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Blade Runner – O Caçador de Andróides

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Blade RunnerDepois de eu encher tanto a paciência de nossos pacientes leitores para que esses nos dêem sugestões de filmes, alguns começaram a me ouvir. Hoje estou escrevendo sobre a dica do Anderson, do ótimo blog Rosebud é o Trenó que me pediu para rever Blade Runner. O fiz com muito prazer e estou muito feliz de tê-lo feito. Esse filme de Ridley Scott é um clássico cult de ficção científica e é obrigatório para qualquer cinéfilo.

Em meados do ano 2000, com a colonização interplanetária, uma nova raça de humanóides artificiais fora criada pelos seres humanos. Eram eles chamados de replicantes, criaturas idênticas aos seres humanos porém dotado de maior força e de grande inteligência. Como medida de segurança, cada um deles possui um tempo de vida de no máximo 5 anos. Eles eram usados como escravos fora da Terra, em tarefas muito perigosas para seres humanos, mas um dia um grande motim foi feito e a existência deles (pelo menos no planeta Terra) se tornou ilegal. Agentes especiais então foram criados para exterminar (aqui chamado de “aposentadoria”) qualquer presença de replicantes no planeta, seus agentes são os chamados Blade Runners.

O ano é 2019, Harrison Ford é Rick Deckard, um Blade Runner aposentado que é chamado de volta à ativa para “aposentar” 4 replicantes que mataram todos os tripulantes de uma nave e entraram na Terra. O filme nos mostra essa história, a de Deckard tentando encontrar os tais replicantes enquanto eles tentam achar uma maneira de se manterem vivo por tempo maior que o prazo que lhes é dado.

Em suas investigações Deckard conhece a assistente de Tyrell (Joe Turkel), o projetista dos Nexus – 6 (os replicantes procurados), Rachel (Sean Young) e fazendo o teste de Voight-Kampff nela descobre que ela é outra replicante, porém não sabe já que Tyrell implantou a memória de sua sobrinha nela. Acho que é nesse ponto que o filme se distingüe das ficções científicas anteriores e se torna um clássico. Deckard vê em Rachel uma ser humana, mesmo sabendo que ela não o é e (entendendo que isso não é um clichê já que que foi um dos primeiros, rs) se apaixona por ela. Só que seu objetivo se amplia à “aposentá-la” também, já que é ilegal a existência dela.

Acho que o que eu precisava contar sobre o filme eu contei. Agora preciso falar de algumas coisinhas. Acho que a principal delas é a ambientação do filme. Claro que 2019 é muito cedo (nossos amigos de antigamente viam o avanço tecnológico com um pouco mais de rapidez do que o existente), mas eu acho um futuro extremamente plausível e crível. Prédios gigantescos, carros que voam, MUITA gente, poluição, um visual dark muito bem feito. A gente pode ver propagandas de produtos como Coca Cola, Atari e Budweiser, o que torna a ambientação muito mais legal. Eu digo que é crível pois no caminhar da carruagem deve ser isso que a gente vai ver, poluição desenfreada, prédios cada vez maiores para comportar o aumento vertiginoso da população e um aumento absurdo da violência. Outra coisa que não pode deixar de ser dita sobre o filme são as intepretações. Um Harrison Ford levemente mais maduro, mas com aquela canastrice que lhe é peculiar (e combina direitinho), uma Sean Young muito bela e competente, mas quem sem destaca mesmo é Rutger Hauer (que faz Roy, o líder dos replicantes rebeldes) que para mim é o principal do filme, cada aparição sua me rendia uma série de sentimentos, raiva, tensão, medo e até pena.  Rutger é um ator que poderia ter sido muito mais, mas infelizmente não foi. Fez muitos filmes de baixa renda, porém recentemente fez papéis secundários no poderoso Sin City e no ótimo Batman Begins. O filme concorreu a dois Oscars técnicos e não ganhou nenhum, bah, Oscar não é pros cults, rs. O destaque vai mesmo para a cena final, a batalha derradeira entre Deckard e Roy que é realmente espetacular.

WALL-E

segunda-feira, 14 de julho de 2008
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Hoje começo pedindo desculpas pelo tempo sem comentar filmes. Como alguns já sabem, Ricardo teve uma filha recentemente e, como ninguém sabe, meu irmão se casou nesse último sábado, dia 12 de julho. Então está tudo uma bagunça. Mas surpresas estão sendo preparadas ainda para esse mês, se Deus quiser. Aguardem!

O filme aqui comentado é Wall-E, uma tentativa da Pixar de fazer o melhor filme do mundo. Talvez exagero meu ai atrás, mas que o filme chega perto disso, chega.


WALL-E conta a história de um robozinho (que dá nome ao filme) construído para ajudar a organizar e reciclar o lixo no mundo, assim como muitos outros robôs. A verdade é que a situação ficou tão precária, que os seres humanos saíram em férias pelo espaço sideral, em uma nave super organizada e mecanizada e deixaram a terra para trás. A idéia era ficar viajando por 5 anos… mas passaram 700.

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WALL-E significa “Waste Allocation Load Lifter-Earth-class”, uma coisa que eu não sei traduzir muito bem (fiquem a vontade para comentar sobre isso). E ele é o robô perfeito. Ele praticamente não fala. Ele consegue pronunciar cerca de 3 palavras o filme todo. E por mais mudo, sujo e velho que ele seja, ele é lindo! Ele anda sempre junto com uma baratinha, sua grande amiga, que é um exemplo das brincadeiras que sempre fazemos. Como baratas são resistentes à radiação, sabemos que se um dia os humanos morrerem com bombas atômicas, por exemplo, apenas as baratas sobreviverão. E no filme nós temos uma barata comicamente imortal. Mesmo quando é atropelada pelas rodinhas de WALL-E.

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É até difícil explicar como que eles conseguiram isso, mas a personalidade dele é tão profunda e bela, que qualquer humano fica pra trás. Seus olhos e seus movimentos permitem entender o que se passa na “cabecinha” dele maravilhosamente bem, o que é um dos destaques do filme.
Um dia chega na terra uma sonda que verifica se há a possibilidade de existir vida novamente na terra. Afinal, é tudo lixo. A sonda se chama EVE (que significa “Extraterrestial Vegetation Evaluator”, ou Avaliador de Vegetação Extraterrestre). E ela é tão bonitinha e nervosa. Atira em tudo o que se mexe, graças a um instinto de proteção. Mesmo assim, WALL-E se apaixona por ela e, quando ela encontra uma pequena planta e é desativada para esperar a nave que a levará de volta aos humanos, WALL-E continua ao lado dela e parte para uma aventura no espaço para salvar sua amada.

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A idéia de um robozinho apaixonado pode ser estranha apenas lendo uma resenha, mas o filme explica muito bem. WALL-E tem alguns prazeres humanos graças ao fato de adorar colecionar antigos objetos de humanos, como o cubo mágico, um Atari e uma fita de video (o musical “Hello Dolly!”, que tem grande importância na história).
O filme é dirigido e escrito por Andrew Stanton, o cara responsável pelos roteiros de Monstros S.A., Procurando Nemo, Toy Story e Vida de Inseto. Seu trabalho aqui assumiu novos patamares. Como disse nosso amigo Vinícius: “o filme ultrapassa os limites da animação”.
Vemos em alguns momentos também as influências da Apple no filme e de outros filmes clássicos de décadas passadas. O blog Brainstorm #9 mostra um WALL-E que emite sons do Mac. A Eve foi desenhada pelo mesmo designer que fez o visual do iPod. Auto, o robô da Axiom (a nave espacial dos humanos), tem a mesma voz do Macintalk. Além disso, WALL-E tem um velho iPod entre seus objetos.
O filme demonstra bem sua crítica a uma sociedade que evita o contato direto, como nos vemos começar hoje. Enquanto humanos ficam na frente dos computadores, felizes, conversando pelo microfone mesmo com pessoas que estão na sala ao lado, WALL-E, sem falar, vive muito mais que nós.

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A crítica ao estilo de vida não é mal colocada ou mal pensada. O filme demonstra nós mesmos, que seguimos uma linha geral. Mas isso não quer dizer, como disse Jacques, “que somos de todo mal”, mas sim que estamos mal influenciados pela direção que o mundo está tomando nesse momento.
Um filme pra lá de perfeito, que chega ao cúmulo de alcançar o título de um dos melhores filmes das últimas 2 décadas. WALL-E fala tão profundamente no coração tanto das crianças como dos adultos. É o tipo de filme que merece aplausos quando acaba, sem nenhum medo de ser cafona.