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O Curioso Caso de Benjamin Button

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin ButtonA coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Sean Morey

Pois é, ao ler a sinopse do filme e saber do que se tratava a primeira idéia que eu tive foi exatamente essa, lembrei dessa pequena fala de Sean Morey, erronemanete creditado ao Chaplin (inclusive eu creditei à ele aqui e fui corrigido nos comentários) e não poderia começar a resenha de outra forma, por mais que o filme não tenha nada a ver com esse texto e derive de um conto do Fitzgerald. Acho que agora já tá todo mundo cansado de saber do que se trata o filme, afinal saiu a lista de indicados ao Oscar e ele emplacou nada mais nada menos do que 13 indicações, portanto já tá na boca do povo. Mas deixa eu falar mesmo assim.

Conta a história de Benjamin (Brad Pitt), um rapaz que possui uma estranha peculiaridade (que nos deixa no ar o motivo, mas traz algumas possibilidades), ele nasce com cerca de 80 anos no exato dia em que a Primeira Guerra acaba. Assim que ele nasce, sua mãe morre e o pai (Jason Flamyng), morrendo de raiva ao ver a criatura horrenda que é seu filho decide jogá-lo no rio, porém ao ser perseguido por um policial resolve ser um pouco mais humano (?) e o abandona num asilo. A mulher que cuida do lugar, Queenie (a fantástica Taraji P. Henson, indicada ao Oscar) resolve criá-lo, mesmo com o receio de seu companheiro Tizzy (Mahershalalhashbaz Ali, de The 4400). Quando eu disse anteriormente que a história nos traz alguma possibilidade sobre a “doença” do rapaz (que a gente acaba descobrindo que não é apenas nascer velho, mas ir rejuvenecendo com o tempo) é por que logo no início nos deparamos com a história de Mr. Gateau (Sr. Bolo), mestre relojoeiro que faz um grande relógio rodar ao contrário para protestar contra a guerra, que levou seu filho. A história é basicamente essa, a vida de Benjamin desde seus 80 anos até o final e todas as aventuras que isso pode trazer.

Mas a história é contada magistralmente pelo brilhante diretor David Fincher que com uma excelente fotografia, nos traz uma obra de arte belíssima. Benjamin é um cara sublime, o jeito com que encara a vida e a vive é de se emocionar, e Brad Pitt está interpretando um de seus melhores papéis digno de sua indicação ao Oscar. Todos os pormenores são bonitos, a forma com que a vida dele vai se desenrolando, os amigos que faz e principalmente sua história de amor. Pois a neta de uma das senhoras do asilo, Daisy (Cate Blanchet) conhece Benjamin, saca logo que ele não é um cara normal, e a vida dos dois se cruza a história inteira. A espera até que os dois tenham uma idade compatível traz uma beleza e uma angústia ímpar e nos envolve profundamente.

Mas sério, o filme é poesia pura, e tem que ser visto para que se entenda as coisas que eu estou falando. Além desse romance principal nos deparamos com histórias paralelas fascinantes, Benjamin entra na Segunda Guerra (junto do fantástico Capitão Mike – Jared Harris, conhecido por seu papel em Resident Evil ), tem seu primeiro caso de amor com uma mulher mais velha (Tilda Swinton, que nos proporciona um momento bem emocionante no final) sem contar coma  história dos sete raios que é sensacional.

Mas, como era de se imaginar, tem seus defeitos. E o principal deles, e eu falo sem medo de parecer injusto e influenciável (tenho testemunhas que tive essa impressão durante o filme, sem ler nada sobre ele antes, rs) é que o filme realmente nos lembra muito

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Forrest Gump, outro trabalho de Eric Roth (o roteirista). A participação de Benjamin em acontecimentos bizarros e surpreendentes e principalmente os encontros e desencontros dele com Daisy nos faz pensar nisso depois que o filme acaba. Outras críticas que ando lendo por aí é que o filme é feito para ganhar prêmios, muito “acadê.ico” , mas aí eu discordo, ouvi as mesmas críticas sobre O Aviador, e nem por isso deixei de achar um excelente filme (e que não ganhou o Oscar, rs).

O destaque final vai para todas as interpretações, dando um destaque especial para a Taraji e um destaque ESTUPENDO para Brad Pitt, que mereceram suas indicações, e espero que ganhem o Oscar (por mais que eu não tenha visto a maioria dos outros filmes, e devo estar sendo injusto, rs.) Quem não viu, não deixe de ver, vai se divertir muito.