Posts com a Tag ‘Ditadura’

A Onda

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A OndaDecidi conferir esse tão falado filme. É um tema que muito me interessa, mostra alguns aspectos psicológicos e sociológicos que eu costumo discutir e estudar. Bem, para quem não sabe, A Onda trata de uma história real acontecida na década de 60 na Califórnia quando um professor decidiu fazer um experiemento com seus alunos. Ao ensinar sobre autocracia (Estados ditatoriais, como o fascimo e o nazismo) ele resolveu levar as coisas um pouco na prática, e adotar um nome, um símbolo, um lema, uniformes, inimigos… Enfim, símbolos que remontam a um tempo que ninguém esperava que voltasse…

A primeira coisa ‘estranha’ desse filme é que ele é feito na Alemanha nos tempos de hoje. Completamente adaptado à realidade alemã e normalmente estamos acostumados com os americanos fazendo isso, tirando a identidade da história dos outros. Mas nesse caso isso acabou sendo razoavelmente bom, pois deu uma explicação plausível sobre o motivo do tal professor ter feito o experimento – não sei como é na história original, mas nessa ele resolveu pois seus alunos duvidaram que no atual estágio de desenvolvimento humano e depois de uma experiência terrível na Alemanha (o nazismo) uma nova ditadura seria possível. Rainer Wenger (Jürgen Vogel) – o professor, rockeiro, anarquista e querido por todos – começa então com regras rígidas de disciplina e coisas do tipo. À princípio alguns estudantes criticam o método, dentre eles Karo (Jennifer Ulrich) e Mona (Amelie Kiefer), a primeira já desiste logo nos primeiros dias e a segunda, por questionar, é expulsa da aula depois de alguns dias.

O movimento logo perde controle e a sensação de grupo e de fazer parte de algo maior do que eles acaba envolvendo a todos e a ‘contaminação fascista’ se alastra a várias pessoas da escola, não ficando restrita aos alunos da classe. Esse é um filme que não é feito de personagens muito marcantes, além das que se rebelam e de Tim (Frederick Lau)- um “nerd” que se envolve muito com o conceito da Onda (eu não expliquei, mas a Onda torna-se o nome do movimento) – os outros são apenas secundários num experimento que visa discutir a natureza humana. Uma coisa que se destaca, mas ainda não tenho certeza se pro bem ou pro mal, é a direção do estreante Dennis Gansel. Ele usa algumas técnicas que me lembram as que Gus Van Sant utiliza para transformas o filme em algo moderno e dinâmico, mas acho que focaliza muito a forma e se perde no conteúdo. Não sei se para mim ficou crível o bastante as coisas que acontecem em uma semana, e como a coisa toda é baseada em fatos reais, acho que a culpa dessa não credibilidade só pode ser do cara que tá contando a história.

Eu não costumo escrever coisas assim, em dúvida sobre o que eu achei, esses filmes eu costumo ignorar e não escrever nada, rs. Mas acho interessante compartilhar essa minha dúvida aqui com vocês, leitores, para ver se vocês me ajudam a elucidar esse dilema que tá na minha cabeça. Como já dito, eu não conheço a história original, e eu realmente não acredito que as coisas saíram do controle dessa maneira. No início do filme eles discutem motivos que poderiam levar a uma ditadura e citam problemas estruturais, de desemprego, pobreza dentre outros, mas esquecem (nunca lembramos) de citar problemas psicólogicos. E ao meu ver, as coisas só se tornam grandes como se tornaram, através de problemas psicólogicos de uns (ou um) personagem. Meu destaque vai sem dúvida para o desfecho dessa história que te deixa com o coração na boca, mas… sempre com uma ressalva que podia ser um pouco mais bem explorado.

Tempos de Paz

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

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Tempos de PazUma homenagem linda e merecida ao teatro. Essa frase resume muito bem o que é o filme Tempos de Paz, o mais novo do Daniel Filho (diretor de Se Eu Fosse Você 2).

Dan Stulbach é Clausewistz, um imigrante polonês fugindo dos horrores da 2ª Guerra Mundial que estava no seu fim. Sabendo falar o português muito bem, liga a desconfiança da alfândega brasileira e nesse momento sua vida se cruza com a de Segismundo, vivido por Tony Ramos, um inspetor da alfândega em crise sobre o que fazer em novos tempos de paz. A disputa entre os dois se passa em um debate de quase uma hora em que Segismundo pede para Clausewistz mostrar os motivos para ficar no Brasil e provar que não é um comunista ou nazista. Se, nesse meio tempo, Segismundo não se emocionar, ele o mandará de volta ao navio.

Paralelamente, mas não tão explorado pelo filme, temos o Doutor Penna, o próprio Daniel Filho, militante comunista torturado nos porões da ditadura Vargas e em busca do seu torturador.

Baseado em uma peça de enorme sucesso, Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil e também estrelada por Tony Ramos e Dan Stulbach, Daniel Filho teve apenas o trabalho de transpor a linguagem do teatro para a linguagem do cinema, o que fez muito bem. As atuações, já premiadas na época do teatro, são um show à parte. Tony Ramos está excelente, Segismundo é um personagem complexo e bem trabalhado, um homem que obedece a ordens, mas está se sentindo perdido pelo fim da guerra e sem saber o que fazer com as tais novas diretrizes. Já Stulbach arranca risos, lágrimas e muitos aplausos na melhor atuação de sua carreira. Vive um personagem, como ele mesmo disse, quase biográfico. “Um pouco por eu ser filho de imigrantes poloneses e muito por ser ator.” O sotaque que ele faz é perfeito e a mistura de ingenuidade quase infantil com a dureza de quem viveu os horrores do holocausto é expressa de uma forma tão natural que o máximo que podemos fazer é apreciar seu talento.

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Tempos de PazÉ difícil deixar de comparar o personagem Clausewistz, de Dan Stulbach, com o personagem Viktor Navorski, de Tom Hanks em O Terminal. Além da fantástica semelhança visual entre os dois atores, os dois personagens chegam em outro país e acabam ficando presos na porta de entrada (um no porto, outro no aeroporto) e enquanto ficam entre ser aceito no país e ser mandado embora, passam por grandes dificuldades. O personagem de Tom Hanks também tem a faceta ingênua contrastando com as durezas de sua vida, garantindo um show de interpretação.

O elenco de apoio de Tempos de Paz tem papéis bem reduzidos, mas cumpre sua parte. Temos Ailton Graça, Louise Cardoso, Anselmo Vasconcelos, mas o destaque vai mesmo para a polonesa Ewa Stulbach, que não tem esse sobrenome por coincidência e sim porque é a mãe de Dan, e faz uma senhora imigrante que reconhece Clausewistz enquanto ator, mas ao descrever uma de suas cenas por mímica a um dos funcionários da alfândega, acaba criando uma confusão ainda maior sobre a procedência dele.

A boa atuação do elenco ofusca algumas questões complicadas surgidas na produção do filme. Uma delas é falta de cenários, devido à simplicidade das ações no filme. A cena principal é Clausewistz tentando convencer Segismundo a deixá-lo ficar no Brasil e ela se passa praticamente inteira na sala de interrogação. Outro elemento que pode chamar a atenção do público são os efeitos especiais utilizados, que podem ser muito bem contestados, mas que fazem o seu papel na hora de completar a trama.

É um filme que está longe de ser um blockbuster, talvez esperado depois do sucesso de Se Eu Fosse Você 2, e provavelmente levará o estigma de monótono por não ter cenas de ação. Longe disso, é uma homenagem de Daniel Filho e de todo elenco ao teatro e merece ser visto e admirado.

O Cara da Locadora

Candidato Aloprado

segunda-feira, 16 de junho de 2008
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A mediocridade estadunidente às vezes passa dos limites. E ainda leva velhos ídolos da infância para junto dela. Nesse filme, Robin Willians faz Tom Dobbs, um apresentador de TV como o David Letterman (dos EUA) e o Jô Soares (a versão tupiniquim). O carro chefe do seu programa são as críticas contundentes à política exercida pelo governo federal dos EUA (claro que umas críticas bem moderadas), pois é, numa das apresentações do seu programa ele começa a criticar o presidente e falar da apatia da população sobre isso quando um espectador se levanta da platéia e grita “Por que você não se candidata?” e pronto e por uma brincadeira, Dobbs resolve se candidatar.

Mas a coisa vira séria. Inicialmente Dobbs segue a linha dos outros presidenciáveis, sendo um cara sério e propositivo, mas logo seu humor ácido começa a aflorar e ele deixa de ser um candidato comum e sua candidatura dispara nas pesquisas, quebrando a “ditadura” republicana e democrata dos nossos vizinhos lá do norte. Tá, por que eu chamei o filme de medíocre? Simples assim, as eleições americanas (por mais tecnologia que eles tenham) ainda hoje são feitas por cédulas, uma coisa bem pré-histórica , e o filme trata disso, nesse ano eles tentam mudar esse sistema para um sistema eletrônico e é aí que tá o problema. Uma falha GROTESCA no sistema faz com que Dobbs seja eleito sem realmente ter se elegido, o que causa uma série de problemas (óbvio) na estrutura americana. Tá, e mais uma vez, aonde está a mediocridade nisso? Agora eu prometo que eu explico. As cédulas eleitorais americanas obviamente escondem uma série de fraudes, famosas na “maior democracia do mundo” e uma eleição por urna eletrônica (como tem no Brasil, e é sabido, completamente livre de fraude) seria muito ruim para os interesses dos grandes grupos políticos americanos que fazem uma espécie de “política do café com leite” no jogo de poder político dos EUA, portanto um filme como esse só vem para mostrar ao povo americano como seria “frágil” um sistema eletrônico e usa para esse artifício a credibilidade de um astro como o Robin Willians. Resumindo, o filme até que é bom, mas carrega consigo uma carga negativa tão grande que para mim não pode passar de um filme mediano. Destaque negativo para a péssima tradução de nome do filme que de “Man of the Year” – Homem do Ano, vira “O Candidato Aloprado” parecendo assim um filme de comédia pastelão e não o que realmente é. E um destaque positivo para a sempre boa Laura Linney.