Eu nunca tinha pensado muito sobre como eu morreria. Mas morrendo no lugar de alguém que eu amo parece uma boa maneira de ir. Eu não consigo me levar a me arrepender das decisões que me trouxeram frente a frente com a morte. Elas também me trouxeram para Edward.
Depois de uma das maiores ondas frenéticas desse ano, O Cara da Locadora resolve escrever um pouco sobre Crepúsculo e o seu poder de encantar o público jovem.
O filme (baseado no livro de Stephenie Meyer) conta a história de Bella, ou Isabella Swan (Kristen Stewart), uma menina problemática que se muda para uma cidade pequena para morar com seu pai e deixar sua mãe (recém-casada novamente) aproveitar a vida dela. É aí que ela acaba se envolvendo com Edward Cullen (Robert Pattinson), um garoto muito pálido, forte e bonito que ocupa toda e qualquer atenção que Bella é capaz de fornecer e que guarda um segredo milenar: vampiros existem e ele é um deles.
O HISTÓRICO
A primeira vez que assisti esse filme foi perto do natal do ano passado e ainda nem sonhava em ler o livro – admito que já li Crepúsculo (Twilight), Lua Nova (New Moon), Eclipse (Eclipse, hehe) e estou nas metades do Amanhecer (Breaking), já que peguei emprestado o livro em inglês. E tive uma boa impressão do filme. É claro que foi feito para adolescentes e jovens histéricas. Na mesma sala que eu várias garotas ficavam rindo e dizendo coisas bobas e engraçadas. Mas mesmo assim tinha sido um bom filme, na média pelo menos.
Depois de ler o livro, fui assisti-lo novamente, e tive uma estranha impressão. Primeiro, que eu não lembrava o quão diferente o filme era do livro. Parece que depois de lê-lo, esqueci de como era mesmo o filme. Segundo que era diferente de uma maneira não tão ruim. Várias coisas acontecem de uma maneira diferente, mas que levam para o mesmo caminho e sem inventar muita coisa, o que é bom e conta como ponto positivo na hora de avaliar a versão do cinema. Um bom trabalho da nova diretora Catherine Hardwicke (começou a difigir em 2003!) e da roteirista Melissa Rosenberg. O ponto ruim vem do fato de que alguns elementos que são deixados de fora permitem que você avalie personagens e acontecimentos de uma maneira diferente, o que quer dizer que o filme distorce coisas indevidamente.
OS PERSONAGENS
Quando você está limitado apenas ao primeiro filme, não há como negar: é legal de se assistir. Você fará sua namorada feliz e não vai perder a viagem. Edward Cullen e sua família são, é claro, o ponto forte da coisa, mesmo seus irmão e pais não tendo recebido espaço para serem desenvolvidos no filme. Carlisle (Peter Facinelli) e Esme Cullen (Elizabeth Reaser) fazem os papéis dos pais de Edward (que nunca é amigavelmente chamado de Ed.) e seus irmãos são: Emmet (Kellan Lutz), Rosalie (Nikki Reed), Alice (Ashley Greene) e Jasper (Jackson Rathbone).
Alguns outros personagens ocupam lugares de maior destaque no filme e mostram que estão ali para ficar nos próximos também. Eles são Charlie, ou Chefe Swan. Pai de Bella, é o chefe da polícia de Forks, a cidadezinha coberta de nuvens e chuva o ano todo. Ah, o outro é Jacob Black (Taylor Lautner), o índio Quileute, conhecido de Bella e futuro melhor amigo.
O filme deixa bem claro que Jacob não é apenas aquele índio feliz apaixonado por Bella que aparece nas telas. Seu destaque mostra que tem muita coisa por vir, principalmente com as lendas de que sua tribo surgiu de lobos, que são inimigos dos também lendários vampiros. Quem consegue cheirar uma disputa?
DE VOLTA AO FILME
O difícil em fazer filmes que já tem sequências marcadas é que ele nunca soará completo realmente. Você vai sair do cinema sabendo que a coisa está incompleta. Não há satisfação plena nisso aí. Inlifezmente. Nós vemos isso até em O Senhor dos Anéis, filme baseado em meu livro favorito. Quem não ouviu, no final do primeiro filme, alguém falar em voz alta: “O que? Acabou?!”. Crepúsculo tenta ser completo em sua existência, com um clímax, mas deixa diversas portas abertas em seu final.
Por fim, é um filme que triunfa até certo ponto em sua adaptação do romance, reconstruindo a história de uma maneira provavelmente mais cinematográfica mas que, como sempre, deixa buracos desagradáveis. Dessa vez, foram buracos importantes para os filmes que ainda estão por vir, que terão de ser corrigidos a partir de Lua Nova. Ou não, como vocês vão ter uma idéia abaixo, na Discussão Literária.
A DISCUSSÃO LITERÁRIA
Meyer acertou em seu primeiro livro. Um sucesso nas prateleiras e no cinema (ganhou 5 prêmios no MTV Movie Awards). Mas é na hora de continuar o trabalho que nós vemos o quão limitados alguns autores podem ser. Meyer pode até ter pensado em como continuar sua história, mas foi com certeza muito superficial.
Digo isso não para cutucar, mas para puxer uma discussão com quem quer que tenha lido os livros. Quem não leu não vai entender muita coisa, então podem ler a seguir. =)
Quando iniciamos o segundo livro, Stephenie cria a história dos Volturi, que nem mesmo foi comentada no filme! Quando sair o próximo filme, muita coisa nova será apresentada. A história dos Volturi é teóricamente tão importante que deveria ter sido falada no primeiro livro. Só que ela não tinha pensado tão longe assim. E só deu asas a essa nova família de vampiros para dar uma chance de Edward pensar em morrer. E nada mais.
Pulando para o terceiro livro, temos a história dos exércitos de vampiros, que também nunca tinha sido nem comentada. Ela criou, para explicar o que acontece no terceiro livro. Isso é que é a limitação de um autor. Quem tem uma história em mente, deixa claro o seu universo desde o começo. Ela não. Ela tinha que pensar novas coisas a cada livro e ai vemos como seu universo é limitado. Lendo os textos seguintes, Crepúsculo soa simplesmente incompleto.
Para finalizar, no quarto livro ela dá atenção para crianças malditas, feitas vampiras ainda bebês ou com poucos anos de idade. Ela também não tinha pensado na possibilidade até o quarto livro, senão já teria comentado algo. É impressionante, mas é descarado. Ela explica uma coisa no início do livro para justificar o que ela quer fazer no final. Só isso. Nada é pré pensado, pré imaginado.
Entre os textos que circulam na internet sobre o assunto, ganhou destaque o nomeado Twilight Sucks… And Not in a Good Way (”Crepúsculo é uma droga… e não em um bom sentido”, numa tradução livre). Acho interessante a reação dos fãs da série mas, sinceramente, o autor do texto está certo. E as reações são sempre impensadas. Pessoas que acham que é tudo perfeito e não querem entender ou aceitar opiniões interessantes mas divergentes.