Esse foi um filme que eu quis ver no cinema mas acabei não tendo a oportunidade. Quando chegou na locadora separei, escondi e não dexei ninguém levar para poder fazê-lo. O filme possui atributos que me fariam querer ver qualquer filme. Os principais: ser dirigido pelo Lars von Trier e protagonizado por Willem Dafoe. Pois então, mergulhei de cabeça na mente pertubada do Lars (dizem que fez o filme em uma crise de depressão) e saí abaladíssimo, como provavelmente ele esperava que eu o fizesse (”eu” o espectador, não “eu” o Ricardo, rs).
Anticristo conta a história de um casal – não nomeados - que perde seu único filho num acidente doméstico, o menino cai pela janela do apartamento em um momento de distração dos dois. Essa cena é muito bem retratada no belo trabalho de arte do prólogo do filme. O longa é dividido em prólogo, epílogo e capítulos, como um livro e como o Lars gosta de trabalhar. Pois bem, esse prólogo já é a porta de entrada para um univesso psicológicamente pertubador e tenso. Ela desmaia no enterro e tem uma crise mental muito grande o que a faz ser internada num hospital tomando remédios fortíssimos para mantê-la estável, já ele, um grande psicólogo, discorda dessa tratamente e decide levá-la (Charlotte Gainsbourg) para casa e pegá-la como paciente.
No meio do tratamento decide levá-la ao Jardim do Éden, uma cabana no meio da floresta em que ela tinha passado seus últimos momentos com o filho. Ela utilizava o local para escrever seu último trabalho que tratava de feminicídio (assassinato de mulheres na idade média, que era algo corriqueiro) mas acabou tendo uma crise de imaginação e nunca o terminou. E é nesse ambiente inóspito que temos o desenrolar da trama do filme que está muito mais para um drama do que um terror. Lá o casal vive, em meio à lembranças, uma tentativa de superar a perda do filho e os traumas causados na cabeça de ambos só que muitas coisas acontecem e descobrimos que os problemas do Éden não se iniciaram com a morte do filho.
Sério, é muito engraçado como esse filme pode parecer o famoso clichê da casa mal assombrada que eu, exageradamente, critiquei em minha resenha sobre Evocando Espíritos‘. Mas não duvidem da inteligência desse excepcional diretor dinamarquês e vejam o filme preparado para tudo que ele vai lhe dar (provavelmente você nã estará preparado, acredite). Eu queria aqui discorrer mais sobre o filme, discutir tanto psicológicamente quando sobrenaturalmente o que o filme quer dizer ou mostrar, coisa que até agora não sei se pude compreender direito, mas o medo de falar demais sempre me emperra. Espero conseguir utilizar a área de comentários aqui embaixo para discutir com vocês o que acham sobre o filme.
As atuações de Dafoe e de Gainsbourg carregam o filme em vários momentos, até por que são os únicos atores da trama. A tensão entre os dois incomoda (do jeito que deveria ser) e te causa uma crescente angústia. Eu vou destacar certamente as cenas escatológicas e impressionantemente fortes que o filme mostra. Além do ‘prólogo’ supracitado que é uma obra de arte. Minha dica? Veja o filme… mas esteja preparado e não diga que eu não avisei.
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