Essa resenha provavelmente será muito curta. O motivo é simples: Premonição 4 é um filme ridículo. É horrível, mal feito, previsível, sem graça e um insulto a qualquer pessoa que pague ou separe 2 horas se sua vida para assistí-lo.
Eu não sei bem por que. Temos um roterista capaz, já que Eric Bress fez o roteiro de Efeito Borboleta. Talvez o problema esteja na direção de Davis R. Ellis, que trabalhou em filmes como Serpentes a Bordo e o Premonição 2. Talvez seja culpa dos atores, todos medianos e desconhecidos. Não sei.
O que eu sei é que esse filme é ainda menos do que eu esperava. Mas vamos lá falar das coisas que me deixaram assim.
Para começar, os efeitos especiais. Quando você o trailer, com todas aquelas cenas tensas, cortadas no meio para você não ver o que acontece, você acaba ficando intrigado. Bem, eu fiquei. Mas no filme, você entende porque. Porque o resto dessas cenas é ridículo. Aquela cena em que um dos pneus do carro que bateu voa e cai em cima de uma menina, termina com um modelo em computação gráfica dela sendo partido ao meio e sangue para todos os lados. Acho que foi já nesse momento, com 20 minutos de filme, que minha namorada disse “bem que você falou que esse filme era para dar risadas”.
E toda vez que o personagem principal Nick O’Bannon (Bobby Campo) tem a premonição de como será a morte seguinte, nós temos uns modelos ridículos em computação gráfica de peças e objetos girando na tela na mesma qualidade de um jogo de computador do início da década de 1990. Tudo o que é feito em computador nesse filme é extremamente mal feito. Mesmo. Não estou exagerando. O objetivo dessas técnicas é substituir a realidade por algo em que você acredite. Como em Avatar. Mas não dá pra acreditar em nenhuma das cenas desse filme, porque elas são ridículas.
Como se não bastasse o fato deles terem enchido o filme de efeitos especiais mal feitos e terem estragado o senso de realidade de todas as cenas, o roteiro é desprezível! Ele não faz nada além de repetir o que já aconteceu (o que, de certa maneira, era esperado) nos outros filmes da série mas, para piorar, todas as mortes (bem, quase todas, vamos) são simplesmente iguais.
Basicamente elas começam com algum liquido escorrendo e alguma coisa que fará esse liquido pegar fogo e explodir alguma coisa e matar o pobre coitado. É isso. Mais nada. E mesmo nas que não tem o liquido, o padrão de acontecimentos para que a pessoa morra é o mesmo. Como se a Morte já tivesse cansado de fazer esses filmes e deixado a perseguição aos atores ruins para seu estagiário inexperiente.
E, só para terminar, eu não sei onde esses caras acham esses atores juvenis sem muita qualidade. Alguns deles na verdade nunca haviam feito um filme. Eles não sabem expressar emoções, não sabem parecer reais na tela do cinema e talvez estejam fadados a fazer participações especiais em episódios de seriados investigativos e besteiróis americanos como esse.
Acho que até escrevi demais, não é? Mas é porque esse filme é muito ruim. Eu não sei como alguém ainda consegue verba para fazer um filme assim. Nem como consegue convencer de que esses efeitos especiais são de alguma qualidade.
Pouco mais de um mês depois de minha última resenha, estou aqui de volta. A vida, o universo e tudo o mais conspiraram para que meu retorno demorasse. Mas aqui estou! E para falar de um filme que nem é bom.
Atividade Paranormal conta a história de Katie e Micah, um casal de namorados que começa a ser atormentado por um espírito na casa. Interessado no assunto, Micah, aficionado em aparelhos tecnológicos, coloca escutas pela casa e compra uma câmera para filmar as coisas que andam acontecendo e, ai, nós vemos as bizarrices começarem.
O filme usou a mesma fórmula de A Bruxa de Blair (o único filme de terror das duas últimas décadas, na minha opinião). O nome dos personagens é o nome dos atores, tudo foi filmado em pouquíssimo tempo (esse aqui foi filmado em 10 dias) e com um orçamento que não passa de duas dezenas de milhares de dólares. Além de, é claro, utilizar como filme uma suposta filmagem real de uma câmera caseira.
Admito que o fato de eu simplesmente não ter conseguido mergulhar realmente no filme graças aos outros temporários habitantes do cinema que não paravam de falar e dar risadinhas pode ter afetado o meu julgamento sobre esse filme e me façam acha-lo pior do que ele realmente é (se é que vocês concordam comigo que o filme não é realmente bom).
A questão é que não desceu. Assisti ao filme todo, mas realmente não fiquei comovido com a história. E acho que a pior coisa que eles fizeram (e provavelmente fizeram achando que seria uma boa idéia) foi a de concentrar a maior parte das cenas de susto na hora em que o casal está na cama. Porque ai, sempre que você se depara com uma filmagem da cama e do corredor, você já sabe que algo vai acontecer. Isso pode tanto servir para aumentar a tensão e a percepção dos espectadores, como tirar o prazer da surpresa e do susto real. A segunda opção é a que eu passei.
Mas só para não ficar no ruim, eu adorei uma cena especificamente. É uma cena bem próximo do final e que mostra um espírito mais à vontade, por assim dizer. Ele puxando a perna dela e a tirando da cama e carregando pelo corredor à fora é realmente muito bom. E seria melhor ainda se não desse para ver (eu só vi quando assisti pela segunda vez, detalhadamente) a corda em volta do pé dela e ela puxando uma cordinha que fecha a porta do quarto quando ela passa pelo corredor, arrastada. A cena com o talco no chão também é interessante. Mas vemos durante o filme diferentes pegadas, o que não nos deixa entender o que é o espírito. Se é humano ou não.
O prazer fica todo pela metade. Uma ou duas cenas não garantem o filme, e Atividade Paranormal não chega nem aos pés de Bruxa de Blair.
Olá, queridos leitores. Após apresentarmos aqui, tempos atrás, um curta-metragem com participação de Nespoli estamos aqui hoje para apresentar um com direção, roteiro e produção por Fabio “Miojo”. O curta, que classifico como Suspense, foi realizado na madrugada de ontem com uma câmera digital Nikon Coolpix s7c.
O protagonista principal é um gato japonês dourado que mexe a mão, comprado na Liberdade, em São Paulo-SP. O outro protagonista é Cachalote, o peixe do aquário. As pessoas refletidas no vidro entram como efeito especial, feito pelo pessoal da república que moro aqui, e também por mim.
Esse filme chegou hoje (acho que no caso já foi ontem,rs) na locadora e como eu me lembrei que nosso leitor Carlos Uliana nos tinha indicado esse filme decidi assistir. Temos aqui um suspense bom, aquela trama bem costurada e que nos deixa entretido o filme inteiro. É o novo trabalho de Kevin MacDonald (aquele do excelente Último Rei da Escócia) e ele não decepciona. Deixa eu falar um pouco mais sobre o filme.
Somos apresentados a Cal McAffrey (Russel Crowe), um repórter investigativo do jornal Washington Globe (existe na vida real?) que se depara com um caso de duplo assassinato num beco da cidade. Nesse meio tempo Sonia Baker (Maria Thayer), a assistente de um deputado – Stephen Collins (Ben Affleck) – morre trágicamente nos trilhos do metrô. O deputado Stephen, que estava conduzindo uma investigação no Congresso contra uma empresa de segurança chamada PointCorp, chora no meio da comissão de investigação (seria uma CPI? nem sei como funciona lá) o que estoura na mídia um possível relacionamento amoroso de Stephen com Sonia. E é aí que Cal entra no assunto pois foi colega de quarto de Stephen na faculdade e começa a ser pressionado para soltar alguma coisa por sua editora Cam Lynne (Helen Mirren) e pela responsável pelo blog do jornal, Della Frye (Rachel McAdams – Tantos ‘macs’ nessa resenha, rs).
A trama se desenvolve à partir daí, claro que as coisas vão muito além disso. Os dois casos se intercedem de alguma maneira e provavelmente tudo o que você pensa que é, não é. No desenrolar do filme também conhecemos Anne Collins (Robin Wright Penn), esposa de Stephen e o deputado Fergus (Jeff Daniels) que serão muito importantes para entendermos o que se passa.
Mais do que isso eu não posso falar, afinal quando o filme se trata de um suspense, qualquer detalhe revelado fora de hora pode estragar muitas surpresas interessantes, então o que me resta aqui é tratar sobre algumas questões mais gerais do filme. Primeira delas são as atuações. Na verdade nem tenho muito o que dizer delas, Russel Crowe continua sendo aquele ótimo ator de sempre, Ben Affleck melhorando cada vez mais (apesar de muito magro, rs), Robin Penn mostrando sinais da idade, Helen Mirren com sua classe de sempre e Jeff Daniels… Jeff Daniels é um ótimo ator, né? Eu gosto…
O diretor conduz muito bem o filme, o que te prende à história até o fim. E o filme é isso, uma ótima história, aliás, Hollywood tá numa onda de mostrar interferências de grandes empresas no governo norte-americano que é até surpreendente (se bem que é uma produção de três países diferentes), filmes com a mesma temática andam tendo muito destaque (até com o super valorizado Conduta de Risco, que foi candidato ao Oscar em seu ano) o que não deixa de ser interessante. Destaco a participação mais uma vez minúscula de Viola Davis, será que vão indicá-la ao Oscar denovo por esse? rs…
PS: Não esquecemos da promoção não, todos os inscritos estão guardadinho e estamos esperando o Miojo voltar à internet para sortearmos, rs.
Um dia eu ainda entendo a fascinação de americanos por casas mal assombradas e esse tipo de história, aí quem sabe eu entendo o motivo deles fazerem filmes iguais todo ano. Pois é, Evocando Espíritos em sua essência é exatamente a mesma coisa que todos os filmes desse tema são. Vou aqui rememorar a primeira coisa que escrevi nesse blog, não era nada elaborado e o objetivo era totalmente outro, mas expressa um pouco o que eu achei sobre esse filme:
Família da cidade, vai morar em fazenda para ver se muda de vida, enredo simples para um filme simples e ruim. Terror recheado de clichês tanto ocidentais quanto orientais, que vão de manchas na parede a corvos sombrios, passando por músiquinhas infantis macabras, crianças que vêem fantasmas e entidades zé-manés que aparecem só para uma pessoa, normalmente o filho ou filha adolescente e problemático. Não dá medo, apenas sustos causados por aumento vertiginoso no som e “coisas” passando rápido na câmera. Tem um final levemente surpreendente (mas nem sua surpresa livra-se do estigma de clichê). .
Eu copiei e colei a ‘resenha’ que eu fiz sobre Os Mensageiros há um ano e meio atrás e ao terminar de ver o filme de hoje me parece mais atual do que nunca. Algumas pequenas diferenças.
1 – A família se muda para Connecticut para ficar mais próximo de um hospital.
2 – O filho problemático não é revoltadinho e sim doente, tem um câncer (por isso precisaram se mudar para perto do hospital).
Essas pequenas diferenças só servem para trazer um clima um pouco maior de drama o que melhora, talvez, um pouquinho o filme. Ahn sim, além de ser ‘baseado em fatos reais’, outra coisa que americano adora. Sobre atuações nem devo dizer muito, o filme é composto por atores em sua maioria semi-desconhecidos, com participações em seriados de televisão, mas que acabam cumprindo o papel. Não vou nem destacar nada no filme por que nem merece, apenas um desabafo, PAREM DE FAZER ESSE TIPO DE FILME. Ou ao menos inventem algo mais assustador ou menos fora do lugar comum. Ai, que perda de tempo.
Baseado no primeiro (isso mesmo) livro da série de Dan Brown, que ficou famosa graças ao Código da Vinci, Anjos e Demônios traz Robert Langdon (Tom Hanks) em uma nova aventura, onde ele se vê obrigado a desvendar os segredos dos Illuminatti para impedir o assassinato de cardeais da Igreja Católica, justo na escolha do novo Papa.
O filme, ao contrário do livro, se localiza depois do Código da Vinci, até porque acabou saindo depois. Como prova, é possível ver uma foto de Sophie Neveu (Audrey Tautou) na escrivaninha de Langdon.
A direção de Ron Howard mais uma vez faz o seu papel intrigante. Seus trabalhos são elogiáveis (como em Apollo 13 e Uma Mente Brilhante) e aqui o elogio vai para sua tentativa em manter vivo um roteiro que não é lá essas coisas e também na produção (também sob sua responsabilidade), com a trilha sonora bonita, lembrando a do Código da Vinci, e os efeitos especias, tão necessários para o desenvolvimento do filme.
Bem, quando falamos em filmes assim, vindos de best-sellers atuais, automaticamente falamos de um elenco recheado de atores famosos e cheios de um talento que não será completamente usado. Além de Hanks, temos Ewan McGregor (um dos meus atores favoritos), Stellan Skarsgård (o pai do Will, de Piratas do Caribe!), o veterano Armin Mueller-Stahl e a quarentona Ayelet Zurer, uma das poucas mulheres do filme.
Então aqui, nossos amigos atores participam de uma busca com tempo contado tentando salvar a vida de alguns cardeais sequestrados. Eles teriam sido levados pelos Illuminatti, uma antiga seita (mais mítica do que histórica) que teria sido atacada pela Igreja nos séculos passados e que agora estavam dando o troco.
O personagem Robert Langdon, graças a Deus, é um especialista em tudo isso. Estudioso do imaginário e simbolismo da renascença, o cara é a única real arma da polícia do Vaticano para desvendar os mistérios “illuminattianos”, que passam por históricas igrejas espalhadas pelo país católico.
Somos então agraciados por belas imagens que, na verdade, são de mentira. A Igreja Católica proibiu que fossem realizadas filmagens em suas igrejas e até mesmo na Praça de São Pedro. Uma réplica da praça foi feita para as filmagens e todas as imagens de interior são feitas de alguma maneira diferente do original. Há umas cenas que você até percebe que eles estão sobre um fundo azul, porque o cenário não fica tão real assim.
Essas dificuldades impostas só mostram como que o cinema hoje é capaz de dar a volta em situações muito inusitadas. Como fazer um filme que passa por diversas igrejas, sem realmente passar por elas? Vivas à Computação Gráfica!
A CG, entretanto, não salva o filme. O roteiro, como já deixei passar, é fraco. Eu não li o livro. Mas o livro Código da Vinci é melhor que o filme, com certeza. O ambiente não é o mesmo. E acredito que em Anjos e Demônios acabou dando na mesma coisa. A questão aqui é que Anjos e Demônios é de cara inferior ao Código da Vinci, pelo menos quando falamos de filmes. O foco principal do filme deveria ser o simbolismo, a investigação histórica e artística de Langdon. Aqui, por sua vez, isso ficou muito limitado a quatro estátuas que estariam próximas a quatro igrejas, enquanto em “…da Vinci” a coisa é bastante complexa e toma rumos direfentes no meio da história. Já me disseram que o livro Anjos e Demônios é ainda melhor literariamente que seu carrasco “… da Vinci”. Mas o filme acabou perdendo, em minha opinião.
Para terminar, vai uma curiosidade: durante as filmagens nas ruas do Vaticano, a equipe se viu no meio do caminho de uma noiva, que tentava entrar na igreja para se casar. Dedivo a todo material e ao trabalho ali sendo realizado, a sortuda teve uma supresa quando o próprio Tom Hanks apareceu e, como desculpas, a levou, junto com os acompanhantes, pelo set de filmagem até a porta da igreja. Ele infelizmente não pode comparecer à festa, porque estava trabalhando, mas ela deve ter ficado feliz com o passeio inusitado.
Um ônibus espacial explode ao retornar à terra. Como ele, chegam microorganismos alienígenas que começam a afetar os seres humanos. Eles afetam o sistema nervoso de cada infectado assumindo parte de seu funcionamento e assim tornando o ser humano uma coisa estranha, sem emoções, que não é capaz nem de suar. O mundo assim começa a ficar livre da guerra e de conflitos em geral. No meio disso, Carol (Nicole Kidman) vive o desespero de encontrar seu filho Oliver (Jackson Bond), raptado por seu ex-marido infectado, e que pode ser a chave para a cura.
Nós já temos aqui no site duas opiniões sobre o filme, mas acho que uma a mais é sempre válida. Demorei muito, mas muito tempo para ver esse filme porque, apesar de amar filmes de extra-terrestres e invasões alienígenas, esse aqui sempre pareceu um filme morno demais.
E basicamente o é. Em minha humilde opinião, esse filme não passa muita emoção e não marca uma pessoa. Soa como mais um filme e pronto. Não sei explicar bem por que.
Apesar disso, ele traz dois atores muito bons. A já comentada Nicole Kidman e o ator em acensão Daniel Craig, no papel do melhor amigo de Carol, Ben. Os dois estão juntos também no filme A Bússola de Ouro, que também foi bastante morno na bilhetagem. Detalhe que os dois são de 2007.
A discussão do filme é bem mais político-filosófica do que científico-alienígena e nos leva a uma interessante reflexão do que nós seríamos capazes de fazer para acabar com os conflitos e mortes que estão aí no mundo de hoje. Sem muitas emoções, os infectados agem pelo bem deles em comunidade e assim as guerras chegam ao fim.
Um comentário do personagem de Graig é sobre as guerras que aparecem na TV. Mas é Nicole Kidman que se vê na pior posição ao tentar salvar seu filho da mão de infectados. Eles estariam salvando o mundo e ela tentando voltar para a desgraça. É assim que ela fica sem palavras para tentar explicar para Ben suas escolhas.
Ao contrário de Nespoli, acho nosso estado de natureza é sim o da sobrevivência do mais forte e que o homem é infeliz em estado de igualdade. Não é a toa que arrumamos maneiras de sermos especiais. Até mesmo nossos revolucionários se rendem ao poder do Estado. Assim, o homem sempre viveu em conflitos. Desde lá no Eden, um brigava com o outro pela atenção de Deus. Por aí vai.
Logo, achei uma discussão boa mas estranhamente colocada no filme. Acho que fica meio descolado envolver a essência humana com invasões alienígenas. Acho que é porque meu tipo de filme de ET é diferente.
De qualquer maneira, acabei achando que essa idéia do filme se encaixa melhor em filmes como Equilibrium, que comentamos aqui, e que fala do mesmo assunto só que em um filme sobre revoluções, instituições humanas e tudo o mais.
No fim, atuações mornas em um filme morno, que envolvem assuntos interessantes que poderiam ter sido tratados mais ou melhor. A direção, a cargo de Oliver Hirschbiegel (A Queda!), é boa, faz o seu papel, mas não salva o filme.
Pois é, o legal de trabalhar em uma locadora é que vira e mexe quando você não tem nada para fazer, você pode pegar um filme que em condições normais você não veria e levar para casa, já que é de graça, rs. Foi isso que aconteceu comigo quando eu resolvi pegar Instinto Secreto, e as vezes sua escolha te surpreende, no caso surpreendeu. De cara é um filme com um elenco mininamente conhecido, com Kevin Costner, Demi Moore e William Hurt. Mas, tirando o Hurt, não são atores que me fazem ver um filme, mas aqui eles cumprem seu papel.
Chega de enrolação, que papel é esse? Então, a gente é apresentado à princío ao Sr. Brooks – Kevin Costner (o nome do filme original é Mr. Brooks, ponto para a criatividade brasileira, rs) um pai de família exemplar, empresário bem sucedido e que acaba de ganhar o “Homem do Ano” segundo alguma entidade que eu não me lembro qual é. Depois do prêmio, no caminho de casa, Brooks e sua esposa estão no carro quando ele começa a falar com uma terceira pessoa que teoricamente não está lá, e é aí que a gente conhece o Marshall (William Hurt) seu alter ego assassino, e isso foi uma sacada muito boa do filme. Deixa eu explicar, o Brooks tem um “amigo imaginário” (ridícula definição) dentro da cabeça dele, e esse cara é quem instiga o Brooks a alimentar o seu vício que é… matar. Sim, esse homem perfeito e invejável é no fundo um serial killer conhecido pela polícia de Portland (?) como o “assassino da digital” (segundo a outra crítica aqui mesmo no blog é “assassino do polegar” mas agora eu to na dúvida).
Não to cometendo spoilers, é que eu me aprofundei demais na introdução, mas então nesse dia que ele recebe o prêmio ele tem uma recaída de 2 anos sem assassinar ninguém e mata um casal e o pior, deixa uma testemunha, o fotógrafo Mr. Smith (Dane Cook) além de aguçar novamente o faro da detetive responsável pelo caso, Tracy Atwood (Demi Moore). Além disso tudo, temos a volta da filha mimada da família Brook, a Emma (Marg Helgenberger). Mas então, o enredo se encaixa nisso daí. A testemunha ‘chantageando’, a detetive caçando o assassino e Mr. Brooks tentando viver uma vida normal ao lado de sua família. Sobre as atuações, Demi Moore é a Demi Moore de sempre mas levemente menos bela. Kevin Costner surpreende exatamente por ser um papel que não se espera dele, uma amiga disse que ele simplesmente não a convenceu enquanto psicopata e é aí que eu gostei, por que o objetivo parece ser exatamente esse, que ele não convença, que ele realmente não pareça um louco capaz de matar. O William Hurt possui o melhor personagem do filme, Marshall é irônico e raivoso e é quem a gente mais gosta de ver.
No mais é isso, um filme bom que entrete. Destaque para o “semi-final” (vocês vão entender) assustador.
PS: Mudando de assunto, para quem gostou do Mangue Negro e quer ter a oportunidade de ver, ele vai ser exibido num festival de filmes trashes em SP que está rolando do dia 22 ao dia 26 de Abril, sendo que ele passará no domingo às 20 horas (sim, demorei para fazer a propaganda) :
O último dia de trabalho pré-aposentadoria de uma pessoa costuma ser um dia para relaxar, bem tranquilo e sem incidentes nenhum. Em Hollywood as coisas são um pouco diferentes. Normalmente é nesse dia em que as coisas costumam acontecer e a história mais interessante que irá mudar a sua vida está aí. Esse é um filme que conta então uma dessas histórias do último dia. Antes de começar de verdade quero agradecer ao Marco Antônio, um leitor que já se confessou viciado no blog, que me pediu para rever esse filme e me fez ver além do que eu já tinha visto. Valeu, cara.
Depois de uma introdução conturbada e aparentemente aleatória deixa eu começar a falar um pouco sobre o filme. Bem, a história é simples, no dia de sua aposentadoria Nathan Muir (Robert Redford), um agente da CIA, recebe a notícia de que Tom Bishop (Brad Pitt), seu antigo pupilo, foi capturado em uma missão na China e que será executado no dia seguinte. Simultaneamente um grupo de diretores e agentes da CIA o chamam para uma reunião (sem que eles saibam que ele sabe) para falar exatamente sobre o Bishop e então temos início a um thriller muito bem feito e articulado, que mostra o que vem atrás das missões militares e de espionagem dos EUA.
Tony Scott, irmão subvalorizado de Ridley Scott, dirige essa trama de forma magnífica. Seus takes são muito bem feitos, o que deixa a história mais emocionante. Na reunião em que Muir está, ele precisa contar para os “chefões” quem é Tom Bishop, dar um dossiê do cara e então somos transportados a uma série de flashbacks que nos remonta o convívio entre mestre e seguidor e mostra como uma relação pode ser construída e destruída com atos e palavras. Acho que o que fica bem claro no filme é a disputa de idéias entre agir com sentimentos e com a razão, e só no fim a gente sabe o que triunfa e o que merece ser seguido.
Resumindo, é um ótimo filme, com uma direção muito competente, com atuações muito boas (eu só falei do Redford e do Pitt (vocês já perceberam como os dois se parecem?) mas existe muita gente boa no filme, destacando-se Stephen Dillane, como o Agente Harker, que tenta de todos os modos ‘derrubar’ o Muir e a linda Catherine McCormack como Elizabeth Hadley, que eu não vou contar quem é, rs) e com uma história que te prende do início ao fim.
Destaque para a cena final, que além de muito elaborada me lembrou uma passagem de um livro que li certa vez, contava as aventuras dos Argonautas, que segundo a mitologia grega contava com mais de 50 heróis dentre eles Orfeu e Hércules. A história é mais ou menos assim, um deles (já to lembrando a história não me peçam que me lembre os personagens, rs) havia sido capturado por Ciclopes em uma das expedições, ao planejar sua fuga decide por cegar o Ciclope que o estava vigiando, e ao fazê-lo faz questão de dizer “E lembre-se de meu nome, que é Ninguém.” e o Ciclope, coitado, ao avisar para seus amigos quem o havia cegado gritava loucamente, sem que ninguém tivesse nada a fazer, que “Ninguém” havia lhe cegado. Tá, vejam o filme e tentem ligar isso ao joguinho de palavra no final. Não lembraram? Só eu? po… rs…
PS (por que sempre tem que ter um? hehe): Coinscidentemente o último post foi um filme do Ridley e esse é um filme do Tony, legal, né? rs…
Uma mulher chamada Erica (Jodie Foster), radialista, está prestes a se casar com seu noivo (Naveen Andrews, de Lost) quando ele é brutalmente assassinado no Central Park. Ela, que também foi bastante espancada, sobrevive apenas para lamentar a morte dele. Achando que a polícia pouco está fazendo para achar os culpados, ela reúne suas forças, compra uma arma e busca fazer justiça com as próprias mãos. Ela só não esperava se aproximar do policial Mercer (Terrence Howard), de quem se torna grande admiradora mas tem que esconder o que realmente faz.
Esses assuntos de vingança com as próprias mãos sempre são abordados no cinema, seja com homens fortes e musculosos (como em Efeito Colateral, com Arnold Schwarzenegger), seja com mocinhas supostamente inocentes, como nesse caso aqui.
A verdade é que esse é um caso comum em nossas vidas diárias também. Nós vimos ai recentemente o caso de absolvição dos PM William de Paula que teria matado o garoto João Roberto Amorim, de 3 anos, no Rio de Janeiro. Lembro ainda do pai gritando, na TV, que não faria justiça com as próprias mãos porque acreditava que a justiça ainda faria o papel dela.
Outro caso é o do acidente do avião da GOL com o Legacy, onde os pilotos do avião menor, Joe Lepore e Jan Paladino, também foram absolvidos, causando a indignação dos familiares daqueles que morreram no acidente. Afinal, ninguém pagará pela morte desses entes queridos?
Voltando ao filme, esses assuntos sempre mexem com a gente e muitos tem a reação de querer fazer justiça com as próprias mãos. Isso e o fato de termos aqui dois atores maravilhosos (Foster e Howard) fazem desse um filme tenso e muito bom.
Jodie Foster, uma atriz perfeita e ganhadora de nada menos que dois Oscares (além de duas outras indicações), dois Globos de Ouro (e mais quatro indicações) e diversos outros prêmios, continua linda nas telas do cinema. Sua atuação é sempre impecável e ela fica sempre fantástica nesses filmes de suspense e drama. Ela foi inclusive nomeada ao globo de ouro por esse filme.
Terrence Howard, que chegou ao auge com Ritmo de um Sonho (2006), já havia se destacado em filmes como Crash: No Limite. É um ator bastante emotivo também e sabe se expressar muito bem na telona. Neil Jordan, o diretor (responsável por Entrevista com Vampiro), faz um bom trabalho com esse filme, que envolve a amargura da personagem de Foster, a tensão da vida noturna no subúrbio de Nova Iorque e a tênue linha que mantém a justiça entre vilã e salvadora da humanidade.
Um filme muito bom para ver. Uma história boa, com atuações admiráveis e para ocupar duas horas do seu dia. Na verdade, seria melhor assistir à noite, para aumentar o medo =)