordando). Temos também dois dos mais novos ícones de Hollywood: Kristen Stewart, como Em Lewis, funcionária do parque e o tal grande amor (e sim, a Bella de Crepúsculo, que aparentemente só é má atriz no famoso filme de vampiros) e Ryan Reynolds como o “lendário” Mike Conell, que faz a manutenção do parque e é a paixão de todas as meninas, além de ter uma banda de rock.
Pois é, vejam o filme e se surpreendam com um resto de inteligência nas comédias românticas americanas. O destaque final vai para o casal de donos de Adventureland, Bobbye Paullete (Bill Hader e Kristen Wiig) que rendem as cenas mais engraçadas do filme.
PS: Não se assuste, no início do filme descobrimos que James é virgem e isso pode parecer por demais com American Pie, juro, não tem NADA a ver.
PS2: Aparentemente a história é baseada em fatos reais passados pela vida do próprio Mottola, diretor e roteirista do longa.
PS3: Desculpem o tanto de tempo sem postar, final de período tanto na minha faculdade quanto no mestrado do Miojo (não sei se chama período lá, mas é algo assim, rs)
Tags:Adventureland, Bella, CrepúSculo, Hollywood, Kristen Stewart, Mottola, Ryan Reynolds, Steimberg, Superbad
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domingo, 12 de julho de 2009
Tá aí um filme que eu demorei uma cara para assistir. Não sei se por preconceito ou por qual motivo eu achava que não ia gostar, que era um filme bobo e que não merecia ser visto, mas com todo o falatório eu precisava matar a curiosidade e acabei pegando para ver. Para não criar uma ansiedade exagerada em vocês deixa eu falar logo, estava totalmente errado e adoreeeei o filme, rs. Não que seja um filme profundo cujos ensinamentos você deve levar para a vida, mas é muito divertido e em dados momentos até emocionante.
O filme conta a história de um casal, John (Owen Wilson) e Jennifer Grogan (Jennifer Aniston), à partir do casamento deles. Os dois são jornalistas e se mudam para a Flórida para fugir do frio de Nova Iorque (inventei ou é lá mesmo?), ela arruma um emprego como repórter e ele como colunista. Bem, o diferencial dessa história aparece quando John resolve comprar um cachorro (com o objetivo de não ter um filho, rs), um filhote de labrador chamado Marley, que vai mudar de vez a vida da família. Marley é um cão extremamente bagunceiro mas completamente cativante. Tá, tentando escrever sobre o filme eu vejo que ele não passa disso, a vida de uma família com seu cachorro engraçado, rs, mas é contado de uma forma muito legal e te prende ao filme do início ao fim, além de você sair com a sensação de fazer parte daquela família.
Tá, to escrevendo aqui a resenha e ia citar quem escreveu o livro no qual ele foi baseado e falar um pouco sobre disso e… descobri agora que o livro foi escrito por um tal de… John Grogan, sim, eu não sabia que era baseado em uma história real. Eu ia contar como eu tive um primeiro acesso ao livro, que foi há alguns anos voltando de viagem de Salvador na época do caos aéreo. Eu esperei algumas horas no aeroporto e me diverti a maior parte do tempo com uma menina (muito bonita) lendo um livro e rindo muito, tive de perguntar para ela do que se tratava e sim, era o Marley e Eu. Depois disso NUNCA mais ouvi falar, nem sabia que era um best seller, até ouvir falar do filme, enrolar para ver e… o resto eu já disse.
Mas então, acho que essa resenha está se tornando uma coisa muito mais pessoal do que propriamente uma resenha, então deixa eu tentar remediar isso. Primeiro, gosto muito do Owen Wilson e acho que ele faz o que deve ser feito. Já a Aniston, fora o carinho que eu tenho por causa de Friends, acho que ela é uma atriz no máximo razoável. Mas os personagens acabaram funcionando, completamente crível (e olha que ela é linda e ele tem aquele nariz) desde os momentos apaixonados até os momentos de brigas. Ahn, tem um detalhe também que o filme é dirigido pelo David Frankel, mesmo diretor de O Diabo Veste Prada, e faz um bom trabalho. O filme tem um UP incrível quando aparecem os filhos do casal (ao todo são três), afinal tudo vira uma confusão, um cachorro que destrói TUDO e três crianças novinhas, pois além de propiciar cenas das mais bonitinhas mostra a dificuldade de convivência de um casal com tanta ‘dificuldade’ (tá virando pessoal denovo, rs). Acho que eu nem tenho muito o que falar, o filme vale muito mais pelas cenas que ele propicia, afinal Marley é um cachorro sensacional (o pior cão do mundo). O destaque vai obviamente pro final e pras muitas lágrimas que eu (e todo mundo que eu conheço) derramei com o filme.
Tags:Aeroporto, best seller, Casamento, Jennifer Aniston, John Grogan, Marley, Marley e Eu, Owen Wilson, pior cão do mundo
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terça-feira, 7 de julho de 2009
Vou dizer mais uma vez que o cinema brasileiro precisa investir em filmes como esse. Despretensioso, engraçado e que cativa qualquer um que assiste. Não que filmes profundos e críticos, que avaliam a sociedade brasileira sejam ruins. Mas porque o cinema foi feito para muito mais do que isso. Foi feito para todos os tipos de roteiro. E isso não desvaloriza nossa capacidade de lançar filmes decentes no mercado.
A Mulher Invisível conta a história de Pedro (Selton Mello), um cara super romântico que vê sua mulher indo embora com um alemão rico. Na depressão, ele cria uma mulher imaginária, Amanda (Luana Piovani), que será perfeita para ele até tentar separá-lo de seu melhor amigo, Carlos (Vladimir Brichta), e de uma mulher real, Vitória (Maria Manoella), apaixonada por ele. Então, entram os dilemas. Mais ou menos isso aí =)
Bem. A Mulher Invisível me impressionou de diversas maneiras. A começar pela trilha sonora. Não é uma trilha sonora típica em filmes brasileiros, ela é bem mais americana, internacional. Não de uma maneira ruim. Algumas músicas do Ramones e outros psp/rock dão uma cara bem divertida ao filme e valorizam a imagem dele.
Apesar de ser um filme um pouco típico, fortemente dentro de alguns padrões de comédias românticas, seu roteiro também é muito bem trabalhado. São diversos elementos existentes em cada momento do filme que se encaixam com outros e vão dando abertura para o que ainda está por vir. Todas aquelas coisas, para quem viu o filme, que levam Pedro a começar a achar que Vitória também não existe são um exemplo disso. As coisas vão se encaixando de uma maneira que você percebe (a partir do momento que você entende o que o filme quer passar), mas que não deixam de te fazer rir, e bastante.
E o ponto forte do filme é esse. Você ri o tempo todo, principalmente se for um fã do humor fantástico de Selton Mello. Eu fui conhecer sua habilidade com as piadinhas no seriado Os Aspones e tenho os sete episódios até hoje, como uma prova do que nossos artistas mais do que qualificados são capazes de fazer.
Em A Mulher Invisível, por sinal, ele não é a única estrela. Luana Piovani provavelmente usa mais suas habilidades corporais do que teatrais e chama atenção com seu corpo fantástico. Quase sempre de calcinha e sutiã, as vezes de vestidos curtos, aparece também cm shortinhos e bluas bem decotadas. Tirando quando ela usa langerie de couro. Ótima atuação. Vladimir Brichta surpreende com um papel divertido, abusado e sentimental.
Na verdade, o lado sentimental do filme é bastante profundo. Não é uma coisa muito boba. Mexe com o lado apaixonado, com as dificuldades de se entregar a alguém, com verdadeiras amizades e respeito.
Para mim, é um filme com muito poucos defeitos e que acertou em cheio no padrão de filme que leva os casais para o cinema, mesmo as namoradas sabendo que a Luana Piovani será o centro das atenções dos namorados por boa parte do filme.
Além disso, um filme muito capaz de emplacar lá fora do Brasil. Não é um filme para premiações, e sim um filme para assistir, gostar e rir, como disse o diretor e roteirista Cláudio Torres, que já apostava nessas áreas atípicas do cinema brasileiro em Redentor e no seriado da HBO, Mandrake. Parabéns.
Tags:Amanda, Americana, Cinema Brasileiro, Cláudio Torres, Ela, Feito, Filme, Foi, Humor, Indo, Luana Piovani, Mandrake, Maria Manoella, Mulher, O Tempo, Os Aspones, Precisa, Psp, Redentor, Selton Mello, Sociedade Brasileira, Todos Os, Trilha Sonora, Vladimir Brichta
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Uma outra versão por Miojo.
Recentemente eu andava com a idéia de que eu não devia comentar os filmes que o Miojo já comentou. Sei lá, acho que vocês já se cansaram de ler sobre o assunto e realmente não iam dar muita moral pro que eu escrevesse aqui. Mas aí eu vi esse filme e mesmo tendo um montão na lista de espera eu fiz questão de escrever algo sobre ele, afinal, foi o filme que ganhou o Oscar e eu não podia deixar barato, rs.
Pois bem, a história provavelmente o mundo todo sabe e eu que demoro demais para ver as coisas só fiquei sabendo agora. Então, o filme conta a história de três indianos, desde criança até o derradeiro momento que mudará a vida de todos. A história é centrada principalmente em Jamal Malik (Dev Patel), irmão de Salim Malik (Madhur Mittal – coinscidências da vida, o nome do personagem é o apelido do meu sogro e o nome do ator é o mesmo nome do indiano dono da maior siderúrgica do meu estado, rs) e eterno apaixonado por Latika (a perfeitamente linda Freida Pinto) – sim, esses são os três indianos supracitados . Vemos o filme do ponto de vista de Jamal pois esse está participando do programa “Quem quer ser um milionário?” que vale 20 milhões de rupias, e incrivelmente respondeu sem errar todas as questões até a de 10 milhões e a pergunta final ficou pro outro dia.
A gente acompanha a vida dessas três pessoas e como elas se cruzam conforme as coisas acontecem, e tudo isso contado pelo Jamal que está sendo interrogado (e torturado) pela polícia indiana para descobrir se ele está fraudando o programa ou não. É uma forma espetacular de se contar o filme (mesmo o flashback sendo algo mais do que batido) porque vai aos poucos matando a curiosidade de todos que querem saber COMO um favelado muçulmano da Índia conseguiu chegar tão longe no programa. Aí eu paro na sinopse do filme, por que o resto é apenas música para os ouvidos, é lindamente sublime você ligar todas as coisas e ir vendo a dura realidade de um país que pro lado de cá só sobra as riquezas e as danças. Ponto para o Danny Boyle (excelente diretor de filmes como Trainspotting e Sunshine) que consegue, sem gastar muito dinheiro, contar essa história fantástica para nós.
Acho que além do Boyle quem tá de parabéns no filme é o responsável pelo casting que não procurou atores “de verdade” para realizá-lo e sim atores da própria comunidade e isso dá um grande toque especial para o filme (mais ou menos como visto no clássico brasileiro Cidade de Deus que, especula-se, teve uma forte influência na forma de se contar o “Quem quer ser um milionário”). Vou confessar que até agora eu só enrolei e é agora que eu quero dar um veredicto final, que aposto que vai doer em muita gente, rs. Galera, filme lindo, bonito, emocionante, especial, baratinho (e por isso surpreendente) mas… é… assim… ganhar o OSCAR? Ces tão rindo do meu cabelo, né? rs… Gente, Benjamim Button é um dos filmes mais brilhantes que eu já vi, na verdade acho que até O Leitor é mais filme do que esse, sendo que eu ainda nem vi os outros dois. Portanto, na minha opinião, como bem disse Otavio Almeida no Hollywoodiano, essa onda de otimismo pós-Obama com certeza levou esse filme ao topo do mundo cinematográfico.
Espero que essa minha conclusão não tenha tirado o brilho que eu acho que o filme merece ter, mas sinceramente, senão fosse um filme inglês com o Boyle de diretor também não teria ganho nada (eu, “bairristícamente” (neologismo) ou não acho Cidade de Deus do mesmo nível ou até melhor, mas um filme tupiniquim dirigido pelo Fernando Meirelles tá longe ainda de ser considerado um “oscárizável” pela conservadora Academia). Claro que o destaque final vai para Jai Ho e a incrível dança na estação de trem do final, mas vou dar um mini destaque (destaque bizarro, rs) ao DVD que eu vi que no Menu Principal me vem com apenas UM incrivel extra chamado”A Galinha Pintadinha, vejam e divirtam-se. Até mais povo.
PS: Esse ‘PS’ é super importante, principalmente para aqueles que acompanham o blog e sabem da minha falta de critério e como eu dou nota máxima para todo mundo. É o seguinte, eu não vou estar dando nota máxima para esse (mesmo que na minha falta de critério ele mereça) apenas para mostrar o quanto eu achava que ele não deveria ter ganho o Oscar, esquecendo esse fato ele teria as mesmas cinco pipoquinhas de todos os filmes que eu acho muito bons, rs.
PS2: Gente, eu sei que tem uma fila ENORME de pedidos à resenhar e o fato da gente não tê-los postado deve desanimar vocês a pedirem, mas saibam que a gente não esqueceu nenhum deles, é que estamos com uma enorme falta de tempo, além de estarmos em um mês que nas locadoras chegam todos os filmes bons, por isso não to conseguindo me concentrar, rs. Juro que em breve nos deburçaremos no trabalho de resenhar os pedidos, desculpe a demora. Agora tchau mesmo, rs.
Tags:Cidade de Deus, Danny Boyle, Dev Patel, Freida Pinto, Galinha Pintadinha, Índia, Jai Ho, Jamal Malik, Madhur Mittal, Oscar
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domingo, 21 de junho de 2009
Então, em que dia você está?
Caleb Holt (Kirk Cameron) é um bombeiro que, apesar de ser respeitado em todos os lugares, por salvar a vida de outras pessoas, não encontra dentro de casa a mesma dedicação, onde passar por dificuldades no casamento. Sua mulher, Catherine Holt (Erin Bethea) pede separação e então ele entra em uma jornada de 40 dias para tentar salvar a relação.
À Prova de Fogo é mais um filme da Sherwood Pictures, uma produtora americana criada por uma igreja batista. Sendo esse seu terceiro filme, os outros dois foram Desafiando Gigantes e Flywheel, o filme de estréia.
Como é um filme que vem de uma produção completamente evangélica, com diretores, roteristas (os irmãos Alex Kendrick e Stephen Kendrick) e também atores (muitos voluntários), era de se esperar um conteúdo bastante religioso também. Mas isso não impede que seja um filme interessante.
Começamos então pela analogia feita entre o bombeiro e o casamento dos dois. Caleb ama ser um bombeiro e entre sua vida a sua profissão, mesmo sabendo que pode perder tudo, mesmo sabendo que vai passar pelo fogo para poder salvar vidas. Teóricamente, também assim é o casamento, onde você se entrega por completo, mesmo sem saber o que os dias seguintes vão trazer e sabendo também que você vai passar pelo fogo um dia ou outro para salvar sua relação.
Mesmo com as semelhanças, Caleb prefere se dedicar ao trabalho do que a entender o que acontece dentro de sua própria casa e não compreende o quão mal ele trata sua mulher, que pede divórcio ainda no começo do filme. Quando ele começa a desabafar sobre o assunto, acreditando que sua mulher é que está sendo insensata e desrespeitosa, acreditando que seu casamento realmente acabou, seu pai pede para ele manter o casamento por mais 40 dias, para que ele faça “um curso”, que seria enviado por correio. Esse é o ponto interessante do filme.
O “curso” é um caderno de anotações, escrito por seu pai (que também já tinha enfrentado problemas no casamento) com lições diárias, por 40 dias, de pequenas coisas para se fazer e observar, na tentativa de reformular a relação com o conjugue.
Então, esse “Desafio do Amor”, como eles chamam, é uma verdadeira aula de como coisas pequenas podem significar muito em um namoro, ou um casamento. Realmente, as pessoas não precisam de coisas grandes. Um pequeno ato como preparar o café da manhã pode significar muita coisa. E isso seria muito bem visto em qualquer filme de romance ou drama.
As questões mais complicadas surgem quando entra a parte religiosa do filme. Problemas no relacionamento todo mundo tem, mas não é todo mundo que está disposto a ver um filme que tenta te converter ao cristianismo.
Eu, mesmo sendo um cristão, acho muito forçado esse lado missionário. Na verdade, algumas partes do filme me fazem lembrar daquelas peças de teatro que você vê em alguma igreja. Umas falas MUITO típicas e pouco criativas. A mais clássica é quando Caleb está pensativo sobre seu casamento e seu colega de trabalho, Michael (Ken Bevel), aparece com sua mulher, aos beijos e sorrisos dizendo coisas como “Ah, eu estarei lá, querida. Você sabe que eu não deixarei o meu filho na mão!” como um bom pai e marido cristão deve ser. Nesse momento, me senti mesmo em um banco da igreja vendo uma peça de teatro. Até porque como falei, muitos atores são voluntários da igreja. E esse foi o primeiro filme do senhor Bevel.
Considero isso um ponto fraco não porque eles tem um posicionamento bem específico, porque isso eles deixam claro desde o início e é o objetivo deles. O problema, para mim, é o óbvio, o roteiro fraco e batido quando entramos nessa parte. É sempre uma pessoa com problemas, cercada de pessoas cristãs caridosas que estão tentando mostrar para ele a todo o momento que Deus é bom e o ama incondicionalmente. Acredito que existem maneiras melhores de mostrar isso do que esse padrão repetido em todos os lugares e que já tem até uma imagem um pouco depreciada fora da igreja.
Numa soma, entretanto, acredito que o lado romântico/dramático do filme fala mais alto e o Desafio do Amor em 40 dias é algo que todo mundo deveria levar em consideração. E se você levar a parte religiosa do filme como mais uma parte do filme, e não como um todo, você percebe que as coisas se encaixam e dão ao filme uma nota legal, tipo um 7, que preferi reverter em 3 pipocas do que em 4.
Tags:Alex Kendrick, Ama, Bethea, bombeiro, Caleb, Casamento, cristão, desafio, Holt, Igreja Batista, Kirk Cameron, Produtora, religioso, Sherwood, Stephen Kendrick, Sua Vida
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Woody Allen é genial (ponto final). Eu poderia parar aqui qualquer comentário sobre qualquer filme desse pequeno (de tamanho, e sim eu adoro essa piada e sempre vou fazê-la quando falar dele, igual quando falei de Noivo neurótico, noiva nervosa) diretor novaiorquino. Mas não vou, por que realmente seria uma sacanagem com vocês, rs. Quando eu digo que dava pra parar por aí é por que o filme dele não merece ser explicado em palavras, na verdade é até muito difícil, pois o enredo que norteia o filme é o de menos, mas deixa eu tentar um pouco.
Nesse filme conhecemos duas turistas norte-americanas em férias em Barcelona. Uma delas é Vicky (Rebecca Hall), noiva de um almofadinha, estudante de arte catalã (é engraçado que nos EUA toda riquinha estuda Artes, aqui é tão diferente, rs) e que vai à Barcelona estudar um pouco da arte local para escrever uma tese. A outra é Cristina (Scarlett Johansson), bon vivant no sentido estrito da palavra, ligada também à arte (dirigiu um filme de 12 minutos, atuou nele, mas achou uma porcaria depois de publicado) e que vai à Barcelona se divertir e curtir coisas novas, inclusive sexualmente dizendo. As duas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor catalão, que as convida à viajar para um pequeno vilarejo espanhol (para se conhecerem e fazerem amor), no que Cristina aceita de prontidão (apesar dos protestos de Vicky). Tem-se início a um triângulo amoroso que se torna mais confuso ainda com a chegada da ‘apaixonada’ (no sentido mais amplo da palavra) Maria Elena (Penélope Cruz), ex mulher de Juan Antonio.
Esse é o enredo que norteia o filme dito anteriormente, rs. Mas como eu disse também, isso é realmente o de menos no processo de contemplar o filme. É muito mais importante você se deliciar com a beleza da arte espanhola, a arquitetura de Barcelona, as peculiaridades de Oviedo (é isso? o vilarejo…), os diálogos crus e inconfundíveis, além das várias formas e expressões de amor que são visualizadas. Também é impossível não se deliciar com as atuações do quarteto principal do filme: Scarlett Johansson é linda, sexy (mesmo sem precisar ser) e talentosíssima, faz o papel perfeito (e ninguém tira da minha cabeça que ela é a representação do Woody em seus novos filmes); Rebecca Hall, para mim uma grande surpresa se dá muito bem no que lhe é proposto e passa as angústias de se ser uma ‘burguesinha’ americana longe do conservadorismo de sua terra natal; Javier Bardem é um dos melhores atores da atualidade, consegue ser charmoso (mesmo não sendo bonito) e forte, já vi fazendo dos mais diversos papéis como um assassino desalmado, um tetraplégico desesperançoso e um operário desempregado e em cada um se entrega magistralmente, parabéns! E depois do puxa saquismo agora vai uma celebração à atriz que ganhou um dos “Oscars” mais merecidos do ano, Penélope Cruz. Que genialidade, que atuação fantástica, Maria Elena é um prato cheio à qualquer atriz com suas reações histéricas, com sua sensualidade quase que sem querer, e Penéope aproveitou o papel que ganhou de presente e provou que tem MUITO (e bota MUITO nisso) talento.
Acho que vou ficando por aqui, às vezes eu acho que eu faço algumas resenhas muito mais para ficar elogiando os filmes, atores e diretores envolvidos do que qualquer outra coisa. Ahn, e o destaque final vai ficando para o beijo de Maria Elena e Cristina, rs, brincadeira. O destaque vai mesmo para a música-tema do filme chamada ”Barcelona”, do grupo “Giulia & Los Tellarini” que é linda e não sai da cabeça, ouça aqui.
Tags:Arquitetura, Beleza, Cristina, De Oviedo, Delas, Dito, E Sim, Espanhola, Isso, Javier Bardem, Maria Elena, Mulher, Palavra, Penelope Cruz, Pra, Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Tese, Vicky, Woody Allen
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domingo, 17 de maio de 2009
Tags:Amorim, Brasil, Cinema Nacional, Deus, Duas Pessoas, Fernando Meirelles, Os Problemas, Romance, Romances, Senhor, Viggo Mortensen, Wagner
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Um jovem é levado à delegacia por suspeita de fraude. Ele havia ganhado 10 milhões de rubis em um programa chamado “Quer quer ser um milionário?” e voltaria no dia seguinte para disputar 20 milhões. Após ser torturado e não revelar fraude alguma, recebeu a oportunidade de contar como ele sabia as respostas. É aí que somos presenteados com a história mais bela e fantástica do ano.
Jamal Malik (Dev Patel) é o nome do jovem. A história se passa na Índia atual e envolve, de uma maneira muito bonita, as diversas dificuldades passadas por pessoas pobres naquele país. Nós sabemos que miséria e tristeza existem em todos os lugares, mas uma história como essa, que tem seus fragmentos unidos pelo destino (uau!) toca o coração de qualquer um.
Na delegacia, em resposta ao policial , o jovem assiste ao vídeo da apresentação e vai respondendo, pergunta a pergunta, como que ele sabia as respostas. Assim, sua vida é dividida em momentos. Todos eles com elementos profundos e tocantes. Alguns com partes engraçadas, pois a vida não é feita só de sofrimento.
A escolha de Danny Boyle (o diretor) em fazer um filme na Índia foi muito boa. O país está vivendo um momento marcante no exterior e a novela brasileira está aí para mostrar que isso é verdade também. A fotografia é muito bem trabalhada, apostando não só em elementos clássicos (como as cenas no Taj Mahal) mas também no diferente, como as cenas na gigantesca favela onde Jamal morava quando menor.
Boyle, conhecido por trabalhos como A Praia e Extermínio deu uma caprichada nesse filme que teve como orçamento 15 milhões de dólares, ou seja, nada comparado a O Curioso Caso de Benjamin Button, que gastou cerca de 10 vezes mais. Além disso, aproveitou o talento local e utilizou no filme um grande número de crianças e jovens indianos que são um verdadeiro exemplo de que talento não se limita a Hollywood.
Por fim, um roteiro merecidamente premiado, que começa de maneira tensa, violenta, e com o tempo começa a intercalar com momentos de apreensão e de nervosismo enquanto Jamal avança pelo programa, ganhando milhões e milhões. As cenas do programa, muitas vezes, provocam tanta apreensão quanto as histórias passadas de nosso protagonista, impedindo assim que a sensação do filme se perca durante a apresentação.
Admito que sai do cinema ainda achando que Benjamin Button seria capaz de vencer esse aqui (disse isso no post dos vencedores do Oscar 2009), mas entre a saída do cinema e o início do Oscar o filme foi fazendo seu efeito. Nos momentos do tapete vermelho, vi uma tentativa de entrevista com as crianças do filme. Não dava para entender porque todos falavam ao mesmo tempo, com sorrisos estampados na cara de quem pouco imagina ir como representante de um filme no Oscar. Acho que isso me ajudou a apostar mais ainda no filme =)
Tags:Danny Boyle, Favela, Fotografia, Hollywood, Jamal Malik, Morava, O Curioso, Policial, Taj Mahal, Trabalhos
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Para a visão de Nespoli, clique aqui.
Para outra visão, aqui.
Kevin, você quer jogar “pedra, papel e tesoura” de novo?
Peg (Dianne Wiest), uma vendedora de Avon, não está conseguindo vender muita coisa. Ela vive em uma comunidade assustadoramente igual, padronizada na Flórida e conhece todas as mulheres. Assim, se vê no desespero e resolve ir em uma mansão, meio abandonada e assustadora no alto de um morro que fica no final do “condomínio” de casas. Lá, ela encontra um rapaz de nome Edward (Johnny Depp). Ele, que não é humano e foi criado pelo Inventor, perdeu seu “pai” e passou a viver sozinho no casarão. Edward traz tesouras no lugar das mãos e Peg resolve levá-lo para casa, onde ele passa a enfrentar a beleza e a tristeza de ser diferente.
Primeiro filme (dos atuais seis) da dupla Tim Burton e Johnny Depp, Edward Mãos de Tesoura é um sucesso da Sessão da Tarde no Brasil e está marcado na memória de grande parte da população como um lindo e maravilhoso filme sobre um estranho cara com tesouras no lugar das mãos.
Eu mesmo achava que me lembrava bem do filme até comprá-lo recentemente por 14,90 e assistí-lo, deliciado, em uma parada manhã de sexta-feira. Lembro-me que enquanto assistia, a Eni (que trabalhava aqui em casa e ainda volta de vez em quando) falou “Você comprou esse filme?” Quando respondi que sim, ela terminou “esse filme é lindo”. E realmente é.
Ao assistí-lo, finalmente entendi porque esse filme não é infantil. Havia anos (talvez uma década) que eu tinha assistido e só agora pude compreender os significados por trás de quase tudo aquilo, o tipo de coisa que crianças deixam passar direto.
Para começar, o bairro de Peg e sua família (Kevin, Robert Oliveri, Kim, Winona Ryder, e Bill, Alan Arkin) são padronizados. A imagem que nós temos dos americanos de cabeça fechada. Um bairro reto, com casas iguais (até nas cores: vermelho, verde, amarelo, azul; vermelho…) em ruas iguais. O pai é o trabalhador, a mãe vende Avon para as amigas, a filha viaja com os amigos e com o namorado e o filho brinca feliz no quintal, onde há uma churrasqueira para os finais de semana.
O contraste da mansão abandonada onde Edward vive é mais do que evidente. No final da rua de Pen, que é sem saída, acabam as casas bonitinhas e coloridas e começa um morro com grandes e fechadas árvores escuras. A mansão é negra. Porém, seu quintal é recheado de plantas bem cordadas. Até a cor verde do mato lá da mansão é mais viva que o verde do mato do bairro, plastificado, moldado.
Isso mostra uma coisa muito óbvia: o diferente. Edward é o diferente e uma sociedade moldada com certeza não saberia viver com isso. Tanto que Peg pega Edward para criá-lo em casa, não para levá-lo ao hospital. É como se não encarassem sua realidade.
Pela parte de Edward, segundo o diretor Tim Burton, a idéia das tesouras é trazer a mentalidade infantil para a telona no papel assumido por Johnny Depp. As tesouras representam a criança que não pode encostar em nada, que é afastada do mundo dos adultos. Da mesma maneira, muitas vezes a realidade da criança é ignorada pelos pais que não entendem, nem parecem querer entender, o que está passando pela cabeça de seus filhos. Cada um segue sua vida e pronto. Como diria o Coringa: “Está tudo de acordo com o plano”.
Edward, porém, não poderia deixar de resultar em alguma coisa e tudo começa quando Kim retorna de viagem. Ela é a primeira a ter uma reação real a Edward, enquanto seu namorado, Jim (Anthony Michael Hall), representa um outro lado da padronização americana: rebaixar e se aproveitar dos menores.
E é quando Edward é acusado indevidamente de invadir a casa de Jim que tudo cai sobre ele. Aí, a maravilha que ele era para todas as mulheres, cortando os cabelos delas e fazendo seus jardins, acaba-se. Até aquela que se jogava em cima dele passou a dizer que havia sido abusada. É o outro lado da moeda, de pessoas que não sabem compreender o mundo.
A vida de Edward é linda, realmente. O filme é todo lindo.
A atuação de Johnny Depp, que quase te faz esquecer dos outros atores, é de tirar o fôlego. Só deus sabe como ele ficou “fora” do estrelato até Piratas do Caribe, onde chutou Orlando Bloom e assumiu seu papel no topo do panteão hollywoodiano.
Cada uma de suas feições, cada uma de suas meras 169 palavras faladas durante todo o filme são perfeitas. Ele é um ator completo e mostrava isso aqui, já aos 27 anos de idade.
Tim Burton e Johnny Depp têm aqui sua obra-prima, o que eu considero sinceramente o melhor trabalho de ambos e um dos melhores filmes de todos os tempos. Um fruto de uma mente estranhamente bonita, na qual o belo não quer significar nada com o exterior, mas sim tudo aquilo que guardamos conosco ao terminar de assistir. Perfeito.
Tags:Alan Arkin, Avon, Cores, Dianne Wiest, Dupla, Grande Parte, Inventor, Johnny Depp, Peg, Robert Oliveri, Tim Burton, Verde Amarelo, Winona Ryder
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