Bastardos Inglórios
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Cada um dos homens sob meu comando me deve cem escalpos nazistas. E eu quero meus escalpos!
O maior lançamento já realizado pelo diretor Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios veio para concretizar, mais uma vez, a posição de Tarantino na lista dos melhores diretores de cinema. Agora cada vez mais no main-stream, como diriam os outros. Aqui, ele traz Brad Pitt como Aldo Raine, um tenente americano, com um baita sotaque sulista (?), judeu, que forma um grupo de judeus para se infitrar na França ocupada a e aterrorizar a mente dos “pobres” nazistas. A sorte desses caras, conhecidos como “Bastardos”, surge quando, em uma operação conjunta com a Inglaterra, recebem a oportunidade de acabar com todo o grande escalão do exército nazista, incluindo o próprio Adolph Hitler. O problema é chegar lá.
Eu queria muito ter assistido esse filme na sexta-feira. Mas tive que viajar ao Rio de Janeiro para participar da HobbitCon (visitem o site e conheçam!) e esperei para assistir com meus amigos do mestrado. E aí, sinceramente, acho que se não estivesse morando em São Paulo há mais de dois meses, eu teria achado esse filme muito mais interessante. Essa cidade é, então, responsável por esse filme receber 4 pipocas. Eu explico depois.
É até difícil listar aqui todos os atores e personagens importantes para a trama. Tarantino conseguiu dar um certo destaque para uma grande quantidade de atores. Entre os mais famosos, temos: Diane Kruger no papel de Bridget von Hammersmark, uma atriz inglesa e agente so serviço secreto; Daniel Brühl, esse garoto genial de Adeus Lenin! e Edukadores, como um soldado herói alemão; Til Schweiger como Hugo Stiglitz, um traidor alemão que se juntou aos Bastardos; etc.
Apesar de todos os bons nomes e também dos talentos pouco conhecidos do cinema americano (como Christoph Waltz, que estreou no cinema americano aqui), eu diria que o destaque vai mesmo para Brad Pitt, que emplacou aqui uma atuação ímpar. Ele com aquele sotaque e com aquela cara meio sonsa é simplesmente engraçado demais. E seu personagem é também um dos mais interessantes. Afinal, para nós, que estamos acostumados a ver alemães matando judeus, assistir judeus perseguindo alemães é realmente algo digno de atenção. Apesar disso não ter acontecido realmente, não podemos deixar de pensar que algumas pessoas podem ter realmente se juntado para causar um tumulto nas forças inimigas.
E o mote do filme é esse aí (aprendi a usar “mote” em São Paulo!). Mostrar como seria se alguns judeus capazes e bem organizados pudesem se infiltrar em território francês e tentar derrubar o nazismo com as próprias mãos. Apesar de ser uma boa premissa, eu diria que o problema também está aí. O filme é, de certa maneira, “o sonho judeu”. Eu obviamente não sou anti-semita nem me posiciono a favor de coisas relacionadas, mas o filme ignora o poderio soviético (lembrando que foram os soviéticos os grandes vencedores na Segunda Guerra Mundial) e também a participação de quase todas as outras nações. Sobra apenas para a Inglaterra a autoria do plano para a matança final. Tirando todas as glórias a serem distribuidas aos outros participantes, o filme se limita a apresentar os todos poderosos judeus, garantindo, de certa maneira, um posicionamento político forte em um mundo em conflitos como o nosso. E esse posicionamento fica muito claro no “final do filme” feito às pressas por Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), dona do cinema onde será feita uma estréia alemã e onde estará o alto escalão nazista. Aqui fica difícil falar mais e aconselho todos a assistirem.
A cidade de São Paulo entra aqui como o lugar onde eu comecei a vivenciar mais esses conflitos étnicos (?). Não há no Espírito Santo uma comunidade judaica forte. Então as discussões sobre assuntos relacionados se limitam à Segunda Guerra e à formação de Israel, ambos vistos em algumas poucas aulas de História e Geografia. Aqui, onde há comunidades muito fortes, observa-se, às vezes à flor da pele, as questões mais atuais. O que me fez perceber melhor o posicionamento do filme e questionar, de certa maneira, se não poderia ter sido feito de outra maneira.
Como sei que um assunto desses é polêmico, tenho a impressão que teremos spoilers nos comentários. Então assista ao filme! E não deixe de comentar.

É fato que eu preciso conhecer melhos os filmes dos irmãos
O último dia de trabalho pré-aposentadoria de uma pessoa costuma ser um dia para relaxar, bem tranquilo e sem incidentes nenhum. Em Hollywood as coisas são um pouco diferentes. Normalmente é nesse dia em que as coisas costumam acontecer e a história mais interessante que irá mudar a sua vida está aí. Esse é um filme que conta então uma dessas histórias do último dia. Antes de começar de verdade quero agradecer ao Marco Antônio, um leitor que já se confessou viciado no blog, que me pediu para rever esse filme e me fez ver além do que eu já tinha visto. Valeu, cara.
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?




