Watchmen: O Filme
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Leia a opinião de Nespoli aqui.
Para qualquer um que tenha deixado de assistir a esse filme achando que seria mais um filme de super-heróis, eu digo: você perdeu.
Watchmen conta a história de antigos “defensores da lei” que começam a ser assassinados. Tentando entender quem está matando seus colegas, o fantástico Roschach (Jackie Earle Haley) inicia uma busca implacável, que o fará reviver em alguns de seus antigos companheiros a vontade de usar novamente os uniformes e fazer alguma coisa pelo mundo.
A questão principal é: Watchmen é muito mais do que uma história sobre super-heróis. Toda a filosofia envolvida na real utilidade dos Vigilantes (Watchmen), pelo menos nos Estados Unidos, é algo capaz de realmente deixar um de boca aberta. Aqui, os “Heróis” não tem poderes especiais, além do Dr. Manhattan (Billy Crudup), vítima de um acidente que o deixou azul e o fez muito mais que um homem, quase um Deus. E nisso também se envolve a filosofia, pois o Dr. começa a discutir internamente por que ele deveria defender homens, ou a Terra, quando essas coisas nada mais significam para ele.
De volta aos “humanos fantasiados”, o fato deles não terem um código de ética incontestável como heróis da Marvel ou DC faz com que muitas vezes eles se cansem das pessoas. Porque elas não entendem o que eles querem fazer? Porque elas insistem em reclamar, em se rebelar? E aí assistimos ao Comediante (Jeffrey Dean Morgan) queimar pessoas pelo puro prazer de vê-las fugir, se contorcer. Vemos ele engravidar mulheres, matar mulheres… Porque os Vigilantes alcançaram um nível alto demais. E, no final, “Quem Vigia os Vigilantes?” ou, em inglês (e que pra mim tem um efeito melhor ainda), “Who Watches the Watchmen?”
Ao mesmo tempo que temos um Comediante ácido, temos: Ozymandias (Matthew Goode), o homem mais inteligente do mundo, que “quebrou a máscara” e mostrou para o mundo que ele era um dos Vigilantes, desenvolvendo idéias bem distorcidas para o futuro da humanidade; temos o Coruja (Patrick Wilson), indeciso, as vezes incapaz de assumir a posição que deveria como Vigilante; e Roschach, maniqueísta, que nem diante da morte consegue abandonar seus conceitos do que é certo e do que é errado. Uma coleção de personagens infinitamente profundos, incapazes de serem descritos completamente aqui, em uma resenha, e que pisa em cima de qualquer drama meia boca que surge no cinema.
Esse universo de heróis em crise, do mundo sendo ameaçado mais uma vez e, principalmente, de busca por um entendimento, uma escolha certa a ser tomada, me conquistou sem muitas dificuldades.
A direção dessa obra de arte ficou a cargo de Zack Snyder, responsável por alguns outros filmes que considero muito bom: Madrugada dos Mortos e, principalmente, 300, com nosso querido Rodrigo Santoro.
Um filme que é muito mais do que uma história de pessoas de uniformes engraçados. Capaz de conquistar fãs de filmes cult, fãs de quadrinhos, fãs de dramas, fãs de questões filosóficas e muitos mais. Vale mesmo à pena assistir.












